TESTAMENTO DE UM POETA - REVISADO (OFICIAL AGORA) - Manoel Ferreira
Post-Scriptum: Meu amor querido e gostoso, os meus
eternos amor, carinho e ternura por esta ornamentação do poema que acaba de
pintar. Beijos, benzinho lindo!!!
Nuvens que conheço,
Sombras que me perpassam
Horizontes e universos que me pervagam
Rios de águas cristalinas que em mim
Per-correm, correm, de-correm
Escuridões que me perscrutam:
Confio a vós
O meu paradoxo,
O meu re-verso,
O meu in-verso,
O avesso de mim,
O íntimo universo de mim,
Os interstícios de meu horizonte,
O meu excesso,
O meu absurdo de dialéticas
Do sensível, do espírito e da razão
Que me empresto
A imagem vária,
As perspectivas inúmeras,
A linguagem sem precedentes,
O estilo sem igual
Os hífens do intelecto e da sensibilidade
Que me dei,
Que inventei,
Que criei
Que re-criei,
Que literalizei.
Viajo terras distantes de mim,
Peregrino por florestas e mares,
Campos de flores silvestres,
Caminho bem longe de mim,
Do que sou, do que re-presento,
Além de meus sustos, espantos,
Além de meus questionamentos, buscas
Além de meus desejos, vontades,
Além de meus sonhos, utopias,
Aquém de meus idílios e sorrelfas,
Confins de minhas fantasias e imaginações.
Levo o meu rosto, a minha face,
Levo as minhas rugas, a minha seteira japonesa
Os meus olhos inquietos
Deixo o espelho
E seu re-flexo.
Em vosso rosto
Deposito
O assombro de minha alma,
De meu ser.
Manoel Ferreira

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