COMENTÁRIO
DA AMIGA VIVIANE FERREIRA AO TEXTO //**DILECÇÃO E ELOQUÊNCIA DO
ESQUECIMENTO**//
Tema
com bojo fortíssimo mui verdadeiro. A verdade velada, nua e crua! A fornicação
explicada e revelada! A fornicação começa com os pensamentos, depois com
palavras e atos, gerando um inferno.
Viviane
Ferreira.
No
conto DOMINGO, do livro NO BAR, Luiz Vilela, há isto: "... a psicanálise é
a metáfísica do inferno a psicanálise é o inferno da metafísica o inferno é a
metafísica da psicanálise..." Estava escrevendo o texto anterior a este,
acontecendo num instante-limite de as palavras fugirem completamente de minha
mente, não se mas revelavam de modo algum, minutos a fio de angústia e
desespero, precisava da palavra "fornicar" e não se me manifestava,
encontrei fenecar. Usei-o. Mais tarde, quando menos esperava, veio-me a palavra
fornicar. Intencionei revelar o inferno que fora o esquecimento desta palavra,
ao mesmo tempo lembrando da frase do livro de Vilela desejei mostrar o inferno
da "fornicação", como ele se revela. Aliás, se este texto for lido à
luz de Freud, TABU, vai-se entrar de chofre nos dogmas do sexo no que se refere
ao cristianismo.
E
você, minha amiga, revelou com excelência o eidos deste texto.
Um
grande abraço!!!
Manoel
Ferreira Neto.
(02 de
agosto de 2016)
**DILECÇÃO
E ELOQUÊNCIA DO ESQUECIMENTO**
Além
dos limites, fronteiras da con-tingência, abertos horizontes e uni-versos da
trans-cendência, palavras fornicam-se livres, busca inexpressível e
ininteligível de dizerem o que lhes habita a carne do desejo dos significantes,
metáforas, sentidos, assim re-velando a libido vernácula do verbo, os ossos das
utopias dos significantes, arte e engenhosidade, forclusions, manque-d´êtres,
assim desejando mais e mais a iluminação conciliada na inspiração, para atingir
os auspícios da luz do verbo-ser.
Antes
fora o vernáculo "fornicar": espremi os miolos para me lembrar dele,
angustiei-me, desesperei-me, não me fora possível a lembrança naquele
instante-limite de necessidade dele. Veio-me à mente "fenecar",
utilizando-me dele, embora duvidando dele, não era o de que precisava, serviu-me
de algum modo. Só mais tarde, nem pensando nisso mais, surgiu-me. Existiu um
outro naquele mesmo momento, larguei-o de lado, surgiria noutra ocasião. Nada.
Encontra-se enclausurado no limite da contingência, travessia para a
trans-cendência, ardendo de desejo de fornicar, mas não encontra a companheira,
o objeto do tesão que lhe realizrá o desejo do prazer, do gozo, do clímax. Quem
sabe se me lembrar dela, liberte-a e saindo do limite da contingência encontre
a companheira, fornique com mais tesão ainda?! Quem sabe sabendo estar
enclausurada, faça-me lembrar dela, assim realizando as suas volúpias do
prazer?
Nada
disso acontece.
Redijo
rastos(rastros) de mim
Na
biografia de minhas reminiscências,
Originando
linhas de impressionabilidade,
Sublimidade,
Almejando
na memoração assinalar
O
inenarrável contemplar
Feito
de quimera,
De
prenunciadoras reflexões e paixões,
Nas
fendas primitivas
Das
espacejas frescas
Que
sobrepujam o Eterno alabastrino
Das
sensações resplandecentes
De
dilecção e eloquências da subsistência.
O
termo "fornicar", cujo sentido é a relação íntima, usa-se para o
inferno, fornica-se lá onde o tesão das penadas almas não lhe reside qualquer
qualquer censura, o clímax transcende o divino e o eterno, e perpétuo. "Vá
fornicar no inferno" tem o sentido de gozar o prazer da alma penada, na
terra-mãe era realizar os instintos, , no inferno, o clímax das chamas eternas.
Forniquei
palavras, joguei-as nas imundícies contingentes do inferno, no safo dos
caldeirões had-jacentes ao perpétuo, mergulhei-as nas chamas ardentes além das
metafísicas carnívoras da ausência e manque-d´être, das falhas, faltas das
forclusions dos pecados inominais do verbo, à busca de expressar o sentimento,
emoção que sentem, quando os caminhos que só elas sabem, conhecem, não se re-velam
somente no inter-dito, com ironia, sarcasmo, cinismo sui generis re-velam-se na
fornicação aberta e livre no hades da liberdade, quando os instintos da carne
se decompuseram no silêncio do sepulcro, re-nasceram na pena das almas hereges,
das almas condenadas a postumarem, epitafiarem: "Nas had-jacências do
perpétuo, habita o clímax ab-soluto do litteris, ipsiando as ipseidades dos
ócios após o sêmen ejaculado livre e espontâneo às cinco pontas das
estrelas...", epígrafe que somente Brás Cubas entende após as suas
memórias póstumas, tendo os vermes comido seus restos mortais e contingentes,
descansando em paz na harmonia sin-tônica, sin-crética e sin-crônica do que
trans-cende as imanências do Hade. Quem sabe a suprassunção, o suprassumir as
quatro paredes do inferno sejam realizados com a postumidade linguística,
semântica das metáforas verbais do verbo carne, estar-no-mundo, fornicando no
que foi perdido após o grande evento do verbo-espírito re-criar-se carne-verbo
dos desejos, esperanças, sonhos, deixando às palavras, vernáculos o
livre-arbítrio de mudar o destino de a vida serem dores, na morte é que a
felicidade, além do perpétuo, eterno, perenize-se, plen-ifique-se.
Desde
a eternidade à eternidade, as palavras a-nunciadas e re-veladas, no espírito por
inter-médio dos verbos-sonhos, vers-ificadas, vers-ejantes, vers-entendidas no
limiar, soleira, solstícios, tornadas vividas, vivenciadas, até mesmo
experimentadas, o ipsis re-cria-se litteris, o inter-dito refaz-se dito, morte
e vida não mais existem, jamais existiram à luz da terra-mãe carne e ossos à
luz da esperança do para ser na continuidade do haver-sendo, liberdade, ainda
que tardia, autenticidade além de todos obstáculos, censuras, verdade além de
todos os juízos, o ser nas trilhas, sendas e veredas do sublime e simples.
Manoel
Ferreira Neto.

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