#SUSPIRO INVOLUNTÁRIO# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: ODE SATÍRICA
Góticas razões por esmiuçar limites do instante, os
sóis orvalhados dos céus nublados sobre as águas serenas, telúricas
explicações, justificativas por pulvenizarem as dimensões das virtudes e o
verídico que possui a vontade perene de ser justo à moda românica, como o
ângulo obtuso que é maior que o reto, medindo entre noventa e cento e oitenta
graus, ondas leves do mar guardam o encanto misterioso e cruel de um olhar
infiel, adúltero, barcos de humor vagabundo vindos do fim do mundo,,
"caleidoscópio em curvas iriadas nítidas rua/bebedeira de rua e de sentir
ver ouvir tudo ao mesmo tempo", conspurcando a brancura do chapéu de pós
dos becos inóspitos e íngremes na cantoria da bohêmia, dedilhando as cordas da
viola, nada vive que seja digno de ímpetos, a terra merece suspiro
involuntário.
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Pó altaneiro pela agitação edaz...
Dissemina emudecimento da entidade.
Dormitava. Ressonava. Roncava.
Haver frio atravessando-me, seduzindo-me,
Penetrando no físico.
Vísceras, esqueleto, polpas, cútis. Mastros de estirpe
anafados - afiguro terem sido cinzelados e disfarçados.
Vagueiam tormentos. Comba extensíssima.
A claridade entranha-se, carrega-se na ourela
Baliza do pêndulo - o denunciante some-se.
No sombrio, palavreado sustado na peva.
Babel. Toada absorta no rudimentar. Estonteante.
Metros, que não devem ser cogitados.
Deambulo a ripanço. Sortes apreendidas na
consciência. Agitação de ansas resiste na esfinge, arcano.
Ampliado. Olvidado de mim.
Portanto, não além da perpetuidade.
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Memórias de prata na garganta.
Toca de zinco a solidão inquieta, mar.
Recordações de ouro,
Traçando rumos ausentes, olhar.
Zurze à beira - mar, o flexível de ardores.
Cinismo roubando a voragem de ideia.
Garganta. Mar. Olhar.
Luz de rojo despindo sorrisos.
Diamantes na infâmia das ambições,
Na calúnia das vaidades, pernosticidades.
Encharcam olhos de Zéfiro.
Memórias de enxofre a julgarem que há
Um olhar comendo as acácias.
Tomba das mãos o cálice.
Memórias de sódio postas
À margem de todos os banquetes.
Debruçam pálidas em todas as loucuras.
Memórias de ferro salvando a humanidade
Do vaso de tumultos.
A fumaça deflora o espaço.
Memórias de Ganache,
Em profícuo solilóquio com Zagaia,
Sobre a utilidade e a inconveniência
Da História para a Vida,
Olhando para trás para compreender o presente,
Pela con-templação do passado,
Aprender a desejar o futuro com mais violência
É mister, sine qua non a cor-agem.
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Sete águas descendo as encostas do rio - abaixo as
docas, pequenas e devolutas ondas... Sete águas derramam no universo a rebeldia
e insolência, no panorama e paisagem dos vales e bosques a insciência e
imperícia. Sete águas descendo o dorso das montanhas - embaixo, pedras, montes
de terra. Sete águas gotejam - húmus do ingênuo, inocente.
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Esquecer o sono, acordando o processar das trevas,
Despertando as gerências e regências dos sonhos
- a narrativa do tempo nas janelas entreabertas;
o repouso, sendo origem do desenrolar da noite;
a história da madrugada no vão de todas as portas,
a descrição impecável e diplomata das ansiedades,
à soleira dos templos em cujos sítios professam-se
dogmas,
Preceitos, preconceitos, ruinâncias dos valores,
Rapunzel rega o canteiro de rosas brancas,
Branca de Neve e os Sete Anões à beira da
Lagoa desfrutam das histórias do Conde de Sabugosa
Chapéuzinho Vermelho
Apanha água na cisterna
Para o café da manhã da vovozinha,
O lobo uiva no auspício da colina;
A distância, silenciando gestos incompreensíveis,
vácuo cerzindo o solitário, apresentando a perda,
desolação, desengano, decepções...
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Lembrar-me de a fantasia ser vasta,
embora caiba num ponto do silêncio,
as quimeras serem extensas,
servirem à moda das celebridades
tanto às facécias quanto às falácias,
facécias de zombarias às fantasias e lendas,
mitos e deuses,
falácias das algazarras do credo e da vulgaridade,
preenchendo os vazios da solidão,
as diligências dos valores éticos e morais,
as dissidências da honra e da corrupção.
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De haver um lampião na luz,
A loucura refulge num delírio.
De consagrar uma escultura sem sentença direta,
Um grito agressivo.
De a boca apreciar certo detalhe do corpo sinuoso,
Contundente, pujante gemido,
De trocar desatino a beleza que perdura,
A negação desprovida de ciência,
Que se baseia, motivada, de modo e estilo
diferentes,
De cingir a morte, sepultura, do olhar,
Areio rebocando de por trás do in-verso
A questão de saber por que e como existimos,
À droite do re-verso gauche
A problemática de conhecer o si-mesmo das
Hipocrisias, farsas, falsidades, aparências,
À gauche do ad-verso e das ad-versidades
O direito do que está prestes a ser.
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Con-sinto bem o escurecer, o anoitecer,
Solícito às sombras pretéritas de ecos passivos,
mas tenho voz de saberes, pensares e sentires, e, por fim, não entro na noite
pra me render, para remediar os pecadilhos da honra e da dignidade; antes que a
alma tenha em ruínas e cinzas, à lareira crepitando as achas das dores,
náuseas, angústias, meu êxtase reaviva à glória e à luz divinas, quando a vida
esmigalha e degenera as condutas de má-fé;
Esta é a volúpia dos encantos do mundo,
Da terra-mãe!
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Esperanças vers-ejando
e vers-ificando as érisis do tempo
Corramos sem mais delonga ao pó-
ente,
é tarde,
para abraçar
um raio oblíquo no
hori
zonte,
uma luz obtusa
no
IN-FIN-ITIVO
do
IN-FINITO!;
para saudar
o ocaso
mais glorioso do que o
sonho!
o acaso
mais profícuo do que a
utopia!!!
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Flores de pectivas
retros
exalando o perfume do
ser;
som de órgão
e de
sino na lonjura,
emitindo suspiro involuntário,
coortes inteiras de sábios,
transformados em demônios.
#riodejaneiro, 14 de janeiro de 2020#

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