#INFERNO DOS DESESPERADOS# GRAÇA FONTIS: GRAVURA Manoel Ferreira Neto: PROSA
O segredo dos rostos se desvanece e eis-nos de novo
lançados na cadeia dos desejos. E se a pedra não nos pode oferecer mais do que
um coração humano, aquilo que elas nos dá não é muito menos.
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Ausência tragada de presenças. Faltas alimentadas
de vácuos da alma. Absorvido, sugado pelo grânulo de açúcar. Plenitude que se
esvanece com a presença do efêmero. A existência. A metamorfose. Inferno dos
desesperados. O olhar para distante. O coração pulsando comedido.
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O vento sopra forte por entre as árvores. A porta
da frente estala e uma banda se abre lentamente, rangendo um pouco nas
dobradiças. Uma rajada de vento entra na biblioteca, indo agitar a pilha de
jornais empoeirados no canto, enfurnando as gravuras na parede como se fossem
cortinas. É o vento tragado pelos enigmas!
#RIODEJANEIRO#, 14 DE JANEIRO DE 2020#

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