NÃO SINTO MUITO... SINTO O ORBE RÚTILO DO VENTRE* - Manoel Ferreira
Escreve-me a alma, re-escrevendo as estradas de poeiras metafísicas por
onde trilhei passos à busca da etern-itude do substantivo sonho, in-finitivo do
ad-vir, gerúndio do perpétuo, particípio do paraíso perdido, as esperanças que
re-colhi e a-colhi ao longo das dúvidas e medos, do des-conhecido, do
in-audito, do mistério do ser e da vida, dos horizontes dos versos e estrofes
do espírito do encontro, do enigma do não-ser e da morte, do mito do nada e da
imortalidade, com os sentimentos do verbo desejar, querência do eterno.
Re-escrevo. Não sou o que sou alucinadamente: re-flito, medito e maldigo
o meu ser vicário, pois o que sou é ser justo e exatamente o vice-versa de
minha alma no avesso de meus ossos, o re-verso de meu espírito no in-verso de
minha carne, o avesso de meus instintos verso de minhas razões despidas de
senso, de meus instintos desprovidos de volúpias e tesão.
Escreve-me a alma, re-escrevendo o que sinto no labir-íntimo, na
bipolaridade de minha psique: a fadiga do horizonte faz minha cruz ser pena de
águia que balança ao ritmo do vento, faz minha exaustão ser como pluma que o
vento dança na performance do sim e não, da verdade e in-verdade.
Enquanto no silêncio falsifico o verbo e me faço abismo, re-escreve-me a
alma turvando a mímica das sombras, re-escreve-me o espírito raiando a
claridade da metamorfose, o perfil das iluminações, o orbe rútilo do ventre e o
amor, planície lúcida, lúdica, de onde emerge a caverna do não-ser, a montanha
do ser.
Manoel Ferreira Neto.
(10 de maio de 2016)

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