COMENTÁRIO DA AMIGA, ESCRITORA E POETISA ANA JÚLIA MACHADO AO TEXTO /**VESTÍGIOS SILÁBICOS DE DESEJOS**/


VESTÍGIOS SILÁBICOS DE DESEJOS
Manoel Ferreira Neto.



Com as pegadas tónicas, dos meus anseios, redijo um carme no teu físico
redijo-o com verbos-garras
Deletreando os verbos
Anelo voluptuosidade
Meiguice e deleite
Não vou virgular o meu canto
Patavina de comas
Sinais de fechos
Mutações de alínea
Não desejo suspensões
No meu carme - físico
redijo-o sem descansar
Sem resfolegar
Desorganizando o verbo progressão
Traço prego o canto
No teu físico-folha
Até permaneceres recheado
Carregado, atestado
De traços riscos e letras
Mesmo só até ter local
Para a verbo clímax
E não carecer redigir
Que do elevado de meu isolamento, de minha perspicácia, abraçando com o admirar, para além do córrego, desde as combas fecundas até aos morros, ao longe, contemplo em volta de mim tudo desabrochar e criar rama.



Ana júlia Ana Júlia Machado



*VESTÍGIOS SILÁBICOS DE DESEJOS*



Solitário, isolado, vejo-me cercado de montanhas gigantescas.
Diante de mim abrem-se abismos onde se precipitam as torrentes formadas pelas chuvas das tempestades. Desde as montanhas inacessíveis, para além do deserto que nenhum pé humano calcou, até a extremidade do oceano desconhecido, dobra o espírito daquele que cria, re-cria, in-venta, re-faz o eterno das solidões, o absoluto dos verbos de sonhos, incessantemente, e rejubila-se a cada átomo de pó vivificado graças à sua palavra, graças aos vestígios silábicos de desejos de êxtases e glórias.
Há quem diga pensar eu que somente sozinho no quarto, no meio dos livros, encontro as palavras para saciar a sede de conhecimento, a fome de realização como homem e indivíduo. Não sei mesmo se estas palavras são verdadeiras, se elas realmente dizem de algo sério e sincero, de algo sensível e trans-cendental ad-jacente ao inter-dito inaudito das nostalgias, melancolias e saudades do tempo. Contudo, sei que, enchafurdado no meu canto, sou livre para atingir os liames do espírito e da alma, tecendo sentidos e símbolos para o retorno à paz, à felicidade. Do alto de minha solidão, de minha lucidez, abrangendo com o olhar, para além do riacho, desde os vales férteis até as colinas, ao longe, vejo em torno de mim tudo germinar e frondescer.



Manoel Ferreira Neto.
(09 de maio de 2016)


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