#AFORISMO 695/ COM "FAITS" DE LÁGRIMAS NO LIMIAR DA APARIÇÃO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO
Vida... Roda-viva...
O homem não morre, sejam quais forem suas obras, suas personalidades e
caráter, ficam importadas, o que morre é o verbo da alma que foram sonhos e
esperanças da vida. As almas penalizam no inferno das metafísicas pretéritas,
exegeses infinitivas. O que importam as fábulas tolas a respeito de
Mefistófeles inventadas aqui na terra, se as almas permanecem nas profundezas,
comodamente ao calor das chamas? Os espíritos paradizem ou paraclitam no jardim
solene as palavras, o prazer do olhar, o deleite das emoções.
Vida... Roda-viva...
Tempo de travessias, da alma do espírito ao espírito da alma, verbo de
sonhos, carne de esperanças, sangue de quimeras, sobre a rosa do amanhecer,
igualdade no ser, puras modas de dizer; do espírito da alma ao in-finitivo das
vontades do pleno, às verdades in-finitas dos sentimentos mais reluzentes do
amor e da desejança de amar. Quem me dera o absoluto no interstício das nonadas
que exalam as verdades do efêmero, arrepio de volúpia, um respeito estético
diante da visão de pálida assembléia de graciosos espectros, respingando nas
contingências da dor e sofrimento gotículas frias de desejos do além que
habitam o ser para a vocação à felicidade, para os dons e talentos do êxtase de
ser, o clímax de sensibilizar os instantes dos sonhos.
Ai quem me dera!...
Vida... Roda-viva...
Miríades de luz diáfana cintilando na solidão do ser, pilastras jazem
despedaçadas no chão, e magníficas pedras em mármore, ornamentadas com belas
esculturas representando folhagens e flores, concebendo as veredas por onde
trilhar os volos de sorrelfas do pleno, as sensações de quimeras do belo e da
beleza, e no abismo do tempo a alegria de verdade, inda que fugazes volos e
sensações, o olhar brilhante do contentamento esplendendo de silêncios as
realizações da vida ao amor, única dimensão da trans-cendência de cuja eidética
sin-estética des-abrocha o espírito do ser, verbo de buscas e metáforas das
sublim-itudes para o ser da morte, para a morte do ser.
Gestos de carinho, atitudes de ternura são dimensões que re-velam o
verbo da canção que ritma o ser, fá-lo esvoaçar horizontes e universos, fá-lo
per-vagar no infinito, bailar as emoções da felicidade, alimentando-se da seiva
do eterno, e contingenciando na intimidade do amor a verdade do espírito que está
visível no olhar, está presente no coração, está viva na alma, está pulsando no
corpo, amor bonito, amor forte, amor que veio para ficar, plenizar o tempo de
conquistas, o leque dos sonhos emanando o vento delicioso de outros desejos,
vontades - como são gostosos a entrega e o sentir!...!, volos de prazer, êxtase
- amor há-de ser forte, emoções rebeldes, sentimentos que trans-cendem o real
dos tabus, dogmas, preceitos, há de ser suave, sereno, entrega terna, síntese
da perfeição entre o efêmero e a verdade do eterno, imortal, verdade que segue
as margens do rio lenta e paulatinamente, tecendo as ondas da água viva do
há-de vir no percurso do deslize simples e espiritual - quem disse que as águas
não são espírito da vida?
Onde vivemos é água.
Quem a elas se entrega espiritualiza-se de verbos-rios do absoluto - ao
longo dos toques e carícias do subjetivo de amar, o amor amando a vida, a vida
amando o sêmen que conceberá a peren-itude da felicidade.
Vida... Roda-viva...
Enquanto não vem o dia dos ventos, e o das gaivotas e cisnes, e o das
águias e pássaros, e o de toda a vida, e o da mesma capacidade uni-versal de se
cor-res-ponder e se completar, que sobrevive à consciência. Os mistérios tendem
a paralisar o mundo.
Ainda é inverno. Inverno de presenças pres-ent-ificando-se. Inverno de
ausências ausentando-se. Inverno de ecos de silêncios ecoando-se, ouvem-se-lhes
fora do mundo, lá onde as paisagens não são imagens, mas efígies destituídas de
face e rosto.
Re-fazendo as criações, fantasias, quimeras, ilusões, poder da voz
humana inventando novos vocábulos e dando sopro aos exaustos; tempo de re-criar
nas esperanças do ser perdido o verbo do verso desejar, o verso do verbo
sonhar, lírica, melodia, dizendo o quem da raiz do sou de mim habita a alma
que con-templa a continuidade do Verbo “Ser”, comovo-me ao con-templar
a decadência da grandeza e não posso esconder minha mais respeitosa
compaixão.
A lua inspira o brilho da terra, nem mesmo o gorjeio de um pássaro
faz-se ouvir,
apenas de vez em quando o grito de uma gaivota voando do ninho por entre
montes de areia e anunciando a tempestade próxima, a chama pungente das
ilusões, trans-literalizadas de imagens nas pers-pectivas do vir-a-ser;
Diz-me, comunica-me
A solidão dos tempos,
A carência dos homens,
O sensível espiritual,
Desejando o cristal
Trabalhado pelas mãos
Que se tocam
Em comunhão,
Ironizando o diamante
Que risca o éter,
Mostrando-lhe o espaço
Por onde passar
E ridicularizar
A vaidade, orgulho
Do “não” eterno,
Miseráveis existências
Na obscuridade de templos
Em ruínas
Ou grutas encantadas.
O poético e suave à luz das re-flexões do instante aqui, do momento lá,
obter a res-posta na posição vertical das entre-linhas dos juízos puros,
sensibilidade im-perfeita, choram as pedras, o dom da misericórdia se volta às
razões poéticas, intuições, transbordado o coração de êxtases, estesias dos
verbos,
lídimos desejos de outro ser nas ad-jacências,
re-ticências...
do eu,
do ser outro que se abre à luz
da verdade,
à sombra serena e tranquila
do amor,
princípios morais e éticos,
que abrem às escancaras
as visões-[da]-vida
do espírito,
à con-{s}-ciência-[de]-mundo
dos olhos que ob-servam,
da sensibilidade que filtra a verdade do visto,
a visão do des-conhecido e dos mistérios,
a inteligência que re-colhe, a-colhe
o que lhe servirá como passos
dentro de outros passos, dentro de outros passos,
virtudes do amor e da cáritas,
que sensibiliza e con-sente
a felicidade,
permite o bem-estar,
o sou de minhas situações e circunstâncias,
mesmo que as imperfeições e erros
isso não me autorizem,
que re-fazem
as possibilidades de outros versos
à soleira das melodias e ritmos
da conjugação “sou-somos”,
koinonia do “eu-outro”,
“sou-somos” “eu-outro”,
in-verdades do quotidiano
vivenciário,
vivencial,
histórico,
historial.
Consciência-estética-ética
íntegra e real,
imanência das sensações
livres, espontâneas,
a subjetividade aos raios de sol
Transcendendo-se
Aos prelúdios de outros projetos,
Ideais,
Sem rimar águas com fráguas,
Ritmar rios com calafrios,
Melodizar travessia com fantasia de estesia
Frente à surpresa,
Musicalizar veredas de nonada
Com caminhos de fadas
Do nonsense,
Do divino na tese do ser-Uno,
Da divin-idade na antítese do Verso,
Da Imperfeição na Síntese
Uno-Verso.
Frios espíritos de gelo. A voz intros-pecta, circuns-pecta do tempo na
mente, do ser no limiar do in-audito in-terdito. É difícil viver com os homens,
porque é difícil calar-se e é difícil calar-se, porque as palavras requerem o
sentido dos desejos e vontades. Lágrimas perdidas na chuva. Eco de um ponto no
tempo, sombras(a mais leve e mais enigmática de todas as coisas) de outro dia.
Há uma sombra sobre o mármore de meu sepulcro, ninguém se lhe vê.
Imagens surgindo e esvaindo-se. Nadas nadificados, vazios esvaziados, vácuos
evacuados, abismos abismados. Nalgum lugar longínquo, nada sei deste lugar onde
me encontro - uma gruta? uma caverna? um cárcere? um sótão? um subterrâneo? -,
sentimentos me não são íntimos, me não são subjetivos, me não são metafísicos,
me não são abstratos, me não são. A alma eleva-se à sua eminência. Por que não
tenho o direito de respingar nos degraus de escada das varandas? Flocos de
neve.
Fora, a noite resplandece límpida, ponteada de estrelas que velam o
ossuário da terra, impossível baile sem orquídeas, des-vela o crepúsculo
medieval de sombras no velório milenar de luzes, como de flores de ramo não
invisível de todo, uma folha baila indecisa, mas a visão quase pouca lá não
chega inteira, lá não se realiza por completo. Suspiram os ventos noturnos e as
brisas marinhas tornam-se mais frescas. Por todos os lados, águas, somente
águas, luar e silêncio. A cidade imobiliza-se desde toda a eternidade, imensidão
do mundo, imensidão da terra, imensidão do espaço sideral, horizonte celeste, o
ar é leve e suave, gélido - um êxtase.
As noites na cidade não são quentes, tão quentes que só mesmo com
esforço é-se possível conciliar o sono. E se, mesmo com esforço e determinação,
luta e persistência, não se é possível conciliar o sono, o melhor é sair de
casa, andar a esmo pelas alamedas, becos, sobretudo lá pelas bandas da avenida
Tibiras - leve confusão: não sei se o bairro é Tibiras e a avenida Timbiras ou
vice-versa -, e, retornando, tomar banho, e tentar conciliar o sono, colhendo
as lágrimas nas mãos feitas concha, lançando-as ao ar qual confetes. Com
**faits** de lágrimas na escuridão, numinando o espaço, o sono vai-se
esgarçando na passagem das horas.
(**RIO DE JANEIRO**, 20 DE ABRIL DE 2018)👁️
Comentários
Postar um comentário