@FRENIAS E ESQUIZO DE VOZES VELADAS@ GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA
Divina Comédia
O que é isto o trem das onze haver
Saído da estação antes do horário,
Sem levar único passageiro?
O que é isto de a essência do perfume
Mais fino conhecido universalmente haver
Escafedida a troco de nada?
O que é isto de o Juízo Final haver sido
Adiado por tempo ilimitado devido a certas
Cláusulas, emendas,
Sobre o pecado da maledicência?
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Inda não estou pronto e acabado para me ocupar
destas perquirições tão profundas, profusas, acrescentando sem mister, de
cairem os dentes e o queixo, por não fazer distinção entre o que é o humor e o
riso no tema de cada uma.
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Frenias
Veludosas esquecidas nas vozes veladas de
tonalidades as mais roucas, enfatizando desníveis entre a imanência das coisas
do mundo e a alma dispersa, vagando à solta por entre as trevas e luzes,
cavernas e abismos, por entre jardins edênicos e campos secos, árvores
fenecidas, esturricadas.
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Frenias
Estrangeiras, cujos absurdos das algazarras de
pensamentos desvairados auspiciam delírios à soleira do deserto onde o calor
intensifica os temores do desconhecido, passam nos espaços in-visíveis do
porvir; cujos nonsenses entre a razão e o despautério da lógica atingem o auge
da alma no vazio, quando calafrios se fazem ventos suaves a amenizarem as
chamas ardentes do prazer além das sensações de júbilo e glória.
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Frenias
Alussinadas de vestígios do passado, cujos
equívocos rejubilados a valores inestimáveis preencheram o vácuo sem-vida, e as
vertigens das psicodelias do ser e nada, vistas às chamas de velas no
candelabro, instigaram a branca luz dos céus, quem sabe Leonardo da Vinci não
haja pintado as nuvens acinzentadas, negras que precedem as chuvas, temporais,
dilúvios?
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Frenias
Escusas de princípios libertários da mentira com as
moléstias psíquicas no riste das atitudes, servindo com primor ao desejo
instintivo de tripudiar as estultices do caráter e personalidade de preceitos
libertinários da insensatez com as condutas de má-fé, fecundando e febundando o
transe da mente.
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Esquizo
Modo de pés cá, pés lá, e vão assim por vezes
claudicantes, por vezes frouxos, trilhando as margens ambíguas do contínuo e
descontínuo, do ser e não ser, e deste modo desvirtuar quaisquer suspeitas de
uma existência perdida, nem o vazio do espelho revelando o retrato de
distúrbios, nada é capaz de reverter a origem, pode-se apenas artificiá-la,
como o fizera Van Gogh na Pintura
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Esquizo
Recurso de ziguezaguear as idéias de modo que
apresente a subjetividade das coisas, objetos, no percurso sinuoso das ausências
de visão do que é libertinagem e do que é liberdade, o embaralhar dos naipes do
baralho do real e do puramente fictício, a mente no contínuo exercício da
estrutura da perspicácia, habilidade para a vitória, inda que inconsciente de
como se processara.
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Esquizo
Pulsar frêmito de vicissitudes de estar ou
ausentar-se do sonho-trans para o caos esfumado de êxtases e obtusas angústias,
agrilhoado às visões acéticas, acéticas onde a estrada começa a luz do fogo
convidando ao aconchego. A mão pousa na terra...
arbítrios do silêncio.
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Esquizos
Pensares tormentosos retalham pelo intelecto a
existência conformada, solícita, sem ninguém para decifrá-la, torná-la
compreensível aos desaires que instam trucidar o sofrimento. Não anseio
apreciar ninharia....
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Esquizo
Frenia... Vozear não escapa sonidos!
Frenia
Esquizo... Alma estilhaçada. Espírito mortificado.
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Frenias... Esquizo
De nenhum "enquanto durar" o tempo
Letre a nascente do ambíguo sentir,
De "seja eterno" algum os sentimentos,
Sensações inscrevam no íntimo da liberdade posta em
gesto, somente a visão, mas sobretudo as suaves sensações do espírito
con-templado às custas da sinuosa via das contradições das coisas
contingentes... Adversos focos de luz em sítios e dimensões diferentes, olhares
diversos, pensares, sentires, ideares vagueando desejo difuso de resplender no
instante de existir as revezes imperfeitas de antemãos.
#riodejaneiro#, 10 de novembro de 2019

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