**CADÊNCIA DO TRANS-CENDENTE** - Manoel Ferreira
Quimera de alentas - alvor de apetites. Esperas de bem-querer -
comparência, contactos, afagos. Sensações brotam, sensações de amor, meiguice,
ternura, carícias. Eloquências de rendição, dádiva - Ímpar/Poema do dom,
Uno/Soneto do talento, adejando des-prendido por combas, bosques. O futuro
longínquo considerará assistência imortal, exultação, deleite, céu-aberto
bem-aventurado de perspectivar a nirvana. O espaço soleniza de alvoroços
integrais a macumba do ser consubstanciada no período de diferentes hinos tamborilados
no compasso do horizonte divino, na cadência do transcendente. Enunciações de
bem-querer, de querer, de dádiva, de desejância. Os seres da existência
patenteados no motejo de dois canastros numa existência irrepetível, de dois
íntimos latejando o supremo da exatidão, infinitos gestos verbalizando o
silêncio, evangelizando melancolias e solidão. Só a existência em sua amplitude
é destra de ciciar no escutado da felícia a aragem plácida do incessante,
interminável, o zimbro ameno do duradouro a esconder as relações imaturas no
espaço de todas as excelências, sortilégios.
Espertei hoje de antemanhã, a querença apalpava-me o que me suplanta.
Manoel Ferreira Neto.
(20 de janeiro de 2016)

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