#AO LÉU DO QUE HÁ-DE SER# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA
Que res-postas trago nas mãos feitas conchas? Ou
que certezas encontram nas percuciências de minha língua? Que olhares se revelam
realizados diante dos linces das contingências?Trago neles questionamentos,
indagações, perguntas. Flanem ao sabor de suas quimeras. Deixo-lhes seguirem
livres. Se amanhã, por alguma eventualidade ou milagre do estar-no-mundo,
surge-me uma resposta inconteste! Seria segurá-la pelo rabo, deixá-la
arrastar-me pela vida? Odeio res-postas insofismáveis.
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Se é algo que hoje preenche-me os vazios,
carências, são as ausências de res-postas, a vida ao léu do que há-de ser.
Conversando com um amigo, disse-me hoje julga-me um perfeito imbecil: deixei de
pensar que a etern-idade seja a realização dos sonhos e esperanças, a
etern-idade pode ser a ausência de qualquer ínfima res-posta sobre a vida,
acumular na alma só perguntas, e seguir em frente, cabeça erguida.
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Só lhe disse não tinha res-posta sobre percuciente
afirmação, dando-lhe um piparote na face esquerda. A etern-idade não é o
contrário da efemeridade, e esta não é o oposto da etern-idade. Quem é eterno?
Quem é efêmero? A vida diante da morte é curta, de pequena extensão? A morte
diante da vida é momento, instante, radical e frio, sem retorno, mas a vida
prolonga-se até que... Quem teria resposta para estes questionamentos? Só os
ignorantes a tem viçosa e verdejante.
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Ausências, faltas, falhas satisfazem-me, são as
companheiras dos traços e marcas!
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#riodejaneiro, 15 de janeiro de 2020@

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