CRÍTICA LITERÁRIA DA AMIGA, POETISA E ESCRITOR ANA JÚLIA MACHADO AO TEXTO /**TENOR DO SILÊNCIO**/
TENOR DO SILÊNCIO.
Manoel Ferreira Neto.
Cordas verbais em acção
reconstituem fundamentos, alegam suas querelas, brincam expurgo.
Já o mutismo edifica programas
que não são partilhados.
Quando ninharia é sugerida, insignificância fica acordada.
O Escritor Manoel está a sentir o mundo a necessitar de amor, está tudo
muito sombrio…faz falta a arte para exaltar os sentimentos. A arte não pode
silenciar….é o grito de alerta, da alegria, da dor, do amor…
Pediu ao pintor para voltar para o seu atelier….para pintar um mundo
mais colorido, agora roga ao tenor porque apenas o além aliciado pelo pleno
cotejando a generalidade da alma, que só a melodia pode executar com mestria, e
no âmago das criaturas reminiscências do tempo, cenas breves da evolução do
ser, expectativas da quimera da dita executando o excelso da existência, a
quimera das confianças desfechando as soniais grandezas do incrível, misteriosa
dos arrebatamentos se patenteando
Ana Júlia Machado.
**TENOR DO SILÊNCIO**
Senhor Cantor, eleve o tenor de seu silêncio à voz do uni-verso, neste
instante em que o in-finito re-vestido, performado de lâminas de raios do sol,
as asas da águia flanam leves ao sabor dos ventos de leste, a neblina se
estende ao longo do rio, as ovelhas deambulam pelo campo de grama viçosa,
esverdejante, ritme a lírica do verbo sussurrando nos ouvidos do tempo a
melodia do espírito, melodie o som do ser murmurando na alma das esperanças e
sonhos as notas agudas que sonorizam as travessias das volúpias aos volos
sin-estéticos da linguística e semântica do amor plen-ificando de orvalho os
interstícios da sensibilidade, inspirando a inspiração a in-finitivar o verbo
de amar.
Imagine, Senhor Cantor, o tenor de seu silêncio sendo seguido de
citaras, harpas, violinos, flautas, guitarras, violões..., perfeita ópera, a
sua voz esplendendo-se pelas florestas de flores silvestres, pelos rios, pelas
altas montanhas cobertas de neblina, todo o mundo ouvindo seu cântico, os
horizontes plen-ificados da musicalidade do eterno em conúbio com a Verdade, o
além seduzido pelo absoluto re-versificando a uni-versal-idade do espírito, que
só a música pode realizar com perfeição, e no íntimo dos homens memórias do
tempo, flashes do genesis, esperanças do sonho da felicidade realizando o
sublime da vida, o sonho das esperanças abrindo as oníricas dimensões do
in-audito, mística dos ex-tases se re-velando...
Imagine, Senhor Cantor, o tenor de seu silêncio in-versando a poiésis do
tempo, a poética da alma no seu movimento de buscas e desejos da plen-itude,
re-versando a a-nunciação do amor, o momento de seu nascimento nos recônditos
do espírito em sintese com o verbo-de ser, ritmado, melodiado, acordeado com a
rima das luzes e das chamas da lareira que crepitam as achas de lenha na
lareira dos êxtases, as taças de vinho sobre a mesa de mármore, o castiçal de
velas acesas, na vidraça da janela escorrendo as gotículas de orvalho.
Agora, Senhor Cantor, dirija-se ao palco e eleve o tenor de seu silêncio
dos tempos e ventos.
Manoel Ferreira Neto.
(01 de junho de 2016)

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