**POEMA OVAL** - Manoel Ferreira
Se
Vestígios da katarsis
Não são sementes, húmus do sonho
Quanta emoção pode ocultar-se sob um guarda-chuva
Quanto sentimento pode revelar-se sob um chapéu panamá
Deixe a chuva molhá-lo,
Deixe o sol bronzeá-lo.
Se
Estilhaços da linguística
Não são pedras de toque da beleza do belo
Encerre o presente ciclo da vida
Com a frase lapidar de um poeta:
"O sonho acabou".
Se
Resquícios da semântica
São alusões equívocas da estesia
Sinta que o coração se compromete
Na vasta aventura da não-dialética
Do ser e não-ser.
Se
Fragmentos da metafísica
São luzes sedativas e anestésicas
Pasme em ver com as chamas
Ardentes da lareira de achas viçosas
A ausência da calada da noite.
Se
Retalhos da metalinguística
São águas turbulentas do Sena
Agite-se com o braço da Fatalidade
E sorria com as horas marcadas
No relógio de único ponteiro.
Se
Restos do amor que é futurista
Não satisfazem os desejos e esperanças
Da alegria, felicidade,
Sinta uma grande e inestimável desilusão
E tome água de cáctus.
Manoel Ferreira Neto.
(*RIO DE JANEIRO*, 09 de novembro de 2016)

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