RES-POSTA DE MARIA FERNANDES AO COMENTÁRIO /**ENCONTRO DA VIDA VERBO-DE-SER**/ SOBRE O POEMA /**VOO AO PARAÍSO**
Mas que bela, maravilhosa e muito gratificante surpresa recebi, logo
pela manhã, do meu estimado amigo escritor Manoel Ferreira Neto! Obrigada,
querido e grande escritor e sábio crítico. Obrigada por me mostrar e demonstrar
a vertente da minha escrita. Os meus simples escritos são apenas retalhos,
pedaços de vida que passo para o papel sem qualquer pretensão. Confesso que me
encontro um pouco perdida neste labirinto da vida e um pouco avessa à escrita.
Apetece-me largar tudo, esconder-me na minha concha e deixar de escrever. Os
reveses da vida, as suas incongruências e as injustiças com que deparo criaram
este desânimo de alma. São atitudes e provas evidentes como esta pérola que
acabo de receber que me poderão ajudar a reerguer e sair deste marasmo. Grata por
estar sempre ao meu lado e por me incentivar a prosseguir, embora cambaleante,
um pouco desorientada e sem meta. Todos sabemos que, para escrever, precisamos
de objetivos bem definidos, de inspiração e de algo que nos induza a fazê-lo.
Sem isso, esmorecemos e entramos mesmo em apatia. São gestos como os do meu
amigo que servem de abanão, de cajado, de alavanca. Espero bem que resulte,
embora esteja numa fase muito difícil. Bem-haja , grande amigo e excelso
escritor e crítico. Felicidades e êxito desejo-lhe de todo o coração. Um grande
abraço de grande amizade. Amigos Sempre.
Maria Fernandes
Não acredito que devido aos reveses da vida, suas incongruências e
injustiças vá colocar a pena na gaveta e não mais tocá-la. Se isto acontecer,
Maria Fernandes, tenha a ciência e consciência de que para mim é uma mulher
fraca e sem noção. Desde quando escritores e poetas não se deparam com os
revezes da vida? Não conheço nenhum. Então, trate de segurar esta pena com mais
ímpeto e volúpia e continuar a sua trajetória artística.
Já sabe que quando precisa puxo-lhe as orelhas deliberadamente.
Abraços. Amigos Sempre.
Manoel Ferreira Neto.
*ENCONTRO DA VIDA VERBO-DE-SER*
Não nos esqueçamos de que a morte nos torna cinzas. E não nos esqueçamos
de que das cinzas re-nasceremos. Mito, misticismo? Nadificar, nihilizar ou
nihilificar? Não é a ave que renasce das cinzas, na mitologia? Então, voar ao
Éden é nihilificar a inveja, as línguas à solta, o odor nauseabundo, o fruto
sem sabor. Tornar-lhes nada. Daí nascer os passos da dança no tempo do mito, do
mistíco, do imaginário, do rito, re-nascer o néctar da felicidade, melodia da
vida, ritmo dos desejos e vontades do ser, utopias e verbos do divino, enredo
das situações e circunstâncias vividas, vivificadas no tempo das dores e
sofrimentos. Nihilificar todo o mal, todo o caos, todo o vazio, todo o nada do
mundo. Antes das cinzas, o caos, depois das cinzas, o mundo do tamanho do Amor.
Nihilizar tornar nada, do nada nada nada, renasce. Nihilificar extinguir o mal,
deixar a semente do que há-de ser viva, para ficar na terra, ser fecundada,
germinar. O Paraíso não é voltar para reencontrá-lo, é seguir em frente para
encontrá-lo. O que foi perdido perdido está. Nihilizar a maldade. Eis a
proposta do poema, proposta que é seiva de vida, proposta eivada de todas as
dimensões do belo, beleza, do bem, do eterno, à busca do Paraíso que é a
Estética do estar-sendo-no mundo, "melodia doce", "harmonia sem
grito ou dor". Aliás, a Estética da poetisa/escritora Maria Fernandes se
funda no pretérito da genesis, no outrora da criação, mito, místico, vôo no
passado, passado da criação do mundo e dos homens, na inconsciência do homem
nos seus passos no mundo, no seu caminhar na terra das contingências, na sua
psiqué de todos os problemas, dores, sofrimentos, angústias, tristezas,
melancolias, nostalgias, à busca da harmonia/sintese - Maria Fernandes é
sintética nas suas visões da vida e do mundo -, harmonia/síntese que ilumine os
caminhos para o encontro do há-de vir, para o encontro da Vida-Verbo-de-Ser.
Beijar o Ser do Amor pelo belo, beleza, pela estesia de estar-sendo o sonho da
Vida.
Voo ao Paraíso!
Vem querido, vem viver num mundo só nosso
do tamanho do Amor, onde só lá caibamos nós
a melodia doce, a harmonia sem grito ou dor.
Fechemos as portas à inveja, às línguas à solta
ao odor nauseabundo , ao fruto sem sabor.
Deixemos o mundo lá fora, cheira a pólvora,
a sangue de mártir inocente, injustiça monstruosa
submissão ao ineficaz, ao infecundo, ao infecto,
onde todos se rendem e adoram um falso deus,
rei impiedoso e cruel -o dinheiro, metal ou papel.
São insanos, vara indecorosa de ateus sem grei.
Dá- me a tua mão, voemos ao Éden, sem demora
Voemos com os anjos, dancemos vida fora
Busquemos no beijo o néctar da felicidade
O alimento que vivifica e nadifica toda a maldade…
MIFC
Manoel Ferreira Neto
(02 de agosto de 2016)

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