RE-VERSOS SÃO OS SENTIMENTOS DO JOGO# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA



Mãos que tecem de buscas do real, nas suas contradições e dialéticas do encontro e des-encontro com a vida, com a existência, as linhas do horizonte a serem percorridas trilha a trilha, tendo as con-tingências do nada e vazio, dor e sofrimento frente aos olhos, o incólume desejo da nua matéria-prima com que se constrói o ser, com que se sente os pés no chão, com que se vive a roda-viva do pretérito e a realidade do futuro, crer o há-de vir, mas a luta constante do há-de ser.
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Inda que, acumuladas as quimeras, não são poucas, mãos que delineiam os caminhos, eivados de sendas e veredas, digitando com as letras do desejo de dar xeque-mate na vida, antes que a vida me coloque em xeque-mate, assim registrando a linguagem concreta da vida, do nada que as quimeras deram a luz ao querer o real, ao desejar a semente que, regada de esperanças, será fruto de realização mesma, conquista sim, amor ao valor da con-tingência, caminhos do campo, ora de terra coberta de poeiras, pedregulhos, ora de vegetação rasteira e viçosa.
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Coisas de todo mundo
Na vida do bem-virá...
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Há quanto tempo a liberdade esvoaçou em direção à esquelética Colina dos Ossos? Não saberia dizê-lo a começar por ela haver esvoaçado, não me disseram, não me enviaram bilhete ou recado; agora quanto à Colina dos Ossos, como estes ossos ali existem, ossos de pedra, talvez outros seres hajam construído, só posso dizer ser impressionante, sente-se a cuja-dita presente, não sendo real. A liberdade não esvoaçaria em direção a este colina - com que intenções? Não haveria única que justificasse essa jornada.
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Há quanto tempo a honra escafedeu-se, não havendo quaisquer notícias de onde se encontra, dizendo alguns ter ido para o Bosque das Cucuias, seu único afazer é rolar na grama viçosa, rindo, gargalhando de sua pretérita existência na vida dos homens, isto ninguém perquiriu, estando a senti-la ausente, por haver-se tornado utopia, cumprindo apenas a entrega à jornada. Agora tomando em con-sideração o ponto de vista encantado por mim é que deve continuar residindo no Bosque das Cucuias, há coisa mais agradável que o riso eterno? - a questão é que os homens representam o humor.
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Re-versos são os sentimentos do jogo, avessas são as razões dos trambiques e artimanhas, caminhar com a vida na vida, quando, con-tem-plando o que fora vivenciado ao longo do tempo, conquistas aqui, felicidades ali, dores e sofrimentos lá e acolá, o nó górdio na garganta, será isto mesmo a vida, o que está sendo vivido no presente, o fim concreto das ilusões, fantasias, as mãos vazias que se estendem ao horizonte de além, esperando o ser da vida se re-vele inteiro, enxergue em mim com lucidez o nada que sou, mas o verbo que posso conjugar nos seus temas, temáticas do real. Há sempre lições a serem aprendidas sejam quais forem os momentos, por prazerosos ou dolorosos. Amanhã será outro dia. Nada vejo de valor nisto até agora escrito, de pobreza sem limite, só um certo modo de escrever diferente. Amanhã terá um valor inestimável.
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Peço hoje
A memória do canto da salvação...
Graça está guardada num cantinho
Do coração.
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Nada é nada, mas a esperança do verbo, tornado carne, feito carne, dependendo das atitudes e ações, do con-sentimento, permissão de o outro que são o sonho e a liberdade das esperanças, da fé, se revelar, o nada é princípio da vida, é semente do ser. Assim, quimeras deitei-as nos abismos dos pretéritos vividos, re-nasço-me, re-novo-me, sou agora o princípio, princípio de um fim sabido ser de liberdade, mãos que tocam as con-tingências com carinho e ternura, sentindo nelas a fonte do universo do amor a esplender os cafundós de meu próprio ser, de meu ser particular e íntimo.
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Ali, a vida... À beira da cachoeira, amor livre aberto ao ser da liberdade, à liberdade da busca do ser, que estará sempre em questão, sempre as mãos, sempre os passos, sempre o amor, inda mais, sempre des-aprendendo e aprendendo a viver o real da vida, a vida do real.
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Luzes... Inda ontem, entrando no escritório, pela manhã, vi-me sentado na cadeira de balanço, olhando uma rosa que des-abrochava na manhã, sentindo na face que se me re-fletia nítida a presença trans-parente do amor-verdade que me mostrava os passos de um caminho sem fim, mas a cada passo a perspectiva do sorriso e do brilho no olhar, resultados de minha entrega às mãos que concebem, geram, dão a luz ao verbo do sonho ser, ao sonho do verbo ser, ao ser do sonho verbo. Senti-me não apenas alegre e saltitante - isto são quimeras, larguei-as nas metafísicas da poeira que o vento leva -, mas, contente e sábio dos caminhos a seguir, realizando o amor que em mim sinto, de modo, estilo e linguagem a caminhar na vida com a vida, de sendo-em-sendo a luz do ser, o novo encontro, as novas lutas e labutas, as novas entregas - o amar é sempre o desejo do outro no outro ser outro. Tudo começa com uma viagem, nove horas de duração...
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Graça, me dê memória
Perdido agora só no culto da razão,
A canção primeira, cantiga para eu poder cantar...
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É assim... Assim é... Será assim... Assim é uma palavra: quase nada, é uma palavra nada...
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Sei disso... Mas "Assim" é o caminho que decidi seguir, seguir para ser e não apenas para sentir que vivi, vivenciei. E, noutra ocasião, dias após, estando a escovar os dentes, deparei-me comigo a observar a minha imagem no espelho, o que senti fez-me arrepiar os pelos, não que a imagem fosse de monstro, as rugas já vão bem acentuadas, mas a indiferença com ela, além dela é que excita e seduz... Sentimento sobremodo estrangeiro, estranho. Quero crer que intimamente haja con-templado a face além da imagem no espelho, este jogo da mente leva à sandice...
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Sei-me seguindo os passos no longo caminho que tenho a percorrer no decorrer do sentimento de estar amando e estar desejando o eterno da vida efêmera de sonhos e linces das utopias da vida numa ilha à luz do ser de verbos do caminhar na vida com a vida, mãos entrelaçadas, passo a passo o nosso passo.
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Amar... Um dia diremos: "Amei... E como amei.", a comunhão perpetuará. E com este amor postei a imagem nítida e trans-parente das atitudes reais e verdadeiras do entregar-me inteiro à vida, depois de tantas quimeras acumuladas, depois de tantas angústias e náuseas sentidas. O verso-uno em questão.


#riodejaneiro#, 07 de novembro de 2019#

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