**COMÉDIA DO INFERNO** GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: POEMA
De pre cavidas, as ambulantes metafísicas
Do mal, elevado a níveis superiores,
Limpam as imundíceis da veia,
As idéias higienizem os labirintos
Das atitudes escusas,
Os pensamentos desmanchem as sujeiras das ações...
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Sentimentos obsoletos e imortais,
Obtusos e perpétuos,
A processarem-se fáceis,
Desenrolarem-se calmos.
Surdos orifícios dividem
O que resta de lamber nas têmporas.
Entre(cruzadas) engrenagens entre(devoram)
Consciências.
Entre(laçados) re-cursos entre(olham)
Projetos de luxúrias, vaidades, poder,
Conduzidas vozes pungenciam
Repugnantes lágrimas.
Trevas esturricam o que há de inteligível
Na ausência de inteligibilidade do inteligível,
Cinzas quentes fumegam no vazio das visões.
Víboras entre(cortam) das mentes
Evangelhos ilícitos.
Filamentos escorregam goteiras simultâneas.
Serpentes ladram por elos de prata.
Saci pererê equilibra-se no trapézio de trapaças,
Perspicácia.
Expurgada sedução petrifica
Faúlhas e jactos de infâmias.
Despedaçado inferno
Arrulha derrogadas insolentes.
Deuses desfolhados erigem esquecimentos.
Glauco chão estupidifica lacunas.
#riodejaneiro#, 07 de novembro de 2019#

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