**DIALÉTICAS DE VERSOS NA LINGUÍSTICA DO SUBLIME** - Ana Júlia Machado e Manoel Ferreira.


O abalado quimerizando com a euritmia,
O inquieto sorrelficando com as desritmias dos versos sublimes
Auscultado e analisar ostentando, que não assistem...
Ouvido(escutado) e interpretar glorificando, que não vislumbram
São melancolias imperecíveis por Sortilégio
São nostalgias imperenes por Sacrilégios
Insignificância negra cintilante inquieta, sem erudição motivo
Des-importantes cores do arco-iris brilham inseguras, sem eruditas razões
Em rítmica melodia não versada
Em melódicos acordes não versejados
Recua a nossa psicológica angustia,
Afasta a nossa psíquica solidão
A substância instintiva atormentada da alma,
A essência verbal da carne em chamas, êxtases, volúpias
Que cicia pela ira dos vendavais árduos!...
Que sibila pela raiva das tempestades pujantes!...



Silenciosa voz, voz de silêncio profundo, que nasce de profunda con-templação...



Do belo
Da vida que imita a arte
Sabedoria
Da arte que imita a vida,
Estesia
Da criação e re-criação
Das dimensões da contingência,
Conhecimento
Do bem e da verdade,
Bem que enaltece e liberta
A alma de suas correntes e algemas,
Verdade que eleva o
Ser e o não-ser
Ao espírito da vida,
Consciência estética
Do espírito e transcendência
Visão ética e moral,
Além das situações
Do efêmero e perene,
Aquém das travessias
Das tristezas à felicidade!



Voz de entonações, sinfonias, harmonias na querência da vida/ec-sistência que se faz, que se a-nuncia, que se re-vela na passagem sem pressa dos ponteiros do relógio do tempo, contradições e contra-sensos da história, vivências e experiências de re-nascentes luzes de novas posturas éticas e morais, novas visões artísticas e filosóficas, nas re-nascências das imagens do pleno e sublime, idílios e quimeras do sonho-verso do eterno, da utopia-verbo da inocência, do in-fini-itivo-sorrelfa da ingenuidade, ser-tao do amar-verbo de buscas trans-itivas, da cáritas-estrofes de querências in-transitivas, onde as pers-pectivas da imagem nascem das esperanças, florescem de conquistas e infortúnios, transformam-se de felicidades e prazeres - os cânticos serenos, suaves do amor re-fletidos originam-se no espelho dos sentimentos divinos, são concebidos no olhar perspicaz que os a-lumbram no itinerário das intuições de suas perspectivas de encontros e alegrias.
Voz de liberdade, concebida no silêncio de sentir o que profundo habita os interstícios da alma, de con-templar o que habita o sentimento do silêncio, gerada na solidão de ser-me, ouvindo o ser em mim, buscando a verdade intrínseca ao estilo e linguagem do estar-sendo, que se manifesta espontaneamente, deixando-me extasiado, não pensava que fosse ouvi-la tão límpida, fosse vivê-la de modo tão presente, tão forte, chegando quase a gritar “Meu Deus, sou livre! Sinto a liberdade em mim”, lembrando-me de na juventude ser defensor ímpio da liberdade, sem saber em verdade o que ela é, o que significa na vida, ilusões e quimeras de um estudante de filosofia, não havendo quem não ouça a minha voz em todo mundo. Não o faço, contudo, vivê-la é o mais importante.
Voz de músicas, cânticos e baladas, canções que elevam as idéias, ideais ao cume do por-vir, aos auspícios do por-ser, por serem os liames que id-ent-ificam o ser-tao da sabedoria, conhecimento. Descortina-se um horizonte amplo, a abranger em um clima de tolerância uma grande di-versidade. Os sons das línguas mais divulgadas mesclam-se em surdina, melodias e musicalidades das palavras mais sonhadas, seus sentidos tornem-se realidades insofismáveis, adiram-se em murmúrios e sussurros, para esquentarem a altissonância das metáforas do perene, silepses do efêmero e mortal. O uni-versal traje de noite, um uniforme de civilidade, reduz exteriormente a di-versidade humana a uma unidade decorosa.



Imagens do pleno e sublime,
Idílios e quimeras do sonho-verso do eterno,
Estrofes de dia a dia, nuanças da história,
Da utopia da inocência, ingenuidade,
No silêncio profundo da con-templação
Do por-vir,
Por serem os liames que id-ent-ificam o ser-tao da sabedoria,
Conhecimento,
Do desejo de saciar a sede e a fome
Do sublime silêncio,
Na querência das sinfonias, harmonias
Na passagem da utopia-verbo
Da vida-ec-sistência,
Por vezes defectiva
De projetos de paz e amor,
No cume da querência do pleno
Dos versos, do sublime Uno
Nas re-nascências do sol
Onde o acontecer esplendendo no
Verso das fantasias e quimeras
Inovam, renovam,
Ampliam, estendem
As palavras primevas,
Sentidos primitivos e ultra-milenares,
No verbo branco do infinito
Na longitude do espaço,
Nas alamedas do abismo,
Dando-lhe outras dimensões
Sensíveis e con-tingentes
Do amor ungido
Pelas imagens da perspectiva do
Sol onde nascem
As esperanças do amor.
A vela no castiçal continua queimando serena, lenta, sobre a mesa da sala de visitas, a chama brilhando tranquila, o inverno despontou mais cedo, orações nos interstícios do silêncio, pré-fundas da solidão, fi-las com toda a fé que se manifestava, assim que acordei, levantei-me num frio de enregelecer os ossos, quase decidindo não tomar o banho matinal à tarde, não me sentiria inspirado e disponível a outros mergulhos profundos, rogando e pedindo proteção, amparo, na continuidade da vida, em todos os caminhos que deverei por eles passar, percorrer, adquirindo experiências e vivências na labuta do quotidiano, desaprendendo o que antes no fundo de meus sonhos sentira e pensara serem sementes e raízes de outros sentimentos de viver e ser, aprendendo novas lições e perspicácias de visão do que nos horizontes da vida está aberto às novas condutas e posturas do bem e amor, nas dialéticas e contradições das idéias e realidades da história e vida, em nome da missão que devo real-izar nesse mundo, que são as essências das esperanças, umas nascendo das labutas quotidianas, acompanhadas de sofrimento e dor, outras nascendo das con-templações do viver e buscar o eterno que pereniza, do amor brilhando e resplandecendo no verbo da fé, da entrega e do acontecer, esplendendo no verso das fantasias e quimeras do re-nascimento, segundos antes da partida possa olhar através da janela as nuvens brancas e azuis passando na longitude do espaço, infinito, sorriso de alegria e felicidade se re-vele límpido e transparente, alfim re-colhi e a-colhi conquistas as mais di-versas que me deixaram contente e satisfeito, ao estilo de Fred Astaire, Dancin´ in the rain, e todas impusionaram-me, inspiraram-me e incentivaram-me a re-novar e in-ovar os ideais de palavras primevas que re-cuperassem e res-gatassem as sendas perdidas nas alamedas do abismo, becos da origem nas nonadas da brincadeira que deixa de ser ilusão, fantasia, para ser realidade e verdade, dando-lhes outras dimensões sensíveis e con-tingentes, abrindo-lhes as pectivas de novas esperanças a serem desejadas, com o leque aberto à moda e estilo, até mesmo com as etiquetas e menus, da cultura e tradição francesas, re-fletidos espiritual e transcendentalmente, a força e disposição das lutas e entregas se intensifiquem, elevem-se aos auspícios do que há de transcendente e divino no reino do verbo “con-templar”, saciando a sede de conhecimento e sabedoria, a luta consciente e sincera se faça presente, transcenda as sensações de dificuldades e obstáculos, sentimentos de dor e sofrimento - a esperança, enfim, é a con-templação do desejo de conhecimento e vontade de vivenciar o novo, a novidade, a outra face da imanência que não ofusca os dons e talentos, o lado esquerdo da vivência que abre os leques das div-indades e divin-idades da vontade e do saber, das místicas da meditação e reflexão, dos mitos do sentir e real-izar, que re-fletem ambos no ínterim da meditação e re-flexão a re-visão das primev-idades das palavras ideais, dos vocábulos utópicos, em seus temas e temáticas, em suas raízes, prefixos e sufixos, ambas à sombra no espelho das possibilidades e capacidades de decisões verdadeiras, ampliando as pers de fé ainda mais espiritual, iluminando os passos e traços a caminho sensível e espiritual da verdade, que nada mais, nada menos é que o verbo que se encarna nos ossos da essência vivenciária e vivencial, o Filho de Deus, Jesus Cristo, para quem jamais teve noção ou intuiu isso ou não acreditou, ou negligenciou em nome de ideologias hipócritas e mesquinhas, é testemunho ec-sistencial e div-inal dessa realidade, desse real, à luz disso o bem e o amor sendo ungidos pelos raios de sol, numinosos à mercê dos tempos por virem, à sorrelfa do passado por se escafeder solene e insofismável, pelo arco-íris dos ideais humanos e trans-literais, o outro da vida mostrando nítida e limpidamente a clar-itude dos ideais verdadeiros e sinceros, verdade das ilusões, inspirando a continuar trilhando a floresta silvestre das dimensões do amor.
No entardecer, a luz seja a-núncio de outras palavras de ideais primevos, trazendo em si mesmas itinerários e caminhos novos a expressarem desejos, vontades de felicidade verdadeira, sincera alegria, sentidos outros do vivido, metáforas di-versas de amor e sonhos dentro de outros sonhos, versos que não são nem românticos, nem simbólicos, expressionistas, impressionistas, falam da vida e do amor em todo o esplendor, em toda a sua pujança, mostram apenas o estar-sendo e, em linguagem comovida, descrevem o que habita o recanto íntimo do coração, o canto nítido e transparente da consciência estética e ética, do inconsciente divino e espiritual, o que as retinas con-templam, vislumbram da alma, suas con-[t]-ingências, con-sentindo a cor-agem para o mergulho profundo, a des-coberta do que está latente e a oportunidade de tornar-lhe manifesto, húmus e seiva de outras realidades.
Numa excitação triunfante, de posse da verdade que me deixa um travo de angústia e questionamento sobre a palavra que devo criar/encontrar, re-criar/des-encontrar, in-ventar/abrir os leques para o futuro, para a longitude do infinito e dos horizontes, para re-gistrar o esplendido e decente ato que purifica a língua para emitir solene e pomposa as verdades dos mistérios da alma, as idéias e ideais que iluminam as sendas dos desejos da consciência-estética do brilho do sol nascente, do sol poente, enche o coração de expectativas do solitário silêncio, para o silêncio individual da solidão mágica do só ser em busca da travessia da nonada ao rio de águas límpidas sem pressa, sem margens, que traz mais vigor à sensibilidade habituada a in-vestir imediatamente na profunda infusão dos instintos de disciplina e devassidão que serve de fundamento para a peculiaridade de uma alma sob a luz do belo tão de perto, da estesia tão próxima, da beleza tão de longe.
O que é isso ec-sistir? Por vezes sombra, segredo, desilusão, desassossego; por vezes espera e sonho, encontro e tédio – desilusão; espaço preenchido a contragosto entre o nascer e o não ser mais, o re-nascimento e o silêncio ainda mais presente, íntimo, a trans-cendência do mesmo e o encontro de outros outros no espírito da vida e do estar-no-mundo; entre um e outro, magia e espanto, medo e desilusão, “sonho do verbo amar”, “utopia do verso ser”.
Esquadrinhar o horizonte distante, ad-mirar a pomposa superioridade ec-sistente e refletir os vagalhões de emoção que me habitam, viajar em meio à tempestade, passar a noite de céu estrelado, lua nova, numa pequena cabana no descampado, ouvindo os sapos coaxarem, o galo cantar, pela manhã, antes da partida, o trinar altissonante de todos os pássaros, o olhar estesiado diante de todas as maravilhas e magias da natureza, especialmente se vistas no alto de uma pedra no chapadão, e não do alto de montanha ou serra para vangloriar o poder e os orgulhos das importâncias históricas e artísticas do passado.
Enigmas sopram ventos ferozes e enlouquecem a calma, vociferam plumas ágon-izantes, paulatinamente des-andam, tres-andam na multidão e devagar chegam ao destino certo, quando novos verbos se a-nunciam e novas andanças se fazem mister. E eu a ouvir, inquieto, as cantigas sonolentas do sem-fim, no imortal ouço a voz do por-sempre, no eterno ouço a balada do para-sempre, encontro forças e disposição para outras buscas, o brinquedo é sempre desvencilhar-me das algemas e correntes do mero quotidiano das dúvidas, inseguranças, desarticuladas vozes, prateadas como rastro úmido e tranquilo de um caracol entre as lajes paralelas do jardim, é sempre virar as costas, a cabeça ereta aos caminhos por serem percorridos, andados, para as escravidões dos diamantes fechados, abertos para a jagunçada, coronelismo das palavras, versos, estrofes, prosa da literatura de cordel. Palavras neutras, tão neutras que perderam importância humana, valem-me senti-las, pronunciá-las no ritmo loquaz do pensamento.



Quisera
Viver todas as aventuras,
Delineando as pers-pectivas da imagem,
Focando os ângulos,
Fotografá-las para não esquecê-las,
Guardá-las para in-vestigá-las
Na aurora de outros amanhãs,
No crepúsculo de tempos vindouros,
Conscientizar-me das
Esperanças,
Do espírito do Amor,
Da essência do Belo,
Da raiz da beleza,
Do sentimento do sublime
Nas pré-fundas do verbo
Sonhar a essência
De outros amores,
De outros ritmos
E melodias da cáritas;



Quisera
Nadar contra as correntezas,
Sentindo presente o itinerário
Rumo à fonte
Onde as águas nascem,
O destino de sê-las,
O desejo, vontade, razão
De não sê-las,
Viajar no itinerário,
Caminho do sem-margem, sem-pressa,
Perder-me na long-itude do infinito,
Proximidade do eterno etéreo,
Encontrar-me à soleira da finitude,
No âmago da absoluta verdade
Do ser e não-ser;



Quisera
Ignorar a tristeza,
Renascer das cinzas,
Ser como a primavera,
Simplesmente quimera,
Conhecer toda a verdade;



Quisera
Rimas perfeitas,
Ocultas,
Entre-olhando-se,
Abrindo um sorriso inquieto
Escondendo uma tristeza
Ágon-izante,
Despedindo-se;



Quisera
O encontro
No outro ponto
Da nova dimensão,
Limites desfeitos
Ditados ao vento
São meros sinais...



No alvorecer, primeiras luzes, a primeira visão da claridade da noite que se esvaece em passos lentos, as sensações leves, leves, muito leves como pluma da temperatura amena, como leveza do tempo no in-finito da inspiração do além, aquele friozinho delicioso perpassando o corpo, na mente pensamentos e idéias sublimes e suaves concernentes aos desejos da paz vindoura, da serenidade do tempo de amanhãs por virem, de manhãs por embelezarem os ossuários do mundo e do universo, no Verso do Uno, no Uno do Verso do Verbo Ser nas Conjugações Simples de suas estrofes arrítmicas, mesmo as inautenticidades da linguagem do verbo-verdade, do estilo verso-con-templação da linguagem-busca, da forma-encontro-e-des-encontro, estabelecerem, serem, contingenciarem os passos e traços, rastros e trilhas de conquistas do tema das esperanças, temática do verso da fé, a vida sob a luz da imagem re-fletida na superfície lisa do espelho-plen-itude-e-sublimidade-espiritual-e-corpórea, sob os raios de sol a incidirem nas coisas do mundo efemeridade em busca da perspectiva melhor de se con-templar o além das transcendências de apenas vislumbridade do aqui e agora, mas a transcendência do além de todos os in-finitos-finitos do horizonte, uni-versos-horizontais das longitudes sensíveis do amor e cáritas, verticais das proxim-idades reais das alegrias e felicidades, a finitude norteando a trilha, o ritual, querer verdadeiro, cores vibrantes mostrem com evidência e clar-itude a essência da vida e da morte, no além o espírito do espírito, no aquém as linhas das palavras do inter-dito à luz de onde o sol nasce, do pré-lúdio à sombra de onde o sol se despede.
Felicidade são instantes
Efêmeros ou de curta duração,
Exíguos nadas no ínterim
Do sem-tudo às travessias
Das utopias ao ser-tao
Da cristian-idade,
Amor, solidariedade, compaixão,
Além das transcendências de apenas
Vislumbr-idade do aqui e agora,
Aquém dos uni-versos horizontais das
Proxim-idades reais das alegrias e felicidades
Nas long-itudes sensíveis do amor e cáritas,
A conquista sublime e verbal
Da essência do Amor,
Da espiritualidade do carinho,
São momentos de alegria, prazer
Em que o olhar con-templa
Extasiado
O verso da vida,
A moeda de duas faces da morte,
Estar-sendo do amor,
Amor-sendo de entrega e doações,
A unidade alma-espírito
Do Verbo Ser,
Sentindo presente e real
A conjugação dos temas/temáticas
Dos desejos, vontades,
Razões
De ser outro, de outro ser
Nas contradições, ambiguidades,
Dialéticas
Das esperanças, angústias,
Fé,
Aquém das imanências,
Além das dimensões reais
Dos sonhos e utopias
Que re-nascem na aurora do novo dia,
Que nascem outros no crepúsculo
- tese, antítese, síntese do tempo



Felicidade é conhecimento,
É saber
Da finitude, in-finitude,
É sabedoria
Da morte, vida,
É consciência
De que o Ser é sempre busca,
De que a busca é sempre outra perspectiva
De vivenciar a con-tingência do Ser/Ec-sistir,
Da ind-igência do quotidiano
Que é contraste entre o agora de aqui
E o lá de amanhã,
Estar na expectativa,
é jogo de encontros e des-encontros,
Conquistas, frustrações
Do coração que versa sentimentos
De plen-itude
No giz que risca o éter
Do sem-fim,
Do diamante que corta o vidro
Do sem-destino,
Na roda-viva do chão preto,
Na velocidade que nada
Guarda ou acumula
Das milhas percorridas.



Continuo traçando letras,
Conjugando verbos,
Criando vocábulos,
Tripudiando com os sentidos,
Metáforas,
Símbolos,
Signos,
Mesmo com a linguística das nonadas
Dos temas e temáticas,
Com todo esmero, carinho,
No alforje e algibeira,
Metáforas, signos, símbolos,
Sentidos
Dos sonhos e fantasias
Da verdade,
Espírito do espírito,
Alma das sementes,
Carne das raízes,
Cinzas de ossos-húmus,
Essência da essência
À luz da espera de outro
Alvorecer,
Do verde da folha de samambaia
Brilhar e resplandecer
Aos primeiros raios de sol,
Incidindo no re-verso/in-verso
De curtir o só de ser,
Desfrutar o ser de ser só
E ser feliz na solidão da ópera
E sinfonia
Da vida, do viver,
E ser livre no silêncio das baladas
De blues.



Diante de tudo o que é perfeito, diante de todas as perfeições e imperfeições dos homens, estamos acostumados a omitir a questão do vir-a-ser e desfrutar sua presença como se o futuro houvesse desabrochado, tivesse brotado magicamente do chão, percorrido chão preto em busca do arco-íris que perpassa as curvas das montanhas, estende-se ao longo de terras e florestas, rios e chapadões, espalha-se pelo silvestre da natureza.



Luz do entardecer
Seja a-núncio de ideais primevos,
Outras palavras em todo o esplendor,
Em linguagem comovida,
Em estilo nascido no recanto
Íntimo do coração,
Versos de felicidade verdadeira,
Sincera alegria
Dos verbos do vir-a-ser,
Descrevendo magicamente
As esperanças das estrelas,
Lua estarem iluminando
As utopias temporais,
a-temporais,
desde a eternidade.



Arrematar
Pálpebras apalpadas
Em cínicos e irônicos sorrisos,
Voando alto e divagando no espaço
- tramoias fingidas acenam
A qualquer estralar de dedos -,
Enviando mensagens superficiais,
Jamais quisera.



A vida é frágil, é fragilidade no decorrer do tempo, e nisso está inscrita, registrada a dimensão de suas magias e belezas, nas estesias do sol que nasce à soleira da aurora, das estrelas que re-nascem e re-id-ent-ificam na solidão e silêncio da noite e madrugada o cristal da fé nos sonhos e ilusões do futuro, que morre no embornal do crepúsculo, nasce, re-nasce na sombra de raízes da vida que serão promessa de outras sorrelfas e magias, sempre em busca do bem, dos versos da felicidade, alegria, dos verbos do amor e cáritas, koinonia da contingência e transcendência, kairós das utopias da eternidade, dos olhares aos infinitos, distâncias, longitudes.
O passado – eis o sentimento mais forte e presente – mexeu-me, remexeu-me por dentro, mudou-me os pensamentos e idéias, transformou-me os sentimentos e emoções, revolucionou-me a intuição e percepção das coisas do mundo.



O que é in-verdade
Será verdade,
O que é mortal
Será imortal,
O que é verbo
Será verso,
O que é Verso
Será Uno,
O que é vazio
Será cheio,
O que é vida
Será morte,
O que é verdade
Será palavra



Nas estesias do sol
Que nasce
À soleira da aurora,
Que morre
Nos braços do crepúsculo,
Promessas de outras
Sorrelfas, magias;
Das utopias da eternidade
Raízes da vida
Que serão koinonia
Da contingência,
Transcendência,
Que serão kairós
Dos olhares aos infinitos,
Distâncias,
Longitudes.



Ana Júlia Machado e Manoel Ferreira Neto.
(12 de abril de 2016)


Comentários