#AURORA DE OUTONO E OUTRORAS# - Manoel Ferreira


“...onde o crepúsculo se eleva
de sonho e utopias
da verdade do “SER”...” (Manoel Ferreira Neto)



“Começar de outrora essa aurora de outono”, entre o outrora e outonos de infinitos uni-versos na fin-itude das venturas e fortúnios da verdade às avessas da in-verdade, da in-verdade re-versa à essência da verdade, por intermédio da janela da alcova entrando os raios solares escaldantes, após o banho matinal, a água estava uma delícia, algumas sombras se projetando no chão de tacos sujos, amanhã, quem sabe, mande sintecá-los, o calor será imenso por todo o dia, além do mundo não há para lá me refugiar, de madrugada o friozinho estava bem agradável, na escuridão da alcova, a esposa dormindo, pensava na Sibéria, na con-versão das culpas que o inverno re-vela com distinção em sentimentos de amor e carinho pela humanidade, o peito arfando de calor, as chamas do coração brilhando livres e resplandecentes, desejava sentir-lhe o frio, ninguém está satisfeito com o que tem, eis a di-versão que encontro pura e singela, suave, em última instância, para mergulhar profundo na roda-viva das quimeras de alegria e felicidade, assim sentidas nos interstícios dos desejos, vontades, por serem efêmeras, nem ainda se a-nunciam já se despedem solenemente, nem dão tempo ínfimo para sentir e toda a alma eivada de suas esperanças e fé empreende a longa jornada sonho adentro em busca do que elas deixaram no íntimo que possam ser sementes e raízes de outros encontros e luzes do “SER”, das luzes do ser a iluminação, a con-templação, vontades, desejos, razões, sede de conhecimento, luzes que irradiam novos ideais, inéditas idéias e projetos, iluminando as sendas de florestas esquecidas, de estimadas querências deixadas para trás, por inconsciência das verdades que habitam o tempo da ec-sistência, os instantes das fantasias, encontros que esplendem outros sentimentos de entrega, outras imagens de mimeses e do belo-estético, outras conversões do amor e amizade, outros amores e prazeres.



Roda-viva das quimeras
De alegria e felicidade,
Sorrelfas de contentamento,
Paz,
Alma eivada de esperanças e fé,
Excitando-se com os dedos
De novas aventuras,
De outros cliques,
Palavras,
Com os verbos sussurrados,
Murmurados
Cochichados
Nos ínterins das sensações
E sentimentos,
Abrindo outras veredas
Para as travessias da nonada
Ao mágico e perfeito
Ao místico e absoluto
Ao mítico e perpétuo
Ser da Felicidade, Amor,
Perambulando,
Dando a meia-volta nos sentimentos,
Emoções,
Negando a razão e o intelecto
Que se vangloriam com
A verdade
Afirmando a subjetividade, sensualidade,
Sexualidade,
O espírito
Que desejam o encontro
Do “EU”,
Do Divino;



Inconsciência das verdades
Iluminando as sendas de flores silvestres
esquecidas,
querências deixadas para trás,
imagens de mimeses e do belo
estético, da macunaíma sin-estesia do feio
assim sentidas, vivenciadas
nos interstícios dos desejos,
vontades,
outras conversões do amor,
amizade,
outros amores e prazeres,
transcendendo as perspectivas
da imagem,
onde o sol nasce,
onde a aurora se resplende
de magia e mistério,
onde o inverno é só paixão,
o amor é como a aurora
da solidão.
Trazendo a carícia
Do silêncio sublime,
onde o crepúsculo se eleva
de sonho e utopias
da verdade do “SER”,
do ser da “VERDADE”,
onde a alma eivada de suas esperanças,
fé,
empreende a longa jornada em
busca da plen-itude do AMOR,
AMIZADE,
Onde as folhas do outono
caem,
Para a-nunciarem o inverno
Está chegando



“Começar de ontem o crepúsculo de outono”, quando a imagem do uni-verso e horizonte distantes re-vela no ser da re-flexão as sendas perdidas do amor à busca da divin-idade da alma, da divindade do espírito, sentir à flor do ser que se a-nuncia, irradiando as luzes da perenidade dos sentimentos e emoções, a noite romântica de estrelas cintilantes, de lua cheia, a alegria e felicidade de estar em harmonia e sin-cronia com as esperanças do novo que transforma as perspectivas e expectativas do que há-de vir como alegria e sabedoria, como felicidade e contentamento, como conquista e realização, o “SER” contínuo na continuidade das querências e buscas do êxtase estético do sentimento de amor, a beleza da volúpia da emoção de sentir o carinho e ternura cordiais pela vida, pela roda-viva de seus encontros e des-encontros. Quando a perspectiva do rio de águas límpidas, serenamente percorrendo os minutos e segundos da madrugada, em silêncio divinal, em solidão espiritual, vislumbrando, a-lumbrando, des-lubrando, deseja o sentimento real e verdadeiro da minha verdade, nalguns instantes se tornaram palavras, guardei-o na memória – o silêncio divinal das águas é a sua trajetória sem margens, sem pressa, a solidão espiritual das águas é o caminho de suas sendas por entre as florestas de flores silvestres e a sensibilidade de que serão real-izadas as peripécias dos sentimentos e emoções humanos, a serena plen-itude da musicalidade das notas do espírito na sala de encontro com Deus e o diá-logo contingente-divino da vontade de querências, da conquista de alegrias, mas Ele dizendo que para a continuidade da vida de sentimentos plenos e verdadeiros, da verdade íntima e perene faz-se mister, antes de tudo, acima de nada, a conversão do aqui-e-agora em projeto e utopia da espiritualidade, evangelização, o sentido duplo dos sentimentos em unidade de amor, entrega ao amor -, encontra no longínquo de sua jornada o nascimento do arco-iris, embelezando o crepúsculo dos homens seculares e milenares sedentos da sensibilidade pura, do espírito da verdade solene.



Divin-idade da alma,
Divindade do espírito
Para a continuidade da vida
De sentimentos plenos, verdadeiros,
Da verdade íntima e perene;



Serena plen-itude da musicalidade
Das notas do espírito
Na sala de encontro com Deus
E o dia-logo contingente-divino
Da vontade de querências,
Da conquista de alegrias;
Rios de águas límpidas
Percorrendo os minutos e segundos
Da madrugada,
Por entre as florestas de flores
Silvestres,
Em silêncio divinal,
Em solidão espiritual.



“Começar de onde as folhas caem”, quando o inverno está chegando. Onde estão aqueles sentimentos de amor que deixei nalgum crepúsculo de outrora, quiçá seja o instante de encontrá-los, de algum modo re-criá-los, sentir-lhes presentes nos interstícios da memória, saber dela como os teceu e crocheteou ao longo das experiências e vivências do quotidiano as sílabas verbais, os sons de estrofes e versos, os sons de estrofes e lírica transcendental do estar-sendo, ainda em busca do Ser, desse caminho de brilho, apesar das escuridões, veredas sinistras, da noite, na alma, curtindo a delícia das folhas caindo, o inverno está chegando – quando as folhas caem, nascem outras no lugar -, tornar-lhes seiva de outras jornadas nas trilhas de querências, desejos de uni-versos de líricas que mergulhem profundo no tempo em que o silêncio da madrugada de frio é convite para recitar os versos da aurora, em toda a musicalidade, ritmo, alimentados e regados de ternuras e esperanças di-versas, que nasce em pleno esplendor, o corpo sentindo as novas sensações de mistério e magia, enigma e misticismo sin-cronizado e harmonizado com a vida nos desejos, vontades e razões de conhecimentos outros, sede de sabedoria, fome de verdades que preencham os espaços vazios das dúvidas e inseguranças. E, seguindo os caminhos de silvestres flores, no peito a alegria e felicidade da continuidade da vida, que a todo instante a-nuncia e re-vela sonhos e utopias do “SER”, “N-{Â}-O-SER”, e assim nasce, re-nasce, re-nova as buscas do belo, quando os olhos se extasiam e se projetam alhures, as novas folhas renascendo verdes e viçosas, e quando o orvalho da madrugada se faz presente há festa em suas superfícies.
Sonhar das folhas que caem, o inverno está chegando, as folhas que re-nascem, a primavera se a-nunciará, é a re-fazenda das sendas perdidas em metafísicas do silêncio e solidão, em decisão, em liberdade, alfim, em razões puras nas práticas da atitude e ação, em razões práticas na sublimidade do desejo do verbo de silêncios às auroras de outros e outrens, quando as palavras eivadas de outros interditos buscam sensíveis e espiritualizadas o espírito da vida, a conversão dos medos e fragilidades em coragem e disponibilidade, consentimento, permissão da labuta por outras finitudes do verbo “SER”, por outras infinitudes das conjugações do “AMAR” verbo de infinitas realizações, temas de esperanças e fé nas promessas do Paraíso Celestial, temáticas de força e perseverança no conhecimento que liberta e eleva o espírito aos auspícios de montanhas distantes e longínquas, quando nas profundezas da alma o sentimento é louvor e glória aos silvestres campos do eterno e da eternidade dos amores e paixões pelas raízes verbais do absoluto-pleno-[de]-sublimes-verdades, que se re-faz nas asas dos tempos, no vôo profundo e rasante das nuanças das realidades e ideologias, do real e das utopias, mesmo quando tudo isso se confunde e expande a todos os finitos e infinitos e nada se pode pensar ou sentir do tabernáculo das imagens que em suas resoluções de transparência e nitidez será foto eterna, imortal da humanidade em estado de concepção de seu próprio sentimento aberto e escancarado da VIDA, em nome do BEM e do AMOR tudo será permitido, e nessa permissividade sem cancelas, porteiras, obstáculos ou Muralhas da China, Muro da Vergonha (felizmente foi jogado abaixo: The Wall, Pink Floyd, levado para as telas, contribuiu sobremodo para a queda deste muro, ouvi dizer que estão pensando em reerguê-lo...), o sentimento e a emoção plenos de que as folhas caem no fim do outono, o inverno está chegando, as folhas re-nascem no fim do in-verno, quando começa a silvestr-idade das flores primaveris e dos odores perfeitos e mágicos que se apresentam na plen-itude das sorrelfas do AMOR, das ilusões e fantasias da PAZ, na un-ivers-al-idade de todas as esperanças e sonhos da humanidade, dos homens que desejam solenemente o novo de suas dimensões sensíveis, espirituais, emocionais, elevando a alma às estrelas que brilham no universo, a finitude da vida é a resplendorosa magia do “SER”.



Começar de onde as folhas caem:
Sentir-lhes nos interstícios da memória,
Tornar-lhes seiva de outras jornadas
De outras cavalgadas alucinantes,
Outras puxadas de rédeas,
Freios que tiram a paz,
Nas trilhas de outras querências,
Recitar-lhes os versos da aurora,
Em toda a musicalidade, ritmo,
Alimentados e regados
De ternuras e esperanças di-versas,
O corpo sentindo as novas
Sensações de magia e mistério,
Sede de sabedoria, fome de verdades
Que preencham os espaços vazios
Das dúvidas e inseguranças;



Começar de onde as folhas caem,
Quando os olhos se extasiam,
Projetam-se alhures,
Por outras finitudes do verbo “SER”,
Por outras in-finitudes das conjugações
Do AMAR,
Verbo de infinitas realizações,
Temas de esperanças e fé
Nas promessas do Paraíso Celestial,
Temáticas de força e perseverança no conhecimento
Que liberta e eleva o espírito
Aos auspícios de montanhas distantes e longínquas,
Quando nas profundezas da alma o sentimento
É louvor e glória aos silvestres campos do eterno
E da eternidade dos amores e paixões
Pelas raízes verbais
Do absoluto-pleno-[de]-sublimes verdades,
Que se re-faz nas asas dos tempos,
No vôo profundo e rasante
Das nuanças das realidades e ideologias,
Do real e das utopias,
Começa a silvestr-idade das flores primaveris
E dos odores mágicos
Que se apresentam na plen-itude
Das sorrelfas do AMOR,
Das ilusões e fantasias da PAZ,
Na un-iversal-idade de todas as esperanças
E sonhos da humanidade,
Projetam-se no espelho
De superfície lisa,
A resolução da imagem
Perfeita,
MÁGICA,
A face real e verdadeira
Dos sentimentos,
Desejos,
Vontades,
Razões...
A vida!



“Começar de onde as folhas re-nascem”... Lá fora, o verde, os campos, folhas, plantas, matas, florestas em festa, madeirame, cáctus, cardos, flores, árvores de frutos por virem, de frutas já deliciosas por serem chupadas ou comidas, água sendo jorrada da fonte, água seguindo os caminhos a perderem de vista. Aqui dentro, onde me encontro, refestelando-me serenamente na cadeira de balanço, os olhos distantes, além da janela aberta, o espírito tecendo o ser-[da]-natureza, o ser-{das}-coisas, a alma re-colhendo e a-colhendo os frutos da re-flexão, alimentando-se da seiva natural-espiritual, aberto a experiências novas, o novo e inédito das conquistas, encontros, a continuidade da felicidade e alegria na roda-viva contínua das paixões e amores pela VIDA, verbo artífice nos cataventos do tempo.
Ainda ontem, conversando com pessoa de minhas relações, protótipo da tradição e do conservadorismo, disse-lhe: “Imagine se você colocar a sua tradição nos cataventos dos tempos, as suas verdades na roda-viva da vida!”
O civilizado trouxe o verde, trouxe os frutos, trouxe as frutas, trouxe todas as cores, para a sua casa... E a Cultura, num esforço de fênix, tantalicamente, re-começa, do zero, em baldada luta, seu novo ataque à natureza, que não aceita ser vencida, que não ad-mite ser negligenciada, que não con-sente em ser esquecida, apesar de, aparentemente, parecer ser prisioneira da Cultura.



Continuidade da felicidade e alegria,
Conquista e real-ização,
Buscas e desejos do outro do “eu”,
Na roda-viva contínua das paixões e amores
Pela VIDA,
Verbo artífice dos cataventos do tempo,
De leste a oeste,
Os ventos das esperanças
Re-nascidos do mergulho profundo
Nas dimensões de onde nascem
A inspiração, percepção, intuição
Dos desejos, vontades,
Razões
Do belo, da beleza,
Da Estesia do verso
De Amor, Paz,
De solidão
Que não se mostram,
Id-ent-ificam
Senão à luz
Do encontrar
A CRUZ,
Dimensão que liberta
O coração..



Compreensão, entendimento,
Solidariedade, compassividade,
Sentimento e paixão,
Pelos homens carentes
De sensibilidade, subjetividade,
Pela humanidade carente
Do espírito da VIDA,
De norte a sul,
A roda-viva da fé
Que nasce, morre, renasce,
Mostra-se, re-vela-se, id-entifica-se,
Esconde-se no quotidiano da matéria,
Dos bens, do poder,
Da hipocrisia, farsa, falsidade, aparência,
Das necessidades seculares e milenares
Do pão de cada dia...



De leste a oeste,
A gota de sêmen,
A amizade do beijo.



“Começar da primavera o outrora de crepúsculos outonais”, quando as flores do jardim da Pracinha do Santuário de São Geraldo nascem lindas, que odores esplendidos enternecem os vestígios da memória, inspirando as dimensões sensíveis e trans-sensíveis a in-vestigarem a divin-idade do AMOR, quando eu, extasiado e estesiado, dimensão do encontro verdadeiro com Deus, nas tábuas e tabernáculos de esperanças, observo e con-templo os transeuntes passando, fazendo o sinal da cruz, outros entrando na igreja para as orações pedindo a São Geraldo suas graças, pedindo a Deus suas bênçãos e proteções, pedindo a Maria Santíssima a paz tão necessária para prosseguir os caminhos da vida. Lá fora, de dia, arde o sol.
De noite, a lua e as estrelas, com suas vacilantes luzes.. Assim, com astúcia, vou tentando subjugar toda a Natureza, ab-duzindo-a para si. E ela, esquiva, cada vez mais, cada vez mais, se distância faz alguma diferença!, ora essa, não há distância para o verdadeiro amor, acredite os homens ou não, vivo e experimento isso na alma e coração. Quero ir, além do conhecido, quero ultrapassar o tempo, o som e a luz, num instante de começo ou de fim. Perco-me no ponto que sou: de partida ou de fim, metamorfoseando-me na busca do ser, da auto-explicação. Uma flor se abre, vingando o botão, é primavera. Ouço músicas no ar, de Bach, Vivaldi, Beethoven ou Verdi, (sei lá). Pé-ante-pé, pisando todos os meus sonhos, afogando-me essa ESPERA, num crepúsculo, que é imenso lago vermelho, no horizonte.



Nada de novo amanhã
Nada!
De novo o nada
Da manhã,
Novo,
Começar de amanhã o nada,
Buscando o grito
Que corta o ar,
Mãos se re-colhendo
Para não se darem,
Olhos tergiversando-se
Nas primaveras de outono
As chuvas de março,
Início e começo
De outra jornada,
Não atingirei
Mais que minha angústia,
Essa angústia tão própria
De não-se-ser
Sendo-se...



Minha angústia se re-volta
E se liberta de si
E não liberta ideologias,
Não des-ata os nós dos interesses escusos,
Não des-algema os nós das re-versas
Ideologias mascaradas,
Véus,
Envelando-as
De desejos
Compostos, impostos
Que trans-cendam o meu limite.



Quero sim,
Quero ser
A minha concepção ideológica,
Ilógica, lógica, alógica
Á minha maneira de ser,
Começando de outrora
A aurora do outono,
Começando de ontem
O crepúsculo de outono,
Começando de onde
As folhas caem,
Começando de onde
As folhas re-nascem,
Começando da primavera
O outrora de crepúsculos outonais.
Quero libertar meus mitos,
Meus ritos, meu gritos
De toda repressão
De formas que destroem
A minha forma,
De estilos que não re-velam
Os interstícios de minha alma,
De linguagens que não id-entificam
As idéias e ideais
Na busca secular e milenar
Do meu ponto-comum-limite.



“Começar das flores a primavera das metafísicas do encontro e liberdade” ou “começar das metafísicas das flores o encontro da primavera e suas líricas, da liberdade de encontros de outros verbos e versos cristalinos e estrofes límpidos”, lírios, lilases, rosas, que res-plendem de beleza as auroras, exalam perfumes que extasiam e elevam os desejos de sentir plenamente a natureza em seu ser, as suas sendas na essência, mistérios e enigmas no espírito de suas re-vel-ações e ocultações, e per-fazer o encontro do estilo e linguagem de se expressar a liberdade, a forma e o conteúdo de se dizer as profundezas do inconsciente, da primavera os interstícios da alma, do outono nas veredas de outrora, das veredas do ontem antes de quaisquer outens os invernos de outroras, os mitos, ritos, gritos da língua em riste que saboreia as palavras que emite, desejando enfática, enfálica e euforicamente o dó-ré-mi-fá das notas de amor, cáritas, a musicalidade e ritmo das idéias em harmonia com o que o espírito manifesta na memória, com o que a inteligência lê e interpreta de seus movimentos nas nuanças da id-entidade que se re-faz, que se re-constrói ao longo do eu que se busca nas situações da vida e do quotidiano, que se des-faz no outono das primaveras do ontem e hoje, re-nova-se nas antemãos e revezes do verão de outros raios de sol à luz das outroras-razões e sensibilidades, subjetividades com o que a alma ilumina na inspiração, intuição e percepção, com o que a razão in-versa e re-versa dos sentimentos a sensibilidade da lírica em seus versos e estrofes de iluminação e trans-cendência, com o que os ideais e utopias do belo puro, da beleza inocente, ingênua trazem em si para resplandecer as sombras que se projetam com os raios faiscantes do sol, em cujos idílios do ser e não-ser nascem as con-templações das vontades da con-versão do in-verso ao real, do re-verso à verdade das linhas e inter-ditos, às in-verdades das além-linhas dos passos, traços, marcas das aventuras que fizeram as lágrimas caírem leves, livres e suaves, a solidão não quer mais perder as águas de vistas nas suas límpidas jornadas para alumiar as esperanças do encontro do brilho dos olhos que abrem visões e idéias para a fin-itude do amor que se ama sonhando, se vai ser assim, do avesso aos novos sonhos do verbo de conjugar balada às estrofes do espírito que se alimenta da beleza das flores que nascem nas auroras, morrem nos crepúsculos, da natureza que se projeta na distância, no longínquo, absolutiza-se na beleza de inspirar as palavras que lavram o ser das profundidades, a alma dos conhecimentos e sabedorias, a sensibilidade das profecias e nadas-a-dizer, o conhecimento do desequilíbrio, do desequilibrado sentimento da solidão em busca do sublime, da angústia da carência, desejando a ópera das verdades e transcendências do “SER”, esperança do homem-novo nos inter-ditos das outroras inspirações do belo e da beleza.
“Começar das outroras inspirações do belo e da beleza as transcendências de sorriso incontinente”, felino corte nas perspectivas da imagem, dependuradas no varal noctívago, coloridamente. O sonho ama outro sonho na solidão de si, nos interstícios que só a sensibilidade pura pode expressar em toda a sua grandeza, o espírito de dons e talentos para con-templar-lhe as profundezas, desejando-a conhecê-la, dizendo-a. Lá onde a estrada começa, a terra não sei qual, passa o tempo, tudo passa, o ídolo mergulhado nas flâmulas tirou férias perenes, empreende outras viagens pelos mares e portos o panorama da infinitude. No eco impotente de um estéril Eldorado, no alarme pleno de um Paraíso Celestial, Deus ainda soprará um hino pela dimensão ec-sistencial e humana, amanhã, serei o barro, os homens o seremos, ainda que tardamos a superar o nosso longo silêncio, esse silêncio que inspira, que se realiza em sons, sibilos de ventos por entre serras, que se torna palavras, musicalidade, ritmo, convite ao mergulho íntimo e singular na aurora de ontono e outroras, deixar-me levar livremente nas suas asas, passeando nas sendas das silvestres florestas, brincando de criar, re-criar, in-ventar, de descobrir outros uni-versos, sonhos e realidades, alegrias e tristezas, o vento leva, revigorando vozes, visitando o mar, as montanhas, o fogo, o céu, a ciência, o sol, a legitimidade! Pão e cálice, eterno combate com o corpo físico de cada dia. Mais xícaras e pires, estou a sós, eu e o vinho, nas sequelas de ruas e avenidas tribuladas, entupigaitadas, congestionadas, tributadas, sim, e mal sinalizadas pelos germes sociais da violência urbana, vírus informáticos da alienação virtual.



Hoje, o sol está pardo,
A hora de amanhã não sonha com a de hoje,
O dia sem sorrir,
Fatalizado o crepúsculo,
Sem certeza de légua e meia
Com vontade de trair,
E o sertão re-nascido do barro
A levar a sorte ou a morte
Até cair o último fuzil,
Aprender paisagens
De estrelas,
Perspctivas de brilhos e resplendores,
Terra e troncos em lenha
Farta,
Caindo gotas das vastas
Flores verdes
Na Fonte luminosa,
O terço será lembrado,
Léguas de margens,
Rio e água,
A cachoeira precede a ilha,
As flores admiram,
O dia raiou,
O trem apitou,
O galo cocoricou,
O pássaro canta,
A cadela late,
Aprender a canção
Do silêncio, solidão,
Enquanto a morte
Não é final de um dia.



Verbo de conjugar:
balada às estrofes do espírito
que se alimenta da beleza das flores
que nascem nas auroras,
morrem nos crepúsculos,
da natureza que se projeta na distância,
no longínquo,
absolutiza-se na beleza de inspirar as palavras
que lavram o ser das profundidades,
a alma dos conhecimentos e sabedorias,
a sensibilidade das profecias e nadas-a-dizer
o sonho ama outro sonho
na solidão de si.



No alarme pleno de um Paraíso Celestial,
Deus ainda soprará um hino
pela dimensão ec-sistencial e humana,
amanhã,
serei o barro, os homens o seremos,
ainda que tardamos a superar o nosso longo silêncio,
esse silêncio que inspira,
que se realiza em sons,
sibilos de ventos por entre serras,
que se torna palavras,
musicalidade, ritmo,
convite ao mergulho
íntimo e singular
Na aurora de outono e outroras.



“Começar de ontem os sibilos de ventos por entre serras”, semente e raízes intimas e singulares, cheirinho de chuva na ribeirinha, o luar em estado de graça, redes e gracejos, pedrinhas verdes, azuis, rosas e inúmeras na foz do riacho. Nalgum morro, cruzeiro de madeira e uma permanente solidão. Rua principal (sem praça/sem ponto, sem sinalização, chão e poeira) acha-se estirada na monotonia de algum lugarejo neste velho mundo sem cancelas e porteiras. A igreja, suntuosa, plena e perene, transcreve em longas circunferências, enorme benção, ininteligível iluminação. Sem par de ave-marias. Amanhece... O trem e um circo. Pés de figo, jabuticaba, manga, abacate, inúmeras outros, espetáculo da natureza, uma pequena floresta no centro de uma terra, fogão a lenta no fundo do quintal. Do alpendre vejo as estrelas, a lua, noturnamente.



AURORA
DE OUTONOS
E OUTRORAS...



Manoel Ferreira Neto.

(12 de abril de 2016) 

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