**STRINGÊNCIA-AD DE PRIMEIRAS ILUSÕES** - Manoel Ferreira Neto e Ana Júlia Machado.
Os parvos, indubitável, impreterível e incolumemente estão sempre
persuadidos de que as causas a que servem são essencialmente melhores que as
outras causas do mundo, e não querem acreditar, nem diante de pelotão de
fuzilamento, que a causa deles necessita, para prosperar, exatamente do mesmo
estrume malcheiroso que requerem todos os demais empreendimentos humanos.
Nada e nonadas dos parvos, na adstringência de primevas ilusões, quando
trazem no coração e na cabeça o rigoroso e pujante método da verdade, e que por
outro lado, graças à evolução da humanidade, tornam-se tão delicados,
susceptíveis e sofredores a ponto de precisarem de meios de cura e de consolo
da mais alta espécie; daí surge o perigo de se esvaírem em sangue ao conhecerem
a verdade, ao se conscientizarem de que a ilusão, a mentira, a representação
têm pernas curtas, a verdade não lhes é senão modo e estilo de tripudiarem os
instintos que lhes são peculiares, singulares, o que lhes habita o mais
profundo da carne e dos ossos, trans-elevarem a razão em nome de alguma
dignidade fantasiosa. Parvoíce de nonadas e nada. Trocam as palavras de lugar
para darem sustância ao que chamam de idéias originais, trocam, com a troca das
palavras, alhos de parvoíces por bugalhos de perspicácias, mas as nonadas e os
nadas permanecem lívidos e vivos, não lhes sobrando outros resultados senão os
risos e gargalhadas das pessoas, provocando-lhes muitos pinotes para entenderem
e compreenderem os motivos e razões. Na verdade, na verdade, oh, que sina, que
saga, nasceram para ser incompreendidos, mas a esperança é a última que morre,
chegará o tempo que a humanidade se libertará do berço esplendido dos orgulhos
e importâncias da raça, estirpe, descobrirá que são eles os que trazem, sempre
trouxeram, nas mãos feitas concha as primevas idéias verdadeiras da vida e das
cositas dialéticas do tempo e do ser.
Quando não se tem linhas firmes e calmas no uni-verso da vida, como as
linhas das montanhas e dos bosques, das margens dos rios, dos sinuosos caminhos
da floresta, o próprio desejo íntimo do homem vem a ser intranquilo, disperso e
sequioso como a natureza do citadino: não tem felicidade nem dá felicidade.
Encarniçamento
Não combina carme
Não dá forma a enganos, quimeras,
Não engendra expectativas, sonhos
Não desaperta nodosidades de padecimentos, angústias,
Converte-lhes inteiramente gordianos,
Não liberta
Inquietações, receios, frenesins,
Não se desprendem
Mínguas, despovoado, insipidez,
Não atesta
Ocos, vazios, báratros do ânimo,
Não sustenta
Protótipos, intenções, anseios,
Não enlaça as mãos
Nas veredas e sémitas em comando ao perene,
Não dá luminosidade à existência,
Ensombra, cega o fenecimento...

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