#ESPÍRITO DE BOSQUES FUNESTOS# GRAÇA FONTIS: GRAVURA Manoel Ferreira Neto: PROSA
Presença do
vazio, nada, morte. A existência que se esvai com a presença do tempo. A falha
que falta extermina a proximidade. Desfaleço-me. A consciência presente nas
manifestações das coisas.
É na alegria
que o homem prepara suas lições e, ao alcançar o mais alto nível de exaltação,
exultação, a carne se torna consciente e consagra sua comunhão com um mistério
sagrado cujo símbolo é o sangue negro.
Sombras
forjam cruzes que estúpidos mortais comparam à fera humana e hedionda. Troncos
de árvores secas preenchem o bosque de quimeras de verdor. Impreciso retângulo
de porta aberta arde traições que foram sonhos. Longe fileira cravada atrai
perfídias num esquecimento caduco.
Quanto a
mim, vendo as angústias em que meu coração se debate, quiçá assim levem-me a
cogitar e refletir sobre coisas pretéritas, necessita ele libertar-se e apenas
a consciência do que sucedera isto realizará, e querendo uma vez mais
arrancar-me à morte, ponho-me nos braços o enorme mastro da nau de proa
sombria. A ele me abraço e, durante alguns dias, vogo arrastado pelos ventos
funestos.
#RIODEJANEIRO#,
13 DE JANEIRO DE 2019#

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