CRÍTICA LITERÁRIA POETISA E ESCRITORA, Ana Júlia Machado, ENSAIA O POEMA #MACUNAÍMAS DO LAZER FÚTIL E INSOSSO#



Este texto do escritor Manoel Ferreira Neto, o título MACUNAÍMAS DO LAZER FÚTIL E INSOSSO fez-me de imediato pensar no herói sem qualquer tipo de índole em revejo em todo o escrito do autor a crítica à sociedade, onde os doutos são colocados de parte, em o despojado da ninharia, e mais tarde constata-se que afinal o escrito embora, sendo uma lenda ou metáfora, crítica aos burgueses e aos mal-amados mas que não resistem ao sexo... entre outras coisas.
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Vou nesta análise incluir o Macunaíma, o protagonista sem nenhum cunho é um livro divulgado em 1928 pela pessoa que tem saber em muitas erudições - brasileiro Mário de Andrade, encarado a sua obra-mestra. Escrito em pouco tempo mas consectário de perscrutações antecedentes que o autor compunha sobre as proveniências e as especificidades da cultura e do povo brasileiro, relata a história do indígete índio Macunaíma desde seu aparecimento na floresta até ao seu fenecimento e metamorfose, um percurso mobilizado e Ousado; vadio em que é auxiliado por seus irmãos e outros pessoas, em demanda de uma pedra maga, o muiraquitã, que tinha auferido de seu grande amor, Ci (mãe do mato), a Progenitora do Matagal, mas que fora sumida e expirara em usufruto de Piaimã, sendo uma figura titânica explorador de gente que habitava como endinheirado antiliberal em São Paulo.
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Numa herdade da estirpe, em Araraquara, interior de São Paulo, para onde o escritor tinha ido passar uns dias. Acarretou consigo, naquela ocasião, os rascunhos de anos de labuta e investigação sobre a demopsicologia brasileira. Logo, a demopsicologia, nas suas multíplices ostentações, aflui a ser a contextura de Macunaíma. Aglomera um absurdo de lendas, crendices, orações feitas, provérbios e idiotismos de dialecto, tudo metodizado e propositadamente enredado, consumado uma tela de triângulos pitorescos em que os fragmentos, aparentemente anexados à casualidade, esboçam em conexo o panorama do Brasil e a aparência do brasileiro vulgar, conforme aponta muito bem Cavalcanti Proença.
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A muiraquitã é o oportuno protótipo de Macunaíma. E o atual do exclusivo bem-querer genuíno de sua existência, o que lhe facultou um filho, o petiz findo inocente. Para reconquistá-la, intenta jornadas, altercando e amargando, até que, de usufruto do amuleto, volta à existência sem maleficência dos primeiros tempos.
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No enredo igualmente consta-se a tentação do sexo,( tal como no escrito do escritor Manoel Ferreira Neto), à que não possuía erudição para aguentar-se, faz com que desbarate novamente a muiraquitã. Então desalenta. Sem o amuleto, que, no fundo, é o seu inerente exemplar, o volúvel de todas as suas andanças, o protagonista identifica a vanidade de uma polvorosa sem perseverança ao seu propósito. A cabeça amputada, como no mito caxinauá, delibera ser lua por retaliação. Não pretendia converter-se em nada que auxiliasse aos homens, por isso, vai parar no campo extenso do paraíso, sem facultar ardor nem existência. Supérfluo. Macunaíma vai possuir luz improfícua, porque ele próprio se aprecia supérfluo, desiludido com o registo que fez de toda a sua existência transitada.
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Permaneceria a resplendecer, apesar de sem intuito nem idoneidade, nessa propensão para o fulgor genuíno, sem ardor, que Mário de Andrade criticou tantas ocasiões nos criadores brasileiros. Não é impudico. Pertence àquela classe de “seres nem acusados nem inócuos, nem divertidos nem infelizes, mas prendados daquela altivez indiferença que Platão aliava à erudição.
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Mário de Andrade possuiu hesitações ao catalogar o livro. Primeiro, apelidou-o-de “história” em um dos preâmbulos, pretendendo aproximá-lo das lendas populistas pelo muito que, de vulgar, tem com esse género. Mas não era uma denominação precisa e optou por chamá-lo de “rapsódia”. De facto, exibe como as rapsódias melodiosas uma multiplicidade de razões populistas. Rapsódia é a forma de entoar dos rapsodos gregos. São igualmente rapsódias os clássicos romances versejados e trauteados, as árias de façanha de Rolando, a Encantada Branca-Flor e, nos nossos dias, as façanhas de salteadores, solfejadas nas feiras do Nordeste pelos cantadores. Daí a avizinhação com as proezas medievas.
Macunaíma é, sem hesitação, uma das enunciações mais caracterizantes do aparecimento do Modernismo no Brasil. A ira destruidora que exprimiu a primeira fase do nosso Modernismo (1922 – 1928) está aí em todos os sentidos: a construção do romance e a língua, particularmente, vem aí barbaramente constrangida na sua forma tradicional e académica. Mas tentemos esboçar aqui o panorama cultural da época para que se entenda bem a literatura que vem expressa no texto genial de Macunaíma.
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A montagem do caráter de Macunaíma, sinopse de um arrogante modo de ser brasileiro, recosta-se na obra de Paulo Prado, Retrato do Brasil (1926), em uma experiência de descrição de um símbolo nacional, que Paulo Prado descreve como luxurioso, sedento, calaceiro e idealista.
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Há, igualmente, a presença de Freud na abordagem psicanalítica das alegorias e dos hábitos rudimentares, que as especulações do involuntário e da intelectualidade pré-lógica proporcionaram.
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Penso ou diria que o texto do escritor Manoel Ferreira Neto, é uma perfeita analogia do livro “Macunaíma”..que mais tarde constataram a sua riqueza não propriamente a nível de história, mas de literatura…muito bem escrito…
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O que acontece ainda hoje…só os medíocres é que possuem um êxito, mas efémero…o bom dá-se o valor pós- morte…
E termino com uma das últimas frases do escritor Manoel Ferreira Neto
O vazio é a convicção da verdade, e a ambição da Querença plena de íntegras do Ser.
A propensão do adivinhar do Ser-Espírito do Verbo.


Ana Júlia Machado
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Uma das obras do Modernismo mais importantes. A rapsódia de excelência. Muito lido e pouquíssimo entendido. O seu ensaio, inestimável amiga Aninha Júlia, Ana Júlia Machado, vem esclarecer sobremodo a profundidade desta obra que não apenas os intelectuais deveriam ler, mas as pessoas em geral.
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Quando li esta obra na faculdade de letras, fiquei completamente embasbacado: "Como pode um personagem ser tão sem carácter e personalidade?" Mas era um perfeito retrato da sociedade daquela época. A literatura, as Artes, a Poesia adquiriam personalidade e carácter, a nação descambava no vazio.
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Com efeito, inspirei-me em Macunaíma de Mário de Andrade, e no eidos do poema a questão é evidente: a Literatura Brasileira, a Poesia hodiernas descambaram no abismo, na vulgaridade, na ausência completa de personalidade e caráter, caso continue nesse nível, com efeito, serão o vazio pleno, a imagem lícita do ABSURDO.
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De excelência, minha querida, o seu Ensaio. Tiro o chapéu para você. Beijos nossos a você, à nossa amada netinha Aninha Ricardo.


Manoel Ferreira Neto
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MACUNAÍMAS DO LAZER FÚTIL E INSOSSO#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: POEMA
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#O mais confiável é aquele que deve ser observado de mais perto.# (STALIN)
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Quiçá seria que o vazio pudesse dizer,
pós angústias, tristezas, medos, desilusões,
ocasionados pelas con-ting-ências do efêmero,
nihilidades do real envolvido
com a materialidade da imanência,
seu mergulho no abismo outra intenção
não seja senão procurar encontrar no nada
alguma pectiva do vir-a-ser,
alguma pers de quimera para alçar vôo,
pectivas de sorrelfas para in-vestigar
e idílios pectivos de querenças para trilhar
a poeira das alamedas,
entregar-se e superar-se,
libertando-se dos laços com a memória
das situações e circunstâncias
dos éritos do tempo,
sendo ele apenas emocional e não psicológico,
sendo ontológico e não psíquico,
metafísico e não metafórico,
mas nada responderia o nada ao vazio,
pois sua eidética é vivencial e não vivenciária,
nela não habita qualquer fonte
de salvação para o vazio,
aos linces de uma visão-artística
desta busca da estética do verbo alicerçada
no eu-poético, e não ontológica,
simplesmente se entrega ao efêmero,
re-colhendo e a-colhendo dele
as experiências adquiridas no estar-sendo
no meio das coisas,
no meio das ipseidades do ser-com as náuseas,
vivências acumuladas no sendo-em-sendo
das esperanças e sonhos do eterno,
no picadeiro das dialécticas e contradições,
dele adquirindo o verbo das possibilidades,
expectativas de encontro com o horizonte do vir-a-ser.
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"O mais confiável é aquele
que deve ser observado de mais perto."
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Pretéritos im-perfeitos
de macunaímas do lazer fútil e insosso
tangenciando os nonsenses de contra-dicções,
ab-surdos da dialéctica do eterno e efêmero,
co-tangenciando de pectivas de nonadas
os desejos mais que abissais
da travessia leve e solene da melancolia
à hermética e prolixa paisagem do in-fin-ito,
co-senando de pers de in-fin-itivos volos
e volúpias da passagem das in-congruências
das dores e sofrimentos à desarmonia
entre o crepúsculo e a madrugada de orvalho
que toca a grama dos vales e florestas,
senando de gerúndios e particípios êxtases
as bordas e frontispícios do além
onde os sons do universo bailam
no ritmo e melodia de confins,
e as águias, condores flanam leves e soltas
sob o fluxo do ar e dos ventos.
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Nada do vazio das utopias da verdade
que traçam o croqui das arribas
em pleno conúbio com as cores do arco-íris,
que controversa as falácias além do bem e do mal
e os dogmas da verdade,
que ad-versa as verborreias do sublime
e a poesia da estesia da alegria e felicidade,
que re-versa as cristãs utopias da ressurreição
e os sonhos pagãos da redenção,
que in-versa a escravidão às etiquetas da virtude
e a libertinagem dos valores éticos e morais,
Vazio do nada que jornadeia
atrás das constelações
eivado de fissuras e compulsividades
do egrégio encontro com o re-verso
da cintilância das estrelas,
brilho da lua.
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Nada de vazio obtuso
que nas sinuosidades das sendas e veredas
ao longo do silvestre do campo
mergulha no abismo para ouvir
os sibilos suaves do vento,
que penetra nas grutas
para escutar as gotículas de água
pingando nas maquines do tempo,
que exila nas cavernas
para refletir as idéias,
As contingências da existência.
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Pretéritos perfeitos de paulicéias desvairadas,
carioquicéias tresloucadas que ins-crevem
na lápide dos solipsismos e facticidades
os mandamentos que regem levar
a vida aos sons do violino,
aos acordes da flauta,
aos ritmos do piano e da guitarra solo,
tangenciando e co-tangenciando
os paradigmas
do aqui-e-agora e do instante-limite.
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Nada de obliquos
habitando o vazio que
nas curvas dos becos plenos
de mistérios e enigmas
sarapalha as ruminâncias íntimas,
gemidos recônditos,
uivos subterrâneos para se sentir
menos ansioso de vômitos,
crise vascasina,
diante da existência sem rumo,
sem destino - quiçá assim pense
para amenizar o cansaço intelectual,
mental em que me encontro,
noutra ocasião retifique,
e #aprés-ente" o que penso.
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Nada de eterno.
Nada de etern-itude.
Apenas etern-itudes que
se pro-jetam no além,
poiética da trans-cendência,
poética do que precede a con-tingência.
E no mergulho do vazio no abismo
ele intenciona o ente do transcendente
com que per-vagar no baldio
das contradições e dialécticas
da morte na alma,
sonhando com a liberdade do corpo,
encontro com a outra vida
de prazeres e felicidade, o ser absoluto.
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O vazio protela éritos,
tem-lhes na condição de sabedoria,
na palma da alma das
gnoses do vento tripudiando
e engabelando as proscrições
da verdade efêmera, volátil, volúvel.
O nada nada protela,
nada posterga,
sempre livre para o outro,
outros do efêmero,
substratos de suas con-ting-ências.
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O nada é a esperança,
é o sonho virgem,
a expectativa pura e poética da Verdade,
verbo completo de modos
para ser conjugado nas iríasis dos desejos,
vontades, volos da esperança.
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O nada é a esperança da verdade,
no tangente à metáfora do
verso poético do sublime
que eiva a vida de fantasias e sorrelfas,
sob a luz cristalina do vir-a-ser,
sob a ribalta da alegria ad-vinda
dos pre-núncios e a-núncios das
éresis dos echos do inaudito
que só a "coruja" sabe com excelência
cantar no seu galho da madrugada
na esperança do alvorecer,
o outro outro da vida que eiva
o "nada" com dimensões sensíveis
da sublim-idade que esplende
suas miríades do uni-verso
ao "nous" das querências,
desejâncias do Amor pleno
de absolutos do Ser.
A vocação divinária do Ser-Espírito do Verbo.
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Vazio do Nada.
Liberdade de suprassumi-lo
com a poiésis poética
do amor plenamente entregue ao Efêmero,
continuidade de Verbos e Modos do "Ser".


#riodejaneiro#, 11 de outubro de 2019#

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