#PROXENETA DOS PROVECTOS ALGOZES# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: SÁTIRA BLUES
Ah, essas cositas da alma...
Procuro erguer-me na penumbra,
Soerguer-me nas sombras,
Nos instantes-já das ruinâncias,
Não sentir o mundo a elevar-me,
A condescenderem-me os pensamentos e idéias,
A cortina cerrada estremece a atmosfera.
Insolência. Rumores que me transcendem.
Rumores que são da noite. Estranho.
Medito. Olho ao relógio. Madrugada.
Jingle-jangle de Blues de Bob Dylan,
Janela aberta, o odor da maresia do mar,
A amada à volta com suas leituras filosóficas,
Calor imenso surge em minhas pernas,
Refutando, recusando ele
A presença do ventilador no seu
Vai-e-vem.
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Altíssimo, disfarçado nos paraísos, como eu, osco,
No estro e desvario dos logradouros;
Altíssimo, consciência ubíqua, erudita, como eu,
Perniciosa omnipresença,
Considerando estar de pernas e braços para o ar,
Quem age está sempre sem consciência,
Também está sempre destituído de ciência,
Velhaco polido em quaisquer loco,
Trambiqueiro diplomata em quaisquer instâncias e
estâncias,
Jumento lavrador em todos os assuntos,
Cão diplomado nas suas mordidelas,
Tirando as pulgas e pulguitas dos pés e pernas.
Conquisto todas as carneiras grosseiras ou não,
De todos os submissos alvos ou negras perspectivas;
Adopto todo o rebanho
– De extra, de longínquo, porque não me incluo
nele,
Sou eu na transcendência das quatro patas,
Caracterizo-me nas duas retaguardas,
Pois neste dia pluvioso,
Em que as gotas d´água
Aspergem todos os acontecimentos,
A vulgacho baixa todas as renques,
Em comando ao colossal troço, que,
Sem beiras e afogadilho,
Abeirará ao abismo,
Serei eu o Guará Amaldiçoado,
O Guará da Pradaria,
Consumando a proxeneta dos provectos algozes,
A caften-agem dos abalizados carrascos,
Ascendência e jaez de Fratricida,
Sem sustento nem indulto.
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Os vendilhões do temp(l)o cresceram e se
di-versificaram,
Hipotecaram a boa-nova, o novo homem,
Alugaram o brilho da estrela de Belém,
Que são esperança e fé dos homens in perpetuum,
Exportaram, a alto preço, o ouro, o incenso,
O petróleo e a mirra.
Meus ágeis dedos agem mi-la-gro-sa-men-te
No ágio das multiplicações.
Eles dão ao diabo como brinde o sabonete de Pilatos
Que marca as trinta moedas de Judas,
Dão ao destino o Ouro dos Reis Magos
Que lhes orgulha e jubila da cintilância faiscante
Do Ouro
À numinância do Sol,
Numa ilha deserta às voltas com os prazeres.
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Chorum:
As ondas enchem, entrechocam-se nas docas. Aéreos
talentos fertilizados. Peregrino em divinos ardores. Geniais tempestades. De
estrangeiro, poeiras seculares. Formas no ar. A sereia atravessa o deserto, o
camelo na doca a vislumbrar o céu entupigaitado de estrelas, ondas marítimas
serenas e suaves batendo na soleira da montanha, a Lua às seduções das
constelações.
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Passeei nu pelo campo
Chapeuzinho de coco,
Bengala à moda francesa,
De por baixo
De chuva fina e fria.
Livre de tudo.
Angústia acompanhada de medo,
Medo de serpente,
Um furtivo tigre à hora de sua alimentação.
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Imagino que falo em vão. Também para não me ocupar,
e fazer a digestão como preescreve a etiqueta da sesta na rede da varanda.
Pungente retro de um mundo em que existo. Solene sorriso. Gentil riso de nada.
Amo as vozes que misturam o longínquo à distância...
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Sobretudo as que advém
Nos sibilos dos ventos do abismo.
#riodejaneiro, 13 de janeiro de 2020#

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