**GENESIS DO INÍCIO** - Manoel Ferreira


EPÍGRAFE:



A origem da Arte é a sensibilidade e a sensibilidade é a origem do Artista.



Estesia de subjuntivos pretéritos esplendendo de sentimentos e emoções a verdade, a inspiração do sublime se revelando por inter-médio do orvalho do alvorecer, in-verno, a sensibilidade aberta aos horizontes do inaudito verbo da alma, friozinho aliciando, seduzindo a inspiração a re-colher e a-colher a estação da divin-idade, a compor a linguística semântica do verbo serenidade, a espiritualidade ampliada ao uni-verso dos mistérios do ser, linces do olhar perscrutando o frio que extasia a carne, sensações do verso-uno nas travessias e nonadas da angústia ao prazer inconteste da alegria que revela inda resplandece as iríadas e érises da vida, desejo numinoso do perene, sem as contingências do efêmero, sem as imanências do nada, até porque a origem do nada é o efêmero e a origem do efêmero, a ec-sistência.
Alvorece novo dia, clima de inverno, tempo agradável, pensamentos e idéias pervagam dispersos nas nuvens brancas celestiais, a alma re-colhe e a-colhe os versos do infinito compondo de esperanças o sonho dos gerúndios do vir-a-ser, o amor plen-ificando o silvestre das sendas da entrega, a verdade do verbo ser comungada ao do amor re-versejando no espírito o cristalino da pureza. mergulhando no há-de ser da felicidade a con-templar as belezas do inconcebível absoluto da verdade-casa-do-ser e eu, colocando o café coado na térmica, olho através da janela aberta o longínquo, o distante, o que só o espírito sabe nas suas dimensões sensíveis que o absoluto lhe a-nuncia através das venezianas do eterno às genesis do início, divin-idade antes de quaisquer divin-idades, rituais míticos antes de quaisquer lendas do pleno, folk-lores místicos antes de quaisquer banquetes paradisíacos do pretérito im-perene, solstícios do ocaso.
Posto o café na térmica, tomando a primeira dose, olho um gatinho deitado na amurada, dormindo. Sorrio, aquele sorriso límpido e cristalino de quem sentiu por instante breve que inda a nonada do tao, o tao da travessia, o tao das veredas silvestres da visão de um homem que sai de seu casebre no alvorecer, chapéu, bengala e passeia na floresta, pro-jetando as éresis do ser aos auspícios das contingências das iríadas do amor que ama a vida que lhe fez infinitivo do verbo.
Espectros numinosos alumiando a água límpida na lagoa nívea, re-fletida na notívaga floresta dos mistérios. Cores vivas do arco-íris brilhando de pretéritos de sonhos, alvorecer, genesis da beleza iluminando os enigmas.
Miríades de luzes perpassando pers de pectivas de longínquos horizontes, flores silvestres, campesinos lilases, a águia solitária flana as asas levemente, segue o seu itinerário, sentimentos, emoções, sensações do porvir de esperanças. Lívidas a-nunciações do tempo do ser sussurrando verbos do amor, inspirações, percepções, intuições da verdade, infinitas in-fin-itudes pervagando de sonhos de ocasos espírito de nostalgias, alma de melancolias, garoa de orvalhos salpicando as flores de efemer-itudes.



Manoel Ferreira Neto.
(04 de junho de 2016)


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