#IN-EXPRESSÍVEL MISTÉRIO DE LUZES# - Manoel Ferreira


Olhos de lince ou simplesmente retinados...
Re-conhecer sublimes e esplendorosas
As luzes plenas que há para além do bem e do mal,
As miríades eidéticas que há para aquém da sin-estesia e do feio
Para aquém do in-cogit-ável e do in-express-ível mistério



Da fé e esperança,
Inspirando a humanidade para a simplis-{c}-ência
Despertando os séculos e milênios para a in-fin-it-essência
De caminhar livre e espontâneo
Nos campos de algodão, trigo, milho,
Nos pastos de ovelhas e novilhas.



A vida, livro aberto,
A ec-sistência, palavras e sentidos livres e espontâneos
Mostrando as letras que podem ser lidas,
Re-velando os símbolos do pleno que podem ser con-templados



À busca de seu infinito, re-verenciando o que há de vir,
de ser, desejando o encontro do Ser Divino e da Verdade Espiritual.
Travessias de pectivas e pers do eterno ao efêmero.



Sede e fome de conhecer Deus,
Desde o Gênese até o Novo Testamento,
Plen-itude de mistérios na continuidade da vida,
Imagem do amor, sublimidade da verdade e dogmas teológicos,



Iluminar as estradas com cuidado e amor
Amplia a sublimidade da vida e da con-ting-{ência},
Desde a eternidade ao crepúsculo,
Através de lutas ad-jacentes e peculiares
Por intermédio de ideais futurais e íntimos.



Ser o que habita a essência do ser,
Raízes abstratas do que há de se a-nunciar,
Despertar para a busca de esclarecer mistérios e esperanças.



O sentido da vida se eleve,
Alçando vôos profundos no tempo,
Passagens de pers e pectivas do nada ao vazio.



Mesmo para as verdades absolutas quaisquer definições são efêmeras, quaisquer opiniões, conceitos são fugazes, quaisquer razões puras são idílios, esvaecem-se num piscar de olhos, num dizer única palavra e silenciar-se, emudecer-se, num passe mágico de uma arte ou de uma arbitrariedade solene e sublime, mascaradas de divin-idade e absoluto, gratuidade nua e terna, hipocrisia viva, carnal, ossificada pelas ideologias, patrimônios históricos, artísticos e culturais. Viver sem definições ou conceitos é talvez o mais inteligível e aconselhável, o mais tranqüilo. O Livro Sagrado é testemunho divino de a vida serem mistérios, habitam-lhe o ser, desde o Gênesis até o Novo Testamento, desde a Grécia de Sócrates à Alemanha de Nietzsche, nenhuma ciência ou conhecimento superou essa verdade, sê-lo-á por todos os séculos e milênios, acredito eu que os mistérios da vida e dos homens são extensões dos mistérios de Deus, isto porque no Espírito de Deus os homens nascem com talentos e dons de deuses, suficiente apenas se entregarem a encontrar-lhes, desvendar os primeiros será ampliar e multiplicar ainda mais a sede e fome de conhecer Deus em toda a sua plen-itude, em toda a sua verb-itude, os mistérios de Deus dão origem aos dos homens, os mistérios dos homens dão origem às esperanças do encontro da verdade, a fé na continuidade da vida após a morte.
Importante é viver essa verdade, e não tentar entendê-la, mesmo sob a inspiração eterna dos princípios e dogmas teológicos. Seria que devêssemos os homens nos entregar por inteiro a in-vestigá-los e des-vendá-los? Ou seria que devêssemos fazer deles a pedra angular para as luzes, se se quiser, de toque, esta amplia mais a imagem do cuidado e do amor, iluminarem as nossas estradas, as nossas madrugadas nas trevas de um lampião, de achas de lenha crepitando na fogueira, por vezes íngremes, por vezes não, a partir de nossas atitudes e ações, de nossas palavras à busca da verdade, de nossos verbos à busca do significado, temas, raízes, à busca da energia que lhes habita, em busca da sublimidade da vida e da contingência de nossos desejos de saciar as nossas fomes seculares e milenares, as nossas sedes desde a eternidade da Idade da Pedra Lascada, passando pela Polida, até ao crepúsculo e noite da Idade Moderna, às janelas e portas abertas às novidades das dúvidas e inseguranças do amanhã, das certezas e garantias da imortalidade? Nem uma coisa nem outra, tenho dito com os sentidos e símbolos na pupila e retina dos olhos, sentindo-me, por mais inteligível que possa parecer, eufórico e charmoso, isto para não divulgar o gosto delicioso de minha matéria, o cheiro agradável dos cremes e perfumes que nele passo. Ou seria que devêssemos cruzar os braços e lhes sermos indiferentes? É seguir nas trevas e nas sombras, aliás o fim será esse mesmo. Quem disser que os mistérios foram dissipados, extintos, com efeito, está absurdamente equivocado, alienado ou ensandecido, o patrimônio histórico, artístico e cultural bebeu com farinha de milho, ou mesmo não se sente vida, não sente estar no mundo, não se lhe concebe um ser, um instinto, servindo a interesses e ideologias que não são os seus, apenas para receber os cumprimentos das mãos que se tocam mutuamente, os sorrisos e tapinhas no ombro, à moda, linguagem, estilo dos mineiros, alfim estão esquecidos de si próprios, não mais atribuem qualquer valor à vida, ou tentando ludibriar a si por não terem coragem suficiente para assumir a vida, os limites e incapacidades, os problemas, dores e sofrimentos, entregarem-se à feitura do próprio destino através de lutas autênticas e peculiares, não o aceitando com o parasitismo dos orgulhos e lisonjas que o poder pode legar e oferecer com distinção.
Não é difícil demais, absurdamente difícil viver com esta verdade, coisa de estremecer, tremer, tremelicar e encolher na posição de estado fetal, saber que nunca será possível conhecer alguma coisa da vida, a vida é invisível, inaudita, in-sensível, a ilusão acabou, os sonhos mergulharam-se no nada das ruas que foram de todos, nas alamedas em que todos dançaram e divertiram-se ao som e ritmo de músicas de contestação social e política, “Apesar de você, amanhã há-de ser outro dia”, “De morrer pela pátria e viver sem razão”, nelas perambularam daqui para ali, de lá para acolá, todos os esforços e labutas em vão, este conhecimento será “pedra de toque” – esqueceu-me há muito esta categoria! Em que “buraco de tupiniquim”, “caverna ou abismo de diamante” me enfiei para me esquecer dela, ela com que fora a essência, alicerce, base do encontro de muitas realidades e verdades minhas, as mais latentes e profundas, dera-me estruturas e alicerces para o egrégio empreendimento, ela que fora a bússola de minhas buscas do espírito da vida, ela que me angustiou em muitos momentos de minhas escritas para sentir a verdade que em mim estava eminentemente en-velada pelas rodas-vivas das experiências e vivências, estava escondida pelos cata-ventos das imanências das correntes do passado, e não apenas um estilo de olhar e observar a vida e o mundo, e tive de tecer os terços de minhas orações a Maria Santíssima, pedindo-lhe Iluminação nestes momentos. Fiz-Lhe homenagens, tributei-Lhe saudações di-versas e ad-versas, seguindo a sensibilidade de meus instantes e momentos, quem sabe até para Lhe incentivar na continuidade de suas benesses e favores em meus benefícios, para as realizações todas que desejo obter?! Felizmente, estou de volta, mais amadurecido, consciente, ciente de meus desejos e buscas, espiritualizado de sangue e carne, coração e veias - assim creio, assim ponho ambas as mãos no fogo, é assim que tentarei encontrar outras verdades mais profundas que me preencham os espaços vazios, que são muitos e incontáveis, que me satisfaçam e felicitam, podendo ser quem sou e o que serei, podendo amar e ser amado, se os amores não ficaram, é que não me serviam - para outros verbos de todos os sonhos que os homens trazem em si dentro, para outros encontros e verdades?
Sim, diria até mais que “absurdamente difícil”, isto é uma estética e solene eufemismo, diria paradoxalmente difícil e complicado, isto é uma sin-estesia e um pleonasmo vicioso, diria absurdamente hermético e abstrato. A alma torna-se depósito de dores e sofrimentos dilacerantes, contundentes e pujantes, de angústias, tristezas, medos, inseguranças, e tudo o mais que se possa imaginar para enfatizar a idéia, além disso o vazio é indescritível, e nada pode criar a ilusão de algum ínfimo espaço estar sendo preenchido ao longo do tempo, os marinheiros mareados abandonam o mar, os boiadeiros tresandados descansam sentados numa tora de madeira à soleira da vendinha de estrada, tomando um trago, os alcoólatras embriagados deixam o botequim, cambaleando pelas antemãos dos medos e incapacidades, pelos re-vezes dos fracassos, pelas ad-jacências das frustrações, sinas e sagas do destino encalacradas no vôo das borboletas girando, os boêmios abandonam a noite à mercê das cigarras e pirilampos, mesmo dos sapos coaxando, dos cães de pedigree e vira-latas ladrando, e na passagem secreta de alameda a outra uma vela ao vento, o abismo é in-imaginável, o buraco negro, in-descritível, o solipsismo do poder e do patrimônio, in-inteligível, o inaudito das morais e éticas da hipocrisia nas relações individuais, sociais, políticas, comungadas e amasiadas aos desequilíbrios e sandices, in-verbais, na verdade. Só mesmo a morte para acabar com tudo isso.



O vazio é indescritível...
Marinheiros mareados
Abandonam o mar,
Alcoólatras embriagados
Deixam o botequim,
Boêmios abandonam
A noite,
À mercê das cigarras e pirilampos,
No inconsciente coletivo
A lição da cigarra e da formiga,
Para fechar com chave de ouro
O poema da solidão;



Na passagem secreta de alameda a outra,
Vela ao vento,
O abismo é in-imaginável,
O buraco-negro,
In-descritível,
O solipsismo do poder e do patrimônio,
In-inteligível
A res extensa do parasitismo
In-concebível,
In-om-inável,
A res cogitana do roubo e exploração,
In-dizível.
Contudo, e não é estar iludido, fantasiando as coisas, vendo estrelas e lua no lugar de um céu apagado e arrasado, imaginando sorrelfas no dentro das mentiras, criando in-congruências di-versas, para conseguir continuar seguindo as trilhas em direção a todos os infinitos e horizontes; não é estar tripudiando, enganando a mim próprio, facilitando as coisas, vejo e sinto luzes várias que podem iluminar e iluminam os caminhos de trevas, as escuridões da Idade Média no inconsciente coletivo e histórico, e mesmo que sábios me dissessem não iria dar em nada acreditar nessas luzes, ainda assim acreditaria, ainda assim juraria com a mão esquerda sobre o Livro Sagrado, trilharia todas as estradas do sim e do não, como é a própria vida, que são as viagens ao infinito dos verbos de sonhos explícitos e eternos, às travessias dos versos de utopias cristãs às nonadas das veredas do sertão e de todas as geografias do espaço e das culturas. E que luzes são estas? – é o questionamento que todos os que comigo estão presentes nesse instante, incentivando-me a criatividade, regando a inconsciência de leitmotivs para a aventura e ventura da verdade e nonsense, sensibilizando-me a alma, dando-me coragem para adentrar-me no que há de mais íntimo, em que teço essas palavras nessa página, não para lhes dar sentido profundo e de verdades, não para preencher a linda página branca de palavras e versos do Uno, mas para expressar sentimentos que afiançam e comprovam não escrevo para mim, para ninguém, mas para as esperanças da vida eivada de verdades, espiritualidades, com esmeros inestimáveis, quero lúcido e lúdico o que há de mistério e inconsciente, murmurando, sussurrando, em silêncio, os olhos perdidos no espaço de todos os versos e verbos da noite e do dia, só trocando o “s” pelo “b”, vice-versa, nos lugares em que estão registradas, pois que se trocá-los adquirirão outro sentido singular, pode-se intuir e sensibilizar o que essas palavras desejam intenso e sobremodo expressar; estão ansiosos por conhecê-las, quem sabe esteja eu com razão, quem sabe possam destilar as minhas palavras, torná-las pedras angulares de suas buscas do espírito da vida, e na continuidade do tempo o espírito das pedras de toque do Amor e Verbo do Ser?! São elas as nuanças e perspectivas da esperança, são elas as pers das pectivas da fé, eu que concebo “pectivas” como os modos e estilos de olhar e con-templar as dimensões todas da alma, especialmente os desejos de conversão, do ambíguo ao uno, os interstícios do espírito e de seus desejos, vontades e razões, as pré-fundas do corpo em seus desejos da carne e dos prazeres, as pers como a linguagem e expressão dos primevos indícios e inícios de meu ser no verbo das esperanças e fé, nos versos unos dos mistérios e enigmas da ec-sistência.



Luzes que iluminam caminhos de trevas
São viagens ao infinito dos verbos de sonhos,
Explícitos e eternos,
Fogos e chamas imortais
Da fin-itude e morte;
Quero lúcido e lúdico, a travessia do “c” ao “d”,
o que há de mistério e inconsciente,
o que há de mítico e místico,
o que há de lenda e folk-lore,
o que há de mitológico,
do nada quiçá possa haver;



Olhos perdidos no espaço de todos os versos
E verbos da noite e do dia,
Da chuva torrencial e sol escaldante.



A vida é invisível, inaudita.
A ilusão acabou,
Os sonhos mergulharam no nada das ruas
Que foram de todos.



Basta interrogar sobre o sentido da esperança, basta sentir o incompreensível de tudo, para que se ponha ao menos o problema de esse sentido ser possível. Perguntar para quê é pré-[s]-supor o “para alguma coisa”; afirmar que a esperança não tem sentido é pré-[s]-supor que o sentido dela deve ec-sistir; interrogar sobre o Mistério, ainda que nenhuma resposta se espere (e a profunda interrogação não a espera) é conferir-lhe o estatuto de ser, é ad-mitir o mistério e, portanto, a necessidade de decifrá-lo, ou seja, de esse enigma não ser.
O tique-taque do relógio que move o ponteiro dos segundos, lentamente, à mercê do piscar de olhos, à mercê de passos mágicos, o tempo que passa na roda-viva das incoerências e sonhos esquentam na memória tão passadas águas, tão longínquas fontes que as fazem brotar para seguir seu itinerário, tão pesadas mágoas, contundentes ressentimentos, que moinhos movem, cata-ventos giram, farinhas fazem de cada pensamento, de cada idéia, haja sacos de aninhagem para colocá-las dentro, entornando pranto na pedra desse peito, lágrimas que deixam em sua superfície o lodo e o sal, a merda e o açúcar.



Tempo que passa na roda-viva das incoerências e sonhos
Esquentam na memória passadas águas,
Longínquas fontes que as fazem brotar
Para seguir seu itinerário,
Para ser luz de conhecimento
Nas retinas que as vêem passar,
Lentas e tranqüilas;



Pesadas mágoas,
Contundentes ressentimentos,
Acompanhados ombro a ombro
Do sempre que negligencia o jamais,
Que moinhos movem,
Cata-ventos giram,
Areias redemoinham,
Entornando pranto na pedra desse peito,
Lágrimas que deixam na face terna
O lodo e o sol.



Sentado aqui na cadeira de balanço, nessa manhã en-si-{mesmada}, as montanhas cobertas de neblina, pernas cruzadas de por baixo da mesa, balançando-as, por vezes suspirando, abaixando a cabeça, observando os tacos sem qualquer brilho, há tempos não é encerado, apenas passo a vassoura para tirar a poeira, dando-me por satisfeito, ou olhando a parede de cor cinza de modo em absoluto abstrato, a janela semi-aberta, ouço músicas, os sentimentos são inúmeros, re-conheço-os sensíveis e melancólicos, não sei nem conheço o que lhes habita o mais profundo, se, em verdade, abrem outras portas de novas dimensões da vida e de meus projetos de felicidade e alegrias, outros cangaços do que vier, de ser o que em mim sou, ser o outro de mim. Com poderosas mãos egressas das esferas canso, anestesio, cãimbro toda ânsia, todas as inquietações e inseguranças, todas as dúvidas e desconfianças, separo o joio do trigo, olho sereno o campo que lhes dera a luz e a verdade de serem, o espírito e a carne de ec-sistirem, e das espumas das vidas in-definidas deixo fluir da morte a fonte mais bendita.
Mesmo o fulgor do que acontece no tempo e salta para além dele, uma música de outrora, mistério das coisas simples, vêm ter comigo e é na dimensão última de mim que tudo se revela e tem razão. No contato comigo, na convivência com a raiz íntima de mim é que a beleza são o in-dizível e o in-sondável, é que a esperança são o in-inteligível e o in-compre-{ens}-ível, é que a esperança se pro-jeta para o que há de ser, há de vir. Assim a eternidade dessa manhã em que escrevo, o silêncio de estalactites da cúpula do céu, na memória as da Gruta de Maquiné, é na rarefação de mim que se abre e entende.



Da morte a fonte mais bendita,
Da fonte mais bendita
A água que primeiro se revelará,
A fonte em que jorrará a primeira gota,
E por todos os caminhos de águas
A memória da primeva será a origem,
A luz, o princípio;



Da eternidade, o silêncio último do mistério,
Da esperança, o mistério das coisas simples,
Da raiz íntima de mim, a beleza que se projeta
Para o que há de ser, há de vir
- as raízes de uma árvore estão enterradas bem fundo
Para que ela cresça, desenvolva, dê os seus frutos.
Na rarefação de mim, o tempo salta para além,
Na música de outrora, tudo se revela e acontece.



Faço versos e conjugo verbos
Do indizível e sondável,
Desenho absurdos com pincéis
De possibilidades e probabilidades,
Com tintas de insistência e persistência
Na busca, querência do outro lado
Da face do uno,
Na querença da outra face
Do verso-verso.
Deixo fluir a morte,
Ser o outro de mim,
Ser o que em mim sou.



Para que o silêncio ressurja e o olhar suspenso, a aflição dos espaços, a surdez absoluta da montanha e o intocável da noite, é necessário transpor o limiar diferencial do imediato e aceder às origens de mim, ultrapassar a soalheira do passageiro e marginar as res e bordas dos prováveis, aí onde a con-sistência se dissolve e a eternidade se desprende da sucessão do tempo, aí onde a imagem e as perspectivas a-nunciam o nascimento do sol, nas pers da passagem da noite ao dia, nas pectivas do que haverá de ser e acontecer, do que haverá de ser esquecido e tornado história, e o meu olhar se descola da apreensão do ontem e do amanhã, sensações e sentimentos se comungam, inspirações e intuições se aderem, desejos, vontades e razões dão-se as mãos, desprendem-se das situações e circunstâncias que me algemaram ontem as utopias que me acompanharam nas estradas de poeiras metafísicas, os sofrimentos e dores me acorrentaram anteontem os ideais que em mim trago dentro nos longos passos que empreendem na jornada das buscas e encontros, que me libertarão amanhã. Suspensos os meus olhos, o meu ser, um arroubo alevanta-me, vertiginoso ergue-me e o espaço abre-se da comunidade de mim com o espaço sideral, o alarme e o augúrio, o sufocante mistério, o laço mortal dos erros e crimes, a profundidade da noite. Desde que vivencie a esperança e os mistérios da vida, transcenderei todas as cancelas e porteiras, todos os mata-burros e pontes partidas, todos os rios de águas límpidas e sujas.



Ser o que em mim sou,
“Não bastasse o profeta
Se vingar do futuro”,
Deixo fluir em versos
A morte que conjuga
Verbos,
Deixo vivenciar a esperança
Dos mistérios da vida saber e com-pre-{end}-er.



Declaro-me, sem a oratória indecente das hipocrisias,
Obstinadamente apaixonado pelo ser humano
Por suas hipocrisias, falsidades, farsas,
Aparências, nadas obtusos escondidos
Nas obtusidades do vão da porta!



Como o amor é espírito, é éter, é Deus vivo.



O desafio de viver tem cheiro de guerra,
Tem catinga de morte,
Tem odor de decomposição,
Tem imagem de peças de ossos,
Cinzas misturadas à terra,
Quando o fraco não protagoniza a vida,
A vida protagoniza a morte,
Quando o forte de alma e espírito
Não protagoniza o ser no desafio,
o poeta vive
Como o amor vive na loucura
e protagoniza a ec-sistência.



Manoel Ferreira Neto.
(12 de abril de 2016)


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