#VIAS DO BOSQUE DAS ESTRELAS# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: POEMA
Vozear não escapa sonidos,
Sentimentos, emoções aderidos
Aos sonhos, esperanças, utopias
São que musicaliza a voz
No instante de mergulho nas palavras,
Roda-viva das irreverências, insolências,
Rebeldias, revoltas,
Admiram-me as sombras re-fletidas
Entre as quatro paredes que não retratei,
Tive a máquina fotográfica em mãos,
Não me interessou,
Gesto de lesa-leviandade,
Obtusas margens confeccionadas
De lapsos de memória, ausências,
O que sou hoje é haver a família vendido a casa,
Haverem todas falecido,
Sobrevivente a mim-mesmo,
Como toco de cigarro apagado
À mercê das coisas, passos na calçada,
Resido num "muquifo",
Restos de comida no prato sobre a mesa do
restaurante,
Becos de almas perdidas,
Arrastam-se no mundo da noite embriagados,
Solitários, jogados na rua pela esposa,
Sigilos profundos,
Nada escondem, nada revelam,
Trancafiados num cofre de múltiplas chaves,
Silêncio de solidões,
Que há a sentir? Que há a pensar?
Nada há mais a falar, a dizer
Aqui está a Lingua emudecida,
Procurei olhar de por trás do véu
Que me impedia de ver o amanhã,
Olhar a língua como todos os homens fazem,
Expondo-a à imagem do espelho,
Vi única de suas qualidades primordiais,
Nada dizer olhando para o interior,
Visões surgem,
Por vezes límpidas, por vezes ambíguas.
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Sopro de vida
Des-integrou-se num "mergulho noir",
Esvaneceu-se num sentimento
Dentro desse labirinto, como letra para melodia,
Nos interstícios deste abismo
Eu mais profuso, imperativo, forte a suplicar
O instante-já da reviravolta,
Até então no beco de almas perdidas,
Clamando oásis em salvação,
Rogando perdão por desérticas reflexões,
Espera por mim de alma livre,
Porta para o infinito além da chuvinha que cai
Ininterruptamente,
Algo sem forma, sem perspectiva,
Invadindo e violando sonhos,
Sinto arrepios perpassarem-me a alma,
Calafrios noturnos, acordando na madrugada,
Reflexões mórbidas, medos ininteligíveis,
Soletrando nove letras sábias.
@@@
Sinto o mundo
Nos interditos da busca do Ser,
Sinto a terra re-colher e a-colher a água da chuva
Observando-a da rede que balança a mim,
Os tempos mudaram,
Ando no chão de lama e areia, sentindo
O pensamento pensando o que é isto - pensar?,
Prazeres, amor, satisfações, LIBERDADE,
Tais nove letras mostraram-me outras verdades
De que carecia...
Espero a chuva estiar,
Passar nas vias
Do Bosque das Estrelas,
Rumo à Praia da Luz...
#riodejaneiro, 02 de março de 2020@

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