**DES-ABROCHAR DE OUTROS HORIZONTES** - Manoel Ferreira
Verb-itudes...
Itudes de verbos...
Verbos e itudes...
Yalas de sacros evangelhos no templo, configurando numinosos raios que
incidem nos inter-ditos tabernáculos, perpétuas nos castiçais de vidro, de lado
e outro, ornamentando o cofre do altar, onde o Espírito Santo refestela-se,
devaneia.
Além-infinito na moldura trans-parente do horizonte à luz da neblina do
alvorecer, ensimesmando o tempo, nublando a visão das coisas da terra. Yalas
res-plandecentes vistas além da neblina num baile de performandes estéticas,
minúsculas imagens con-templadas pelos linces dos olhos, luzes piscam aqui e
acolá desenhando perspectivas, visível do invisível, invisível do visível.
Semânticas de sentimentos em síntese, linguística de emoções comungadas,
ex-tases de desejos, vontades, sonhos de sin-estesias esperanças de sin-tonias,
sin-cronias, no in-finitivo do tempo, alhures, longínquo, distante, as
in-fin-itudes compondo de silêncios as bordas do uni-verso, sin-fonia de ritmos
e melodias do eterno soprando o ab-soluto, re-colhendo e a-colhendo de antemão
às revezes as iríases do pleno plen-ificado de futurais ex-tases da verdade, do
que trans-cende o vir-a-ser de perspectivas do além ver-sificado de genesis,
compl-etude de verbos re-versos in-versos aos gerúndios e particípios
metaforisando a espiritualidade, sin-estesiando o ser, o há-de ser de divino, o
vir-a-ser das pétalas vivenciais e vivenciárias de todas as utopias e sonhos,
pétalas florando no des-abrochar de outros horizontes do tempo, a-temporal,
in-temporal, o tempo que se exime na travessia do verbo ao ser, quando o In-finito
se estende a toda a extensão do uni-verso, outras a-nunciações, outras
re-velações de verdades in-estimáveis, verdades que se abrem para o
re-colhimento e a-colhimento de silêncios atrás de outros silêncios, atrás de
outros silêncios, convite à pro-jeção ao in-audito de mistérios e enigmas que
velam a lareira de lenhas do que há de configurar o ser das lev-itudes, de
infra-silêncios atrás de outros infra-silêncios, atrás de outros in-silêncios,
semânticas e linguísticas, linguagens e discursos à luz das ribaltas, ribaltas
de esperanças, ribaltas de sorrelfas e quimeras, ribaltas de fantasias e
idílios, ribaltas de sendo-em-sendo o per-curso, de-curso, in-curso da
composição clássica e erudita da música de lírica inspirada e iluminada no
soneto de versos e estrofes da verdade que, na continuidade das travessias do
tempo, con-templa as a-nunciações e re-velações dos lipses para a perpetuidade,
peren-itude, o eterno era apenas um érito no in-consciente coletivo e divino,
uma er-itude das con-ting-ências de dores e sofrimentos, completude e ausência,
um estilo de katharsis, sublimação para a vida seguir nas margens da dialética
do nada e efêmero, contradição da verdade e in-verdade, e que as cinzas
justifiquem os ossos das querências e desejâncias do verbo impuro do ser, do
in-fin-itivo maculado do verbo, e a morte é o eidos da vida, o fenecimento, a
eidética dos desejos que não são para real-izar.
Verb-itudes.
Itudes verbais.
Nos interstícios dos inter-ditos e in-auditos dos silêncios e
infra-silêncios, o Espírito da Vida, vice-versa, pre-figurando as essências
metafísicas da Arte e do Ser, quando o efêmero se re-veste do nada, desemboca
nele, quando o nada se pers-veste do efêmero no simbolismo do subjetivo da
metafísica ou na metafísica do subjetivo sim-bólico, e o In-finito neste ensaio
de imagens e iríasis do tempo pro-a-nuncia as semânticas da linguagem do
nada-nonada, do efêmero-nada, trans-elevados ao eidos da obra, pre-anuncia as
linguísticas do dis-curso do infin-ito verbo de ser para a verdade in-finita do
Ser-Verbo do Tudo.
Manoel Ferreira Neto.
(*RIO DE JANEIRO*, 07 de novembro de 2016)

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