**SUBLIMES SORRELFAS DA INSPIRAÇÃO** - Manoel Ferreira Neto e Graça Fontis
Semen-êuticas ilusões do belo e da beleza do belo
ins-piradas nos sonhos dentro de outros sonhos, utopias contingenciadas de
estesias étereas da liberdade de in-ventar passos que deixem traços ad-versos,
rastros diferentes na areia da praia, quais performances de dança pre-nunciando
sublimes sorrelfas da inspiração do in-fin-itivo defectivo verbo de erudições
do pleno de gestos livres e clássicos, in-finito regencial de defecções do
absoluto eivado e seivado de efêmeros...
Às vezes
Um rápido clarão
Como máquina fotográfica
A mente capta e joga,
Jorra escorregadia num papel;
Leito de um rio.
Imprime trêmula, palpitante
Transbordando de emoções,
Daí... v aga dispersiva
Com mãos firmes
Em lençóis de linho branco
Que a conduz a plena luz.
Semen-éritos da terceira margem do rio fronteiriça
às serras que circundam o vale das sin-estesias entre as pétalas das orquideas
se revelando no alvorecer e o perfume das rosas inebriando o espaço e o tempo
das saudades das pretéritas iríasis do vir-a-ser, banhando-se "... de
pureza naquela tenue natureza embriagando-se no frescor perfumado das flores
silvestres...", subjuntivos de quimeras in-trans-itivando os sentimentos
da plen-itude, assim concebendo desejos "... banhando as margens da
vida/até então ali detida.
Neste redemoinho
De prazeres efervesceentes,
Deixa-se fluir languidamente;
Uma névoa densa
Descendo o pico das altas serras,
Tornando uma imensidão de verdes
Em um esboço
Dentro daquela paisagem.
Semen-íríasis de des-conexas perspectivas da luz e
contra-luz das sombras no silvestre da floresta, descompassadas imagísticas da
a-nunciação dos ex-tases que povoam o entardecer, quando simples e humilde
homem sentado no tronco de árvore à soleira de seu casebre desfia o terço de
seus instantes de alegrias e tristezas, sonhando inconscientemente o encontro
da etern-idade salpicada de outras linguísticas e hermenêticas das
contingências de forclusions e manque-d´êtres dos ideais da verdade...
Tudo ao redor deixa de existir;
E... nesse momento de magia
Concentra-se na mais bela cria,
De uma imaginação fértil
Quase febril.
Semen-éresis de brilhos dos raios solares incididos
bem no dentro, no dentro da água límpida jorrada na fonte, a limpidez da luz
interior para que, vivendo a claridade do ser, perceba nossas andanças e os
rumos de nosso caminhar, "... Deitando assim sobre folhagens/ com cores
alucinantes,/ reflexos pré-concebidos/ numa jornada branda,/ sensível/ e...
consciente/tornando toda vibração/palpável e visível/numa beleza sem dimensão,/eis
o retrato da inspiração.
Ensine-me, seja, o próprio ser que só é na medida
em que for com o Senhor, conviver com o Absoluto, deixar-me conduzir pelo
eterno. Ensine-me o sentido de sua distância quando celebro o seu jorro,
sobretudo ser vida, ser participação na plenitude de sua vida, a partir da
verdade eterna da vida sem fim – fácil amar, suficiente res-peitar e
com-preender - creio esta ser a mensagem que re-colho, com-(templ)-ando-a: a
gente percebe que a voz de seu silêncio vai se tornando conhecível nas
es-tâncias do cotidiano, nas ins-tâncias de nossa contínua correria. Por que
não deslizar neste estilo sereno, tranqüilo, calmo? - e o fluxo ir se revelando
e mostrando sua novidade, neste tempo que nem corre nem per-corre; a ansiedade
do daqui a pouco in-corre a lucidez atenta à sua presença sempre nítida, no
amor que liberta; sem consciência nem ciência, a serenidade de paz
transfigurada da quimera no tempo de sua ascensão; e a este não fica bem,
adentrar, de óculos, o "grande mergulho” ao fim de tudo - talvez deseje eu
neste instante -, na liberdade que salva, [talvez sonhe eu agora], sermos quem
não somos, o sonho de um instantezinho de daqui a pouco, aos olhos a clara
simplicidade da poética do ser naa iluminação de almas, na salvação que une o
Sonho e o Espírito. A beleza sonhada mais pura do que a vivente. No dobrar de
um caminho, na volta de outra água, de outra fonte originária, que ajustará
todas as coisas e todas as vidas. Con-templar a fonte originária destas águas
límpidas é viver a plenitude da vida na sabedoria da experiência, é dizer sem
explicar, é ultrapassar o absoluto provisório dessa vida, atingir o Dom do
Silêncio, a graça de transmitir uma dose de Fé logo ao despertar do Dia e o
Sabor da Paz...
(Rio de Janeiro, 01 de agosto de 2016)

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