ANA JÚLIA MACHADO CRÍTICA LITERÁRIA ESCRITORA E POETISA ANALISA O AFORISMO 875 /**IN-FINITIVO IN-FINITO DO SONO IN-AUDITO**/ - PROJECTO #INTERCÂMBIO CULTURAL E INTELECTUAL#
Não sei se mal ou bem, mas mais uma vez analiso o aforismo de Manoel
Ferreira Neto, naquilo que eu me apercebi nas entrelinhas. Com certeza fui
extensa demais na análise daquilo que me apercebi.
As (adulteradas) doutrinas do báratro e padecimento eterno.
Conteúdo populista de molde atroz, o intelecto de muita gente, seja
devoto ou não, todo planeta já ter havido escutado proferir do pavoroso
báratro.
Um local hostil, um género de Local destinado a divertimento ingénuo,
provido de mecanismos e utensílios para joguete e pedotríbica luciferiana, um
local para afoguear e afoguear-se para todo o sempre.
Presumivelmente, já se assistiu ou reconhecemos alguém que habitou
alguma situação infernalmente pungente, um instante muito crítico, algum efeito
de actos deliberados ou não, um instante dificultoso de funesta sanidade, de
más opções ou instantes inesquecivelmente nocivos.
Seja lá o pior que alguém possa parecer ter passado ou assistido,
intitula-se com agilidade e harmoniza-se igualmente, qualquer enunciação de
habitar algo muito deplorável como um diabólico tempo.
Báratro não é apenas um local alegórico, fantasioso, mas uma
manifestação vulgar para descrever algo no contrário de Divindade, o adverso do
benefício.
Existe igualmente, uma manifestação pública como báratro sideral. Aquele
instante não benéfico ao que é benéfico. O alicerce devoto de um sujeito que
fundamenta o instante e espaço onde tudo alvitra facultar falhado ou ninharia
parece facultar correto. Não interessa, quem assevera habitar o tempo de
báratro utópico — abona isso aos orbes, ao alinhamento dos planetas, astros, ao
zodíaco — presume que patavina residirá pacífico e propício.
Mas existe justeza teologal na hipótese do inferno? Se o demo deveras
existe, por que o báratro não permaneceria? A Escritura deveras alude a locução
Érebo? Se isso tudo é uma hipótese, porque muitas crenças creem nisso?
Bem, para desenvolver de forma sintetizada estas interrogações que
possuo eu e penso que o escritor Manoel Ferreira Neto, quando fala de forma
sarcástica no seu aforismo “IN-FINITIVO IN-FINITO DO SONO IN-AUDITO” E para
fundamentar estas “realidades”, recorrerei à escritura para banalizar a
hipótese do érebo perene, desmoronar a lenda do purgante e elucidar o caso de
Lázaro e o indivíduo abastado.
Todo este panorama foi criado, armado e ostentado pela igreja romana e
alguns filósofos gregos presentearam um cheirete metafórico e burlesco nesta
doutrina que mais alvitra ser uma especulação da trama.
A erudição de “inferno eterno” foi incumbida declaradamente pela igreja
medieval, que utilizava a repreensão da coação anímica para alcançar as
abastadas misericórdias, por submissão e amparo estadista para a devassa
(aniquilar os “irreligiosos”). Antes disso, os filósofos gregos em sua cultura
multiteísta decompunham o “hades” em duas frações: uma para as “almas” dos
benéficos e outra para as “almas” dos ruins. A origem da instrução é
completamente herege, mais oca da esfera celeste e muito medieval. Legados
combinados aos cristianismo que hoje se dissemina por aí.
É a mesma coisa que criar narrações folclóricas. Se compusermos
semelhanças, o Saci e a Mula sem cabeça podem ser inseridos da lenda ao beato.
São factos completamente diferentes!
De uma óptica cristã, a concepção do inferno não é somente atroz e
incomum, bem como radicalmente descomunal. Será que o Divo nomeado na Escritura
como verídico, íntegro e digno aclamaria algo como uma pena perene? Pois não
sei responder…Se calhar…segundo as mentes doentias e beatas sim…
A locução “inferno” jamais permaneceu na escritura!
Pois é… mas quem conhece um escasso da escritura, já descobriu alguns
artigos pelo menos do Novo Testamento, vai possuir erudição que permanece esta
locução.
Na bíblia modelo, na versão singular do grego e hebraico (aramaico) esta
locução deveras não permanece, esse termo afluiu do latim e designa “espaço
insignificante”.
Infernum, infernus ou inferus. Todas estas locuções significam
toscamente em latim "as funduras" ou o "universo vulgar".
Desgraçado foi aquele que pretendeu reproduzir e transliterar do
hebraico para algo tão sem significado.
As provenientes Sheol, Hades, Ge Hinom, Ennom ou Geena não são
significações originais nem autênticas de infernus ou mesmo deste panorama que
afiguramos.
Quando fizeram a primeira tradução da bíblia para o latim, a Vulgata
Latina, adicionaram esta palavra. Como a Bíblia não foi escrita originalmente
em latim, acrescentaram diferente contextualização.
O espírito deseja mesmo o que possui, tem a sua inerente erudição,
abancada, triste, no conjunto de construções que se sobrepõem a outras, da sua
explanação, como uma ave que, infeliz não sabe adejar, para que lado vai. É no
talent da alienação que manumitiremos, a cada um de nós, as previsões das
realidades enigmáticas. Gogitar na pluralidade, será pactuar com a deidade
ímpar da vida terrena- a existência. Não facultando enxergar a diversidade, o
sujeito nega-se a perceber, apartando-se da inteireza da existência e elegendo
o fenecimento prorrogado, em adoração ao divo, dispersão de si próprio que
atenue o contra-senso da desmedida vida humana.
A hodierna idade e, contudo, tão velha quão o ser humano do mesmo jeito
como dele é a vocação humana de principiar.
É isto que no fundo eu vejo no aforismo apresentado de modo sarcástico,
que é aquilo que no fundo o homem é…hipócrita que se vale de alguns valores
ditados erradamente porque quem convém, para ocultar suas asnices…e servir-se
daquilo que lhe convém …faz que crê…mas é uma grande farsa para tapar seus
males.
Ana Júlia Machado
FENOMENAL ANÁLISE, caríssima Amiga e Crítica Literária, Ana Júlia
Machado. Mais uma análise crítica a figurar nos Anais de minha obra.
Meus sinceros e cordiais cumprimentos por esta maravilha.
Beijos nossos, querida!
Manoel Ferreira Neto
#AFORISMO 875/
IN-FINITIVO IN-FINITO DO SONO IN-AUDITO#
GRAÇA FONTIS:
PINTURA/ARTE ILUSTRATIVA
Manoel Ferreira Neto:
AFORISMO SARCÁSTICO
Honide... Honide...
Edên-icos... Hadên-icos
Quiçá o espírito maligno? Há-de se saber que o bem e o mal revezam-se,
são "verso-uno", do mal ad-veio o bem, então diz-me ele que " Ao
bem ad-virá o mal. Se se usar "hádico", sentir-se-á um arrepio ao
assimilá-la", o que deveria à Língua?, crio-a e recrio-a a bel prazer,
atendendo ao bom senso, a sonoridade agrada sobremodo, mas com atenuante, não
ad-mitem mais re-criações, a que está imposta pode ser trabalhada com as regras
e exceções. Creio ser momento propício para me retirar, não sem antes dizer: "E
como é que fica: "Hádicos e edênicos ou Hadênicos e edênicos", em
relação ao adjetivo de "Hades?".
Primeiro raio de sol, primeiro dia do ano. Distância... Distante,
sentimentos, distante emoção, distante primeiro sonho de paz, esperança do belo
em harmonia, sin-cronia com os ideais da verdade, sonho de outras idéias,
pensamentos, outras atitudes e comportamentos.
Solidão. Silêncio. A língua espera o movimento de dizer palavra, som de
idílios e quimeras do eterno, inaudito do amor e verbo de ser a plen-itude.
Nada. Jaz solene no solo da boca, lábios contraídos.
Perquiro a razão da ironia e sarcasmo do primeiro parágrafo, se
"hádico" ou "hadênico" o ajdetivo de "Hades",
pois que mui ínfimo traduz as intenções, então servindo apenas como ornamento,
mas perguntar-lhe-ia eu como ficaria a questão dos arrebiques. Se a língua
acena tão solene às cositas presentes, significa que isto o que endossa é para
nenhum século re-colher, a-colher e desmanchar, a tinta é eterna. "O
adjetivo de "Hades" é "Eterno", eis a minha res-posta
categórica."
Inverno... Abissais sensações perpassam o íntimo, frias con-templações
da clarividência da alma sentindo no alvorecer sereno, tranquilo, ameno,
nublado, as anunciações que inda efêmeras preencham as carências das chamas do
fogo eterno do prazer e felicidade, quiçá à soleira da lareira... Vivaldi
executando as Quatro Estações na guitarra solo do ser perpassando as lídices do
tempo. Abismáticas sorrelfas do vale esplendendo de orvalhos matutinos,
furtivos brilhos diáfanos que, incididos nas folhas das árvores, mostram a
imagem trans-perpétua do espírito performando a volúpia da estesia, clímax da
beleza, com o para-si dos verbos da contingência, efemérides do absoluto,
solstícios do divino.
A vida se surpreende com a continuidade sem tempo, sem verbos, até mesmo
sem os infinitivos do aqui e agora, das conjugações limítrofes entre o nada e o
vazio, re-fletindo silenciosas as éresis da inspiração e da arte, a vida sem
vida é sistere sem sistência, os caminhos bifurcam-se no instante-limite da
egrégia travessia do nada para a con-templação da in-verdade que des-vela os
precipícios da sublim-itude.
Ad-versos trans-versos de sonetos trans-cendentes prefigurando desejos
da linguística a verbalizar ritmos e acordes do não-ser re-presentando no
tabernáculo de contingentes efígies a melodia im-pretérita, a-presente,
des-futura, pró-perpétua do sublime subjuntivo das buscas vivenciais e
vivenciárias do inaudito.
Iríadas de mistérios. Éresis de enigmas.
Quem me dera agora, nesta tarde de clima frio, cabelos molhados de
garoa, virasse-me às avessas, mostrasse, revelasse, a-nunciasse as primeiras
plen-itudes do verbo-inverno, cujas temáticas e temas fossem o krishna da
espiritualidade jubilando o espírito do tempo na suavidade, leveza da apoteose
da vacuidade.
No inverno, a plen-itude
se esvaece nas templárias
tabacarias da arte
e sublimação da vida à lareira
de chamas ardentes
do início da genesis
do gozo lúdico esplendendo
miríades defectivas da liberdade,
alicerce para o perfume das flores
na primavera,
para a cog-itude, erg-itude,
seren-itude da alma -
espírito do in-finitivo in-finito
do sono pleno
de sonhos...
(#RIODEJANEIRO#, 17 DE JUNHO DE 2018)
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