**SENDAS SILVESTRES E VEREDAS FLORESTAIS - CON-TEMPLAÇÃO DO VERBO DO TUDO** - Manoel Ferreira
O ser revela-se no ápice do Nada para ser o verbo do tudo. A razão do
tudo se encontra no ser... à luz do conhecimento platônico, da razão dialética.
Trajetória do Eu na caminhada pelo Nada:
“...Além-infinito na moldura trans-parente do horizonte à luz da neblina
do alvorecer...”
É no trajeto que se encontra a alma no Nada. O Nada é o estado da alma,
não estado emocional, psíquico, mas contingencial, à busca do entendimento do
Ser existencial.
O Nada não confere segurança ao Ser. É um vagar na in-fin-itude de si
mesmo, na angústia pela revelação do instante efêmero em que se apresenta. O
Tempo pára e urge, ao mesmo tempo.
E, na aflição dessa angustiante constatação, o Eu atinge o ápice do seu
Nada, propriamente sentido, vivenciado, vivido.
No minúsculo instante, a Katarsis: O Eu e o Nada!
Então, o Eu vence-o: arrebenta a cortina de fumaça do Nada que o
aprisionava e, uma força descomunal, vinda do âmago existencial, consegue
adentrar no Tudo:
“Verdade infinita do Ser, verbo do Tudo”
A trajetória do Eu na caminhada do Nada. E qual é esta caminhada? A
caminhada nas ilusões, quimeras, fantasias, sorrelfas do eterno, da eternidade,
o sonho da eternidade nas letras, o des-conhecer das fin-itudes, a ignorância
dos limites, o nonsense das imperfeições, fazer o mundo à luz do que jamais
virá-a-ser. Este Eu é supérfluo, insosso, nada tem a revelar dos caminhos de
dores e sofrimentos, desejos, vontades, esperanças, sonhos, utopias, é apenas
uma "bengala" para andar nas estradas dos vazios. Este Eu nada
significa. É uma imagem colocada à frente da face verdadeira que está diante de
todas as intempéries do não-ser numa angústia sem limites, sem nem pontes partidas.
O verdadeiro "Eu" é o "outro", destituído dos
solipsismos, desprovido das ipseidades, facticidades, o outro que está diante
da vida como ela é, não apenas re-presenta. O outro que é plena busca, entrega
ao verbo do Ser, a desejância com a plen-itude do In-finito, In-fin-itude do
Pleno, o Sublime de Viver que nada mais é que caminhada que se faz caminho.
Ainda confere de excelência na análise-critica: "O Nada não confere
segurança ao Ser. É um vagar na infinitude de si mesmo, na angústia pela
revelação do instante efêmero em que se apresenta. O Tempo pára e urge, ao
mesmo tempo." É na caminhada que o Nada se pres-en-tifica, mostra e revela
os vazios, vacuidades de todas as coisas, inclusive da Vida, as náuseas
incólumes e insofismáveis dos entes que nos circundam. Assim, o Eu atinge o
ápode do seu nada, nonsense, vacuidade, absurdo. Nada significa. Não tem
sentido algum. "O Eu e o Nada" - neste sentido, o "Eu"
precede o "Nada", mas a Arte, Literatura e Poesia, se re-vela,
mostrando o "Outro" e o "Verbo", o Outro sendo o In-finito,
o Verbo, o Espírito da Vida.
Surge, então, a "força descomunal", a força da
"entrega" verdadeira e real à busca do Outro, dos In-fin-itivos que
verbalizam o tempo das esperanças e dos sonhos, mergulhando e adentrando no
"Tudo", e o "Tudo" é a ex-tase do pleno, da plen-itude, do
eterno, da etern-itude.
"A verdade in-finita do Ser e o verbo do tudo".
Nestas sendas silvestres e veredas florestais, nas origens de outra
caminhada pelos silêncios e solidões do ser-aí, do estar-aí, projetando o olhar
ao longínquo e distante, buscando as Verdades.
Manoel Ferreira Neto
(*RIO DE JANEIRO*, 08 de novembro de 2016)

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