#DO SILÊNCIO A FILOSOFIA DA VOZ# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA
Entenda
Há fazenda que é renda
Enquanto outras são sendas.
E tantas outras só lendas"(Sonia Gonçalves)
E tantas outras só lendas"(Sonia Gonçalves)
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Meu coração sonha, sonha o indizível, sonha os
mistérios, sonha o in-audito, sonha o sonho, sonha o nada circunspecto em
companhia do vazio reflexionando o vazio. Turvo clarão de raciocínios tristes
por entre sombras me conduz, e a mente, rastejando a verdade, a des-encanta;
nem doloroso espírito se ilude, se o que, dormindo, creu, crê, despertando. Até
no afortunado a vida é sonho (sonho, que lá no fim se verifica em versos
imortais, como o princípio Etéreo, criador, de que emanaram; sinônimos parecem
corno e verso, quando em linhas venais esparsas congruências rimam ipseidades).
Minh´alma vive esperanças, sente o amor que era longínquo, que era genesis, que
era princípio. Invisível ao lince dos olhos, pulsando no mais profundo de mim o
imperfeito plen-ificando todas as vacuidades.
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A voz do silêncio a-nuncia-me palavras dos
sentimentos, semânticas de querências, linguísticas de in-fin-itivos verbos do
sublime, metáforas evangelizadas da genesis do infinito; re-vela-me versos do
amor, carinho, ternura, trans-cendendo as meras pers-pectivas do cotidiano,
sin-estesiando os volos do ser. A voz da esperança ouço-a nos interstícios do
silêncio, nos re-cônditos da solidão de con-templar os horizontes longínquos,
dizendo-me verbalizar os desejos, vontades. É compor de atitudes e ações
presentes o som musical do verbo-[de]-amar, o ritmo poético da
sin-estesia-do-divino, a melodia literária do ex-tase das plenitudes. Que
versos hão-de ser, ou versos foram, quando o que a Musa da Graça quer é só que
sejam do silêncio a filosofia da voz, da voz a filosofia do silêncio, da
filosofia o silêncio da voz.
#riodejaneiro, 12 de janeiro de 2020#

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