COMENTÁRIO DA MINHA AMIGA MARIA FERNANDES AO TEXTO //**DILECÇÃO E ELOQUÊNCIA DO ESQUECIMENTO**//
Comecei
a ler o texto meio incrédula, meio estarrecida com a ironia do autor sobre a
seleção dos significantes para determinada situação. Segundo o autor, o
significante ou vocábulo mais simples, mais conhecido, não deixa de ser erudito
e pode ser o mais ajustado. Então faz uma dissertação sobre o significante
"fornicar" que a maioria dos autores omite, para não ferir
suscetibilidades, substituindo-o por metáforas ou outros significantes e
eufemismos. Faz um paralelismo entre fornicar e o inferno, de tal modo que
acabei por sorrir até ao final da leitura do excelente texto. Um abraço, meu
amigo Manoel Ferreira Neto.
Maria
Fernandes.
**DILECÇÃO
E ELOQUÊNCIA DO ESQUECIMENTO**
Além
dos limites, fronteiras da con-tingência, abertos horizontes e uni-versos da trans-cendência,
palavras fornicam-se livres, busca inexpressível e ininteligível de dizerem o
que lhes habita a carne do desejo dos significantes, metáforas, sentidos, assim
re-velando a libido vernácula do verbo, os ossos das utopias dos significantes,
arte e engenhosidade, forclusions, manque-d´êtres, assim desejando mais e mais
a iluminação conciliada na inspiração, para atingir os auspícios da luz do
verbo-ser.
Antes
fora o vernáculo "fornicar": espremi os miolos para me lembrar dele,
angustiei-me, desesperei-me, não me fora possível a lembrança naquele
instante-limite de necessidade dele. Veio-me à mente "fenecar",
utilizando-me dele, embora duvidando dele, não era o de que precisava,
serviu-me de algum modo. Só mais tarde, nem pensando nisso mais, surgiu-me.
Existiu um outro naquele mesmo momento, larguei-o de lado, surgiria noutra
ocasião. Nada. Encontra-se enclausurado no limite da contingência, travessia
para a trans-cendência, ardendo de desejo de fornicar, mas não encontra a
companheira, o objeto do tesão que lhe realizrá o desejo do prazer, do gozo, do
clímax. Quem sabe se me lembrar dela, liberte-a e saindo do limite da
contingência encontre a companheira, fornique com mais tesão ainda?! Quem sabe
sabendo estar enclausurada, faça-me lembrar dela, assim realizando as suas
volúpias do prazer?
Nada
disso acontece.
Redijo
rastos(rastros) de mim
Na
biografia de minhas reminiscências,
Originando
linhas de impressionabilidade,
Sublimidade,
Almejando
na memoração assinalar
O
inenarrável contemplar
Feito
de quimera,
De
prenunciadoras reflexões e paixões,
Nas
fendas primitivas
Das
espacejas frescas
Que
sobrepujam o Eterno alabastrino
Das
sensações resplandecentes
De
dilecção e eloquências da subsistência.
O
termo "fornicar", cujo sentido é a relação íntima, usa-se para o
inferno, fornica-se lá onde o tesão das penadas almas não lhe reside qualquer
qualquer censura, o clímax transcende o divino e o eterno, e perpétuo. "Vá
fornicar no inferno" tem o sentido de gozar o prazer da alma penada, na
terra-mãe era realizar os instintos, , no inferno, o clímax das chamas eternas.
Forniquei
palavras, joguei-as nas imundícies contingentes do inferno, no safo dos
caldeirões had-jacentes ao perpétuo, mergulhei-as nas chamas ardentes além das
metafísicas carnívoras da ausência e manque-d´être, das falhas, faltas das
forclusions dos pecados inominais do verbo, à busca de expressar o sentimento,
emoção que sentem, quando os caminhos que só elas sabem, conhecem, não se
re-velam somente no inter-dito, com ironia, sarcasmo, cinismo sui generis
re-velam-se na fornicação aberta e livre no hades da liberdade, quando os
instintos da carne se decompuseram no silêncio do sepulcro, re-nasceram na pena
das almas hereges, das almas condenadas a postumarem, epitafiarem: "Nas
had-jacências do perpétuo, habita o clímax ab-soluto do litteris, ipsiando as
ipseidades dos ócios após o sêmen ejaculado livre e espontâneo às cinco pontas
das estrelas...", epígrafe que somente Brás Cubas entende após as suas
memórias póstumas, tendo os vermes comido seus restos mortais e contingentes,
descansando em paz na harmonia sin-tônica, sin-crética e sin-crônica do que
trans-cende as imanências do Hade. Quem sabe a suprassunção, o suprassumir as
quatro paredes do inferno sejam realizados com a postumidade linguística,
semântica das metáforas verbais do verbo carne, estar-no-mundo, fornicando no
que foi perdido após o grande evento do verbo-espírito re-criar-se carne-verbo
dos desejos, esperanças, sonhos, deixando às palavras, vernáculos o
livre-arbítrio de mudar o destino de a vida serem dores, na morte é que a
felicidade, além do perpétuo, eterno, perenize-se, plen-ifique-se.
Desde
a eternidade à eternidade, as palavras a-nunciadas e re-veladas, no espírito
por inter-médio dos verbos-sonhos, vers-ificadas, vers-ejantes, vers-entendidas
no limiar, soleira, solstícios, tornadas vividas, vivenciadas, até mesmo
experimentadas, o ipsis re-cria-se litteris, o inter-dito refaz-se dito, morte
e vida não mais existem, jamais existiram à luz da terra-mãe carne e ossos à
luz da esperança do para ser na continuidade do haver-sendo, liberdade, ainda
que tardia, autenticidade além de todos obstáculos, censuras, verdade além de
todos os juízos, o ser nas trilhas, sendas e veredas do sublime e simples.
Manoel
Ferreira Neto.

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