CON-TINGÊNCIAS DO INAUDITO DE GENESIS** - Manoel Ferreira
Se
a querença for imensurável... a expectação não será eterniza,as acidezes não
serão meias-medidas, e o afastamento será sucumbido. Se a intelecção altercar,
as contestações fortificar-nos-ão, os incidentes far-nos-ão zombar,
e
as cortejas assinalar-nos-ão. Se a ponderação prospectar, as afeições serão
mélicas e arrebatáveis, os ósculos intensos e apinhados de apreço,
e
os enlaçamentos doces e vitalizadores. Se a fidúcia houver, a incerteza se
debelará, as questões serão replicadas, e os discursos lograrão ser
patenteados.
Na
tranquilidade e no isolamento, nas estradas de poeiras e nas sendas, no
re-colhimento e na exposição todas as prósperas sensibilidades surgem à
superfície, refazem sentimentos, sonhos, utopias, tecem esperanças e fé com a
linha de crochet dos mistérios e contingências dos sentimentos da vida. E as
cogitações encaminham até ao amor, a fonte plena do sentido dos versos e prosas
da felicidade, do encontro eterno com as águas cristalinas do verbo. Sinto-as
em mim, sinto a memória me iluminando os instantes "... quero te ver bem
amor, não quero mais que você se sinta mal ai sozinho..., senti profundo o amor
de pura entrega, mas não cor-respondia com a entrega, merecia atenção
exclusiva, estar sempre do seu lado, enviando-lhe flores, mimos, o vagabundo
perambulava pelos amores fúteis e insossos. Deixava-a sentindo-se "mais
uma...". E nos encontros as famosas briguinhas, ressentia a não-atenção,
magoava-se. A vida lhes disse: "Vou mostrar a vocês dois como resolver
isto: no afastamento vão aprender, vão tomar consciência do grande amor que
sentem um pelo outro, o amor de suas vidas, o que realizará seus sonhos.
O
Seu âmago e olhos somente ambicionam contemplá-lo, esse afastamento que nos
desagregava triturava, saudades, melancolias, momentos de pura tristeza,
desconsolo, "Quem cava a própria sepultura tem de cair nela",
angústias, depois "Para sempre...", e isso me mostrou com
transparência o sentimento de amor, o amor, ao mesmo tempo concebeu-nos
compreender o quão o amor é relevante em nossa existência. Tornamo-nos outros
para nos encontrarmos e seguirmos juntos. Necessitávamos estar juntos e não nos
encontrávamos... A ausência de cor-respondência, de entrega plena ao amor
arruínam ligações, impedem deglutir-se a si exclusivo, outorga-se à clareza do
ser.
Quiçá
não seja um amor perene. E não é uma querença abalada, nem um bem-querer
utópico. mas um bem-querer verídico... Aquele que extrapola os estorvos
forçados pela existência e pelas conjunturas. aquele que não teme a eleição, e
emprenha a escolha genuinamente ser veemente sentido.
A
vida ensinou a duras penas, no momento exclusivo da percepção da vida de que
éramos outras pessoas, e mais de minha parte por me haver revelado a vida,
colocou-nos juntos, para seguirmos nossos caminhos de mãos dadas. O amor é
sublime, mas também é caprichoso. Ensina lições, sempre dolorosas de vivenciar.
Agora
queremos agora contemplar o nosso amor, alimentá-lo com todo carinho, ternura,
doação, afeição, afeto, muitos beijinhos e abraços, muitos sonhos. Vamos pelas
estradas da Literatura juntos rodar o mundo. Nossa estrela do verbo amar sempre
cintilando. O sonho que se sonha amor é amor do sonho que se sonha. O amor que
se sonha na comunhão, na correspondência é comunhão, é verbo em todos os
instantes da vida.
Tempo
de re-novação, re-fazenda. A entrega plena ao amor é sobremodo complicada, é
necessária a re-novação, e não queremos re-aprender a vida, sermos outros, mas
quando acontece, nossa, quê delícia!!!
Manoel
Ferreira Neto.
(22
de janeiro de 2016)

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