DO VAZIO DO NADA À SOLIDÃO DO EU# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA
Descer ao vazio do nada para subir à solidão do eu.
Eis o paradoxo da espiritualidade.
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Quem desce até seu presente do tempo, até sua
própria realidade, até os abismos do inconsciente, até o vazio de seu nada, até
a escuridão de suas sombras, até a impotência de seus próprios anseios, quem
mergulha, entra em contato com sua condição humana da dor no vazio do nada,
este sim está subindo para a Solidão, alcança a solidão verdadeira. Subir até a
solidão do Eu, o Eu da solidão, é a meta de todos os caminhos espirituais. A
espiritualidade começa na realidade da solidão do Eu, nas suas necessidades,
nas suas feridas e chagas, nos contratempos do dia-a-dia, e, fazendo-nos
descer, ela nos leva a subir para a busca perfeita do verbo do espírito.
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O descer ao vazio do nada, ao inferno da alma,
dores e sofrimentos encontrando a Solidão do Eu e no subir ao In-finito, o
Verbo do Espírito, encontramos o eidos do descer e subir, de vivermos a
con-tingência e a transcendência na Solidão do Eu. O vazio está no coração, o
inferno do nada está na alma. Isto significa entrar em um estado de extrema
humildade, de constante metanóia, significa a mudança de nossa prisão no mundo,
prisão nas contingências da existência, o romper com o endeusamento do próprio
eu, mergulhar na Solidão do Eu.
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A verdadeira solidão tem como um de seus elementos
integrantes a satisfação e incerteza, a alegria e dúvida, o contentamento e a
insegurança que nos vem, que advém do fato de estarmos frente a frente, em face
de uma possibilidade não realizada. Não é uma sangria desatada de
possibilidades - e sim uma humilde aceitação que nos estabiliza em presença de
uma enorme realidade, que num determinado sentido, já possuímos, e que, por
outro lado, é uma "possibilidade", um objeto(apêndice) de esperança.
#riodejaneiro#, 14 de outubro de 2019#

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