**PARTÍCIPIO IN-FINITIVO DE DESEJOS DO PERENE** - Manoel Ferreira
Sempre em frente... Não deixe a sua asseveração entre as obscuridades do
Universo, as utopias momentâneas à mercê das sombras e penumbras do horizonte,
do in-finito, ainda que os seus plintos permaneçam gotejando, sempre em frente,
sempre os olhos e o espírito elevados ao pico da colinha de onde a paisagem a
perder de vista do campo pode ser con-templada e sentida profundamente, em
frente, elevando-se por claridade celestial, arriba
de si próprio. Credencie na querença celestial.
Se hoje vislumbro as nuvens brancas, sentindo os gerúndios de pretéritos
que foram luzes a incidirem nos horizontes das esperanças do belo e eterno, do
absoluto e do eterno, amanhã, recostado na amurada da ponte de um córrego, olho
as águas turvas passando, pensando no particípio infinitivo de desejos do
perene, e no íntimo perpassa-me leve e suave o vento de genesis de todas as
esperanças e sonhos.
Encoraje-se no satisfatoriamente e aguarde com resignação. Tudo excede e
tudo se recapitula na terra. O que surge do páramo ficará. De todos os
descontentes os mais desventurados são os que esbanjaram a fidúcia em
Todo-Poderoso e em si próprio, porque o superior desaire é padecer a carência
da confiança e continuar existindo.
Se hoje proseio livre causos folclóricos, re-velando com simplicidade o
hilário da sociedade, mostrando as hipocrisias, amanhã emudeço a prosa,
recosto-me no parapeito da janela no alvorecer, deixando os olhos distantes, no
íntimo sentimentos de ilusões do eterno, tudo é passageiro.
Erga, pois, o seu observar e jornadeie. Peleja e beneficie. Instrua e
antecipe-se. Fulgure a antemanhã além da escuridão.
Se hoje ouço músicas, deixando-me voado ao ritmo e acordes, fantasiando
as dialéticas do som e do inaudito, na alma emoções tecendo os sonhos da
estesia da verdade, amanhã debulho as contas do terço, rogando a plen-itude do
silêncio, quando a música das sorrelfas esplende o sentido da vida eterna.
Presentemente, é provável que a procela o amachuque, o coração
mortifique o quimérico, espicaçando-se com o padecimento ou apavorando-se com o
fenecimento...
Não se olvide, contudo, de que devir será distinto dia.
Manoel Ferreira Neto.
(22 de janeiro de 2016)

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