CRÍTICA DIALÉTICA DA AMIGA, ESCRITORA E POETISA ANA JÚLIA MACHADO AO TEXTO /**SER VERBO DE SONHOS**/
SER VERBO DE SONHOS
Manoel Ferreira Neto.
Ser eloquência dos devaneios, mas, com certeza, melhor do que tudo é
preocuparmo-nos mais com a nossa percepção do que com reputação. Pois a
percepção é o que nós somos, e fama é o que os outros cogitam de nós. E o que
os outros cogitam é conflito deles.
O dom refina-se na tranquilidade, a índole, no motim da existência.
Corroboremos em nós. Embraiagem no intelecto na nossa favorável cintila
e legitimar que a nossa claridade do âmago que nos conduzirá sempre para o auge
e para frente
E nesse caso, avistamos tudo a desabrochar e a amamentar-se.
Manoel, tem tanto de sombrio como de luz. Refere este grande escritor,
por isso, a sua constante insatisfação, que a sombria, ardente, cativante e
horrenda comparência que encontra-se atrás de tudo o que profere, compõe,
engendra, concebe, refaço, emendo e avista - e onde se consome e se olvida. Os
feitos emergem, a pessoa que é fixa-se em si, e só posteriormente as
considerações opostas, reviradas geram como as drogas no campo desaproveitado
de alguma via da cidade. Cita, o que o aguarda ainda, afinal? Que incógnito
desígnio ainda, para o que há ainda em si a verbalizar, a conceber, a
engendrar, a refazer, a causar? Onde o local afinal de seu encontro-balizado?
Oculto sinal, inenarrável comparência.O preferível, é atingir o seu verbo pela
exactidão da meiguice, atingir a alma pela veemência do berro, que melhor que
ninguém sabe fazê-lo.
Encontrar o seu contemplar, pelos aljôfares da existência
E não pela dissertação, ou pelos ponteiros das horas ,
pelo assobio que assinala a momenta real do ingresso e da partida.
Ana Júlia Machado
Estabelecer com categoria a Dialética de um Pensamento, de uma Obra, eis
o árduo labor. Em cada obra, há as duas margens, o sim e o não, a contradição e
a trans-parência, o ser e o não-ser. A Dialética se apresenta no pensar a obra
em todos os seus registros, para isto mister o aprofundamento.
Ana Júlia Machado nesta crítica estabelece a Dialética de meu
Pensamento: o Sombrio e a Luz, a Dialética da Existência Dialética, alfim
habitam a existência o "sombrio" e a luz", e os caminhos do
campos são atingir o verbo pelas experiências e vivências, pelas meiguices
insolentes do inferno.
Manoel Ferreira Neto.
**SER VERBO DE SONHOS**
O ser libertador
O indivíduo porfia no que andará pelo Espaço
No seu rumo fulgura e exorciza
De justificação ocorrida e não redigido,
Feito do fortuitamente entre o inacabado frutífero
Pois tudo que cunha e que desabrocha
É embrião em prenhez de índole ou Númen
Vida noturna de Fase e xis que recresce,
Personificação do imo alheio e empobrecido...
Incriado dissimula nas tenebrosidades a veracidade
Da possança e brilho ao sulco arado fecundante...
Que espermatiza e abre, sem jactância!
Refulge ao resplendor a floresta e a meditação,
À obscuridade as estrelas áureas e a deslocação,
A exuberância do ser libertador.
O ser verbo de sonhos literaliza a angústia das imperfeições, o vazio
dos limites. A essência verbal da carne pres-["ent"]-ifica o vácuo
das melancolias, versejando o nada das esperanças, vers-ificando a nonada das
utopias, a sétima lâmina dos desejos corta simples em sublimes fatias as buscas
do absoluto.
Sentindo-me distante, deixe-me vagar pelo deserto, onde não há rumo,
destino - exuberância do ser libertador. Sentindo-me disperso, deixe-me cantando
a canção onírica das quimeras, no canto quieto, inquietas as sensações dos
questionamentos sem respostas, perguntas des-conexas, sem sensos e lógicas, sou
vazio de id, ego, superego, feito fortuitamente do inacabado frutífero, sou o
branco das páginas sem linhas para escrever, sou o "ec" sem
"sistência", porfio no que andará pelo espaço, pervago solene pelas
nuvens azuis, pelo branco horizonte do infinito. Deixe-me distante, deixe-me
disperso - quiça as ad-versidades do absoluto e pleno sejam a tese, antítese,
síntese do nada re-verso na imagem projetada no espelho dos rebos rijos, dos
etéreos diamantes que trans-literalizam as insolências do inferno, divinas
comédias da poesia sem poiésis, tudo que cunha e que desabrocha é embrião em
prenhez de índole ou Númen, a arte pura da des-fantasia, a metalinguística
inócua das trevas do caminho, o "it" das águas vivas que jorra da
fonte a vereda por seguirem.
Isso mesmo... Deixe-me distante, deixe-me disperso. Não há o
aqui-e-agora, não há o limite, há apenas morfemas e palavras no regaço de
minh´alma sem linguísticas, tudo o que faço lembra-me o vazio do caos,
lembra-me o vácuo do abismo. Não sou poema, não sou prosa, não sou lírica de
música, não sou instrumental de sons, sou o nada antes de quaisquer nadas, sou
o "antes do depois do porvir".
Você que não me entende, compreende, não perde por esperar a floresta e
a meditação refulgindo ao esplendor, o incólume do ocaso seivando o crepúsculo
pálido da Verdade Absoluta. Pervago, vagueio, perambulo, deambulo, não corro
perigo, não estou exposto a riscos, mistérios não há, não ad-virão enigmas, a
verdade não alimenta os sonhos, o absoluto não é fidúcia do eterno, não é
felícia do imortal
Agora que me des-cubro vivo, agora que me sinto, percebo-me, penso-me,
projeto-me nesta tarde de inverno, tempo ensimesmado, frio agradável, agora que
me sei desde uma distância sem limites, infinita, distância longínqua que se
re-vela além, re-conheço-me não limitado por nada, não impossível de nada, não
de rabo preso a nada, mas presente a mim, sendo a minha presença, como se fosse
o próprio mundo que sou eu, como se fosse a cadeira de balanço em que estou
sentado e sou eu, agora nada entendo, nada compreendo de minha contingência,
imanência. Como poderia pensar, pensar mesmo com seriedade e dignidade, que
"eu poderia não ec-sistir"? Quando digo "eu", já estou
vivo, já estou no mundo no meio das coisas, dos homens e dos objetos... Agora
outra coisa se me re-vela nítida e nula: como entender, com-preender que esta
iluminação que sou eu, esta evidência axiomática ou mesmo insofismável que é a
minha presença a mim próprio, esta fulguração sem princípio, sem soleiras,
arribas e confins, que é eu estar sendo, como entender que pudesse não
ec-sistir? Como pensar que é nada, imaginar que é nonada? A minha vida é eterna
porque é só a presença dela a si própria, é a sua evidente, inconteste
necessidade, é ser eu. EU, esta brutal, absurda iluminação de mim e do mundo,
puro ato de me ver em mim, este SER que irradia desde o seu mais distante, longínquo
jato de aparição, este SER-SER que me fascina e às vezes me angustia de
surpresa, de espanto, de terror.
Sinto a evidência de que sou eu que me habito, que me está dentro de
mim, que me reside os interstícios mais profundos, de que vivo, de que estou
vivo, de que sou uma "ent"-idade, uma presença total, uma necessidade
do que existe, porque só há eu a ec-sistir, porque eu estou aqui, vixe!, arre!,
estou aqui. Eu, essa catarata sem começo e sem fim, só atividade, só estar
sendo, EU, esta obscura, incandescente, fascinante e terrível presença que está
atrás de tudo o que digo, faço, invento, crio, re-crio, re-faço e vejo - e onde
se perde e se esquece. Os atos surgem, a pessoa que sou estabelece-se em mim, e
só depois as razões in-versas, re-versas proliferam como as ervas no terreno
baldio de alguma rua da cidade. Que me espera ainda, alfim? Que ignorado
destino ainda, para o que há ainda em mim a dizer, a criar, a inventar, a
re-criar, a fazer? Onde o lugar enfim de meu encontro-limite? Secreto indício,
indizível presença.
Manoel Ferreira Neto.
(02 de junho de 2016)

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