**CAVALGADA NO CORCEL DA ETERN-IDADE** - Manoel Ferreira


Assim que atualizei a foto de meu "perfil", com um pasta em mão, perguntaram-me se estou de partida. Sim estou de partida, tempo de trilhar os caminhos por que sonhei e idealizei por anos a fio, tecer a vida com outros fios da linha das esperanças outras utopias, cuidar de outras concretizações, dar rédeas à vida, cavalgar no corcel da eternidade. Findaram os medos, as hesitações, as insegurâncias, até mesmo as carências.
Findou... Terminou uma etapa, uma época, um estágio da minha existência...não concluiu hoje, já findou há uns tempos, sabia-o, era-me consciente, mas a causa, ou privação dela foi protelando esta resolução...
Terminou... Terminou pois havia que findar - não acredito hoje no fim da vida, o fim é o estar-no-mundo, a vida é eterna; o fim das coisas existe, é imprescindível que findem. Findou pois desejo que assim seja, era meu desejo que findasse, a vida já me havia sussurrado palavras sábias: "Você se espera noutros lugares e noutras situações; é a sua oportunidade de se assistir nas cenas muitas do filme de seus sonhos concretizados..." Terminou mas desejo que permaneça esta ária, tal como permanece, com o que fica...
É uma lembrança, um ido deixado para trás, um érito emoldurado, uma herança para quem pretender contemplar e estimular alcançar...
Debulharei um novo sentido, um novo itinerário, uma nova expedição, saciarei outras sedes... Ambiciono tudo de novo. Desejo não a sensação temor. Ambiciono-me ceder mais, me exercitar mais, idolatrar mais.
jornadear até afadigar, se inevitável, orgulhar-me mais e mais… Afadigar-me, refestelar-me, re-nascer, recomeçar.
Afirma-se que, previamente de um flúmen tombar na imensidade, ele tirita de receio. Observa para o ido, para o extenso trilho, que cursou, percursou, decursou, e contempla à sua face uma imensidade tão ampla que ingressar nele nentes mais é do que descampar para eternamente, des-embocar por sempre. Mas o flúmen não consegue regressar. Ninguém consegue regressar. regressar é in-exequível na vida. Você consegue somente ir em frente, caminhar para o in-evitável, para o desconhecido, para outros mistérios e enigmas, para outros in-auditos, a jornada é a vida que está sempre adiante. O flúmen carece se aventurar e ingressar na vastidão. e só quando ele ingressa na vastidão é que o receio ausenta-se, pois somente nesse caso o flúmen perceberá que não se aborda de descampar na vastidão, mas volver-se imensidade. por um lado, é sumiço, e, por outro, re-novamento. e o sonho da senação e da realidade prestes a concretizar-se...



Manoel Ferreira Neto.
(21 de janeiro de 2016)


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