COMENTÁRIO AO POEMA /**NÃO À TRISTEZA**/ DE Roberto Lopes - Manoel Ferreira


SOLIDÃO?



À guisa de mensagem? Não. À guisa sim de re-flexão.
O amigo Roberto Lopes acaba de compartilhar na minha Linha do Tempo o poema NÃO À TRISTEZA. Esta obra de excelência reflete com primor a nossa humanidade de hoje. A solidão, acompanhada da tristeza, está assolando os homens, levando à morte de tudo, ao fim insofismável da vida que são sempre sonhos, esperanças, utopias, fé. O que é a solidão? Não é a ausência do outro. É a ausência do Eu. Os homens não têm caminhos para trilhar, não se conhecem, não sabem o sentido de si mesmos na terra, no mundo, o significado da vida, o para quê dela.
Mas esta solidão incólume não é de modo algum a peste avassaladora. Nela habita uma pedra de toque, nela habita o In-finito. Quem na solidão, no entardecer, na noite, não olha para o céu, não pres-en-ifica as estrelas, a lua? Todos o fazem. É uma tradição dos poetas românticos, do romantismo. É olhar e intuir que mais à frente das estrelas, da lua o In-finito se encontra. No In-finito, estão escritos, pers-critos, ins-critos o silêncio, a esperança, o sonho, a fé, o amor, a paz, a solidariedade, a compaixão, todas as dimensões sensíveis que, de verdade, muda a solidão em presença, mostra a caminhada que faz os caminhos.
Mas como isso é possível, se o sentimento de solidão, a solidão corróem todas as dimensões trans-cendentais do homem? É só não olhar as estrelas e a lua com o outro que se encontra atrás da solidão, sim olhar com a solidão, refleti-la nelas. A solidão sentir-se-a solitária pres-enciando brilhos e cintilância, verá o In-finito, sentirá a necessidade de re-colhê-lo, a-colhê-lo. O Inn-finito por tempo irá passear nessa solidão, deixando nela suas dimensões espirituais, transcendentais, chegará o momento que a solidão se trans-formará, pres-enciará a vida, os homens por-se-ão na estrada à busca da realização de todos os sonhos e esperanças, fé, utopias.
Solidão não é negatividade, não é incólume desgraça. Solidão é presença do que falta, do que falha. Solidão é trans-cendência.
Na minha vida, na juventude, senti muito presente a solidão em mim, a ausência do Eu, pus-me a caminhar, em princípio, ao léu de todas as coisas. Na caminhada fui fazendo o Eu Poético. Sou a solidão e o Eu Poético.



Manoel Ferreira Neto. ,



Não à tristeza



Não há palavras que definam
A constante comunhão
Entre a tristeza e o meu coração
Que meu copo e alma definham



A razão não pára de postular
Para que seja ouvida
E a tristeza seja banida
E outro amor ocupe seu lugar



É urgência uma oportunidade
Para que a vida volte a brilhar
E essa tristeza afastar



Não vale a pena a devastação
Que é viver na dependência da solidão
E nessa condição se acomodar



Roberto Lopes
Paulista-PE/Brasil


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