**VERBOS ORVALHADOS DO SUBLIME** - Manoel Ferreira
Todos dizem
De poética, poiésis, poiética
De poesia, poema, poemática
Nada de pers de linguística
Nada de pectivas de semântica
Nada de sin-estesias de estilística
Nada de sonhos da beleza do belo
Poética do vazio
Poiésis do evasivo,
Poiética do efêmero
Poesia da alma que vocifera
Melancolias do primevo, nostalgias de antanho
Poema dos sofrimentos e dores que ruminam
Tristezas, angústias, medos do há-de ser
Poemática dos desejos oblíquos, obtusos, inócuos
Permeados de fracassos, frustrações, falências, faltas.
Todos dizem
De esperanças, utopias, sonhos do verbo amar
Nada de verbo amar que eiva o espírito
De dimensões do infinito, do universal
Nada de verbo amar que concebe o pleno,
Nada de verbo amar que gera o ser do eterno
Nada de verbo amar que dá a luz à verdade
Nada de verbo amar que tece o verso-uno das querências
Da Vida "si-mesma", da Vida para a plen-itude,
Da Vida para a dialéctica do encontro e des-encontro
Elucubrações,
Fantasias,
Quimeras,
Sorrelfas,
Mentiras,
Omissões,
Equívocos
Felicidades que emurchecem nos recônditos da alma
Alegrias que secam nos interstícios da inconsciência.
Versos e estrofes de palavras insossas
Amor e amar de verbos defectivos, irregulares.
Amar... Amar é verso re-verso de estrofes. Amar é estrofe in-versa de
metáforas. Amar é soneto ad-verso de linguísticas. Amar é trova trans-versa de
semânticas. Amar é chave de ouro além-versa das dialéticas dos desejos e
in-desejos. Amar é tocar na poesia e sentir a poiética do verbo enamorar-se da
poemática do ser. Amar não é nos versos da poesia o romantismo das utopias da
eternidade, prazer e gozos sentir.
Gotículas de verbos orvalhados do sublime respingando no tempo-ser do
sentir a-nunciações da beleza do belo nos recônditos interstícios da alma,
alvorecendo, no limiar dos sonhos e esperanças da verdade de con-templar o
in-finito pleno de ritmos e melodias do cântico do Amor, a sin-fonia
sin-crônica da felicidade seduzida pelo êxtase da alegria, querubins
performando ao redor da lua o baile da espiritualidade.
Exultando salmos da liberdade luminada de ideais,
Sonhos e esperanças do vir-a-ser de horizontes sagrados,
Theos e nous do espírito vers-ificam sonéticas semiologias
Enveladas nos fios tênues e frágeis de metafísicas do além
Tempo sonorizado de silêncios ritmados e melodiados com as notas
Inter-ditas de metáforas sin-estésicas
Com as ilíadas oníricas da verdade da fé e do símbolo sagrado
Ascese das travessias do ser-tao de sublim-itudes ao tao-ser divino
Sin-cronizado com os verbos do sonho plen-ificar o espírito do ser.
Manoel Ferreira Neto.
(06 de agosto de 2016)

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