POETISA ESCRITORA E CRÍTICA LITERÁRIA Maria Fernandes(Maria Isabel Cunha) CRITICA O AFORISMO #AUTOBIOGRAFIA DE UM DESTINO#
O autor faz uma autobiografia perfeita neste poema.
Ele identifica-se com a natureza e suas forças, com a vida e suas vicissitudes,
com o universo, com o bem e o mal, com os sentimentos, com os antagonismos...a
vida, a morte...o infinito. É isso mesmo, cada ser humano é um composto único,
o infinito, como refere o autor. Uma autêntica maravilha. Parabéns, ilustre
escritor Manoel Ferreira Neto.
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Em relação à pintura ilustrativa está deslumbrante
, a fisionomia de um Ser, onde ressaltam os olhos perscrutadores, penetrantes,
o olhar de quem quer ver para além do material, do aparente.O olhar até parece
que nos trespassa a alma. Parabéns, excelente artista plástica, Graça Fontis.
Beijinhos aos dois.
Maria Isabel Cunha
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RES-POSTA À CRÍTICA SUPRA
Leu-se AUTOBIOGRAFIA, ah!, surgem as polêmicas,
surgem os malentendidos, surgem as controvérsias. É-se esperado do ledor, do
crítico o ser em si-mesmo, a definição categórica: "Sou aquele que
é." Não é assim ou para me expressar numa linguagem coloquial "Não é
assim que a banda toca". Tudo o que é dito são Re-presentações do Ser, do
Caráter, personalidade, Consciência, da Sensibilidade, da Alma. A Arte
Literária, assim como quaisquer outras dimensões da Arte, são devaneios,
descrição emoldurada de linguagem e estilo, a visão do escritor, do artista de
si mesmo, havendo, portanto, a criatividade, a criação. Neste sentido,
dissera-o com categoria William Woodworth: "O que somos é consequência do
que pensamos", "O estilo é o homem."
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Então, na composição desta autobiografia, a
identificação com a natureza e suas forças, a vida e suas vicissitudes, o
universo, o bem e o mal, os sentimentos, antagonismos, a vida e a morte, o
infinito, é a pedra angular de quem represento para mim e para o mundo, para os
homens. o que penso de mim próprio, sujeito, pois, a investigações para se
estabelecer a sintonia entre a descrição e o Eu. Aventurei-me pelas sendas da
identificação, modo melhor de autobiografar-me. Sou o infinito e, sendo-o,
estou aberto à busca do Ser. Creio mesmo que o artista deve se autobiografar,
desejar o conhecimento de si mesmo, não significando dizer ser mister o
registro, pode fazê-lo na intimidade de si, e guardar os segredos, se ele
realmente intenciona o título de escritor, é na autobiografia que ele estabelece
sua autocrítica, assim compondo a sua visão-de-mundo,
consciência-estética-ética.
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A pintura de minha Esposa e Companheira das Artes, Graça
Fontis, ilustra com perfeição a obra, aliás a obra reunida é perfeitamente
ilustrada, e digo-o sistematicamente "Ninguém o faria com tanta perfeição,
só ela mesma.
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A nossa gratidão. Abraços nossos.
Manoel Ferreira Neto
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AUTOBIOGRAFIA DE UM DESTINO#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO
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Sou a idéia de uma coruja
Pousada sobre uma galha de árvore,
E quando sou a idéia,
Sou a coruja.
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Sou composto de traços e passos
Ensombrecidos cantos, recantos e auroras.
Sombrios sítios, crepúsculos, cavernas,
Ensombrecidos bosques, alvoreceres, abismos
Entardecidos recônditos, interstícios, angústias,
náuseas.
Anoitecidos desejos, vontades, utopias
Sou lembranças de sonhos perdidos nas curvas do
tempo,
De esperanças esvaecidas nas molduras paisagísticas
Que éter-izam horizontes, que perpetualizam os alhures
de cafuas,
Sou recordações do raio de luz, do sibilo de vento,
Sou memórias de instantes de prazer, momentos de
dor
Com que apagam
Na noite a luz do abajur que acendo.
Sou a neve que cai nos telhados de choupanas
solitárias
Sou o silêncio que brota da névoa que rola
Sou obstinação, determinação, insistência,
persistência
Sou medo, insegurança
Sou circunspecção, introspecção, prospecção
A lenha que re-colho para colocar na lareira
A chama do fogo que rasga a escuridão.
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Sou composto de marcas e cicatrizes;
Uma face e um símbolo, um rosto e um signo,
Um semblante e uma metáfora,
Uma fisionomia e uma metafísica,
Uma imagem e uma perspectiva,
Uma silhueta
A poeira das ruas
Na sola de meu sapato,
Poeira que vou deixando nos pretéritos do tempo
O destino é a cidadania do mundo
Minhas mãos postas ao céu, ao que trans-cende,
Sem rezas, sem orações, sem dogmas e preceitos
Meu punho erguido, rebeldia insolente,
A palavra em riste, revolta,
Cruz de meu inferno,
Um murmúrio, um sussurro, um grito
Um berro altissonante, uma relinchada sussurrante,
Uma agonia, um desespero, um desconsolo
Lágrimas que descem a face da contingência
Sorriso enviesado que se esboça frente ao in-audito
Brilho, por vezes frio, por vezes brilhante
Diante da solidão do silêncio.
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Amando, nada sou
Intrans-itivo verbos com a pena das desejâncias do
Ser-Amar
Regencio inauditos, silêncio e solidão com a tinta
das querências do Sublime, desejanças da leveza do ser,
Amando, amo e amo amando
Inspiro-me de sentimentos que se a-nunciam
longínquos nos recônditos da inconsciência
Sensibilizo-me com a sensibilidade que reina,
impera e vigora nas alamedas
Tapeadas de silvestres flores de ipês amarelos.
Evangelizo-me com as lâminas espirituais dos
encontros e des-encontros do sublime.
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Sou composto de estrume e de solo íngreme;
Sou rumores, sou gemidos, sou suspiros,
Sou ruminante de ouro e riso
Nos caminhos de luz nas trevas
Sou pés trilhando ruas e avenidas,
Sou folhas mortas que não voam,
Sou pássaros imóveis que não trinam,
Sou águas sombrias que não correm,
Sou pernas varando o tempo,
Sol na cabeça, no rosto e cruz suja de terra,
Fardo colorido, destino branco e preto,
Sina, saga, destino sem cores e brilhos,
Sou o aqui-e-agora, o que há-de vir,
A hora que se apresenta e se esvaece
Mas retorna com novas energias, forças,
Sou minutos que passam como asas
Projectadas no espaço febril de minha insônia
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Sou ouvidos de línguas estrangeiras,
Sou voz de olhares à espreita do ser e tempo,
Sou sons agonizantes que aos poucos se extinguem,
Sou a certeza do vazio que delonga,
Sou o abandono que me envolve
Como as vagas ao corpo conquistado,
Ímpeto de lábios, sorrisos à mercê das coisas
hilárias,
Fúteis, ridículas, puros nonsenses,
Esgares de tristeza e angústia à revelia das
dialéticas
Da vida e morte,
Do bem e do mal,
Pele, pensamentos, poros, pelos...
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Sou uma espera, fantasia, ilusão,
Sou um movimento, sonho, utopia,
Um pingo de chuva, um raio de sol,
Orvalho na madrugada, neblina que cobre a montanha
Uma lufada de vento, uma luz de relâmpago,
Fumaça do cigarro que expilo, con-templando,
vislumbrando
As ondas do mar, a gaivota que sobrevoa as águas,
Brilho da lua bolinando a escuridão da noite,
Cintilância das estrelas seduzindo o universo,
Sou a mão que pinta de cores semi-vivas a tela de
desejos,
Sou a palavra registrando no dito e inter-dito o
espírito da vida,
Sou a nudez de corpo exposto às primeiras luzes da
manhã
Sou tear na madrugada fabricando vida plena.
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Sou capim do pasto e as ovelhas.
Sou peixe e água de rios, córregos e lagoas;
Sou espaço e a borboleta, sou horizonte e a águia
A pomba e o condor...
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Sou o in-finito.
#riodejaneiro, 13 DE JANEIRO DE 2020#

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