A INTENCIONALIDADE - COMENTÁRIO SOBRE O POEMA //**POETA?...**//, DE ELISA FLOR - Manoel Ferreira


O poema são versos e estrofes de descrição do questionamento-título da id-"ent"-idade poeta, ou seja, "sou poeta?", "poeta - quem sou", "poeta- sou quem?" Sendo a Poesia estética do perfeito, metáfora do divino, linguística e semântica do belo, a vida de harmonia, sin-cronia, sin-tonia, o espírito da vida, a trans-cendência, o questionamento do poeta de ser ou não poeta, de versejar o eidos da poesia está sempre presente em sua vida, porque ele versifica a contingência, sua contingência de dores, sofrimentos, de suas falhas, forclusions, faltas, manque-d´êtres, suas buscas, desejos, vontades... Sente que escreve poemas, a sua forma de versos e estrofes, a sua forma livre, carregado das metáforas e todas as figuras de linguagem que identificam a estrutura linguística e semântica, mas não alcança o eidos. A pergunta é eterna - não há, nunca houve, jamais haverá poeta que não faça esta pergunta. Mas é des-crevendo a contingência, situações e circunstâncias ec-sistenciais, vivenciais e vivenciárias que as palavras são eivadas, no sentido de concebidas espiritualmente, porque a poesia é o trans-cender, trans-elevar o verbo contingencial à busca do verbo espiritual, divino e trans-cendente. Neste poema "Poeta...?!, a autora, poetisa, revela as suas dores e problemas ec-sistenciais, psíquicos, que são as éresis e iríadas de sua alma, desejando a trans-cendência, o encontro da beleza, do belo, do verbo-ser que se tornará carne-de sua ec-sistência. Acredita nesta trans-mutação, crê neste milagre - ser poetisa e não contingência, ser versos e prosas, ser vida de versos e prosas, ser-para e ser-com a poesia. Quem lê os poemas Elisa Flor depara-se sempre com este sonho, esta esperança de trans-mutar-se poesia, não como sublimação, fuga de sua realidade, dores e sofrimentos, mas suprassunção e superação deles, mergulhando por inteira na espiritualidade, no verbo-espírito do ser, no ser-verbo do espírito. humanizando-se de sin-cronias, sin-tonias, harmonias com o belo e a estesia. O questionamento é feito e no percurso, decurso vai poeticamente descrevendo o eidos de seu questionamento, as suas buscas profundas e abissais. No final do poema, o que era questionamento do "ser poeta" torna-se definição de sua poesia, de seu versejar e versificar, quer dizer, a trans-mutação se realiza, o verbo se trans-muta em carne, adere-se à carne de sua árdua labuta de buscas e desejos do ser-para a poesia - "... tecendo rendas de poesia". O poeta tece as rendas da poesia, as rendas são a metáfora, o signo, o simbolo das contingências da vida para alçar o vôo das buscas, desejos, sonhos, tornando-os reais, e é com rendas que ela cobre o seu corpo desnudo de carências, solidão. Belíssimo poema!!!
Manoel Ferreira Neto
POETA...?
Me indagas porque escrevo poesias
A resposta é tão simples, meu bem...
Versejo porque os versos são o sol dos meus dias
São as primaveras dos meus anos
A companhia que abranda a minha solidão
E os risos da minha alegria...
Não escrevo por vaidade!___Não!
Jamais poetizaria para angariar elogios
Antes escrevo porque não vivo sem as palavras
que saem da minha alma, passeiam pelos meus dedos
e deságuam no papel, em mares de dor, nostalgia
ou euforia...
Escrevo as desilusões dos meus sonhos,
Meus amores, perdidos no desencanto 
As canções que se calaram...as que ainda cantam
Escrevo por tudo que me for possível
Por tudo que já vivi ou que deixei de viver...
Talvez, ainda, por escrever que eu ainda vivo!
Sou eu, na cadência de cada estrofe
Nas metáforas que me delatam diante do espelho
Nas rimas imperfeitas ( Não sou poeta de rimas )
Sou poeta de quê?____Sou poeta?
Talvez sim...Quem sabe ( Não) ?
Talvez eu seja somente uma mulher sozinha
que nas madrugadas, faz dos poemas sua companhia!
E enquanto todos ressonam em lençóis tranquilos
eu brigo com a caneta para conseguir extrair 
um pouco de analgesia para minha dor,
tecendo rendas de poesias...

Elisa Flor


Comentários