ESCRITOR E CRÍTICO LITERÁRIO, Manoel Ferreira Neto, COMENTA O POEMA "TOMBO", DE Ana Júlia Machado
Há-de investigar seriamente a razão de a Vida
testar os artistas, intelectuais a todo instante de modo frio através das
contingências, dores e sofrimentos indescritíveis. Na História, artistas e
intelectuais viveram coisas inimagináveis, alguns não suportaram, deram cabo de
si mesmos. As cruzes carregadas por eles são pesadas, carregá-las torna-se
difícil. Nem Sisifo sofreu tanto com a rocha levada montanha acima, próximo ao
topo rolava abaixo, tendo de levá-la novamente, ou Prometeu, amarrado no chão,
os abutres comendo o seu fígado, ambos foram condenados pelos deuses por seus
delitos. Seria que os deuses condenaram os artistas, intelectuais ao
sofrimento, dor inestimáveis? O que fizeram contra eles?
***
Efetivamente, a amiga, escritora, poetisa e crítica
literária Ana Júlia Machado não sentiu nenhum pejo, nenhum medo de revelar os
recônditos de sua alma perante às tantas situações e circunstâncias dolorosas
vividas, vivenciadas, diante de sua sensibilidade tão tocada com os problemas
da vida, muitas angústias, tristezas, mágoas, ressentimentos. Este poema é a
descrição nua e crua da alma da artista.Ter cor-agem e dignidade assim para
colocar a vida na mesa do mundo é para muito poucos homens, artistas, é
mergulhar no silêncio das trevas. Mas apesar de todas as dores, instantes de
desesperança e medo, há uma Fé inabalável na vida, fé que a vida pode ser
vista, pensada, superada, suprassumida. E fora através da Literatura que ela
encontra os horizontes dos sonhos e esperanças, da fé, noutra instância, alento,
encontrou a sua missão, o testemunho do que significa isso de buscar o Ser,
desejá-lo. Inda mais que este alento da Literatura, o nascimento de sua
primeira neta, Aninha Ricardo. São a Literatura e a Neta que preenchem os
vazios de sua existência, e preenchem com dignidade e honra, revelando que ser
artista vai muito além de poemas e prosas registrados, ser artista é artificiar
a Fé, Esperança, Sonho, apesar dos tombos da contingência.
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Arte e artista que preenchem as lacunas da difícil
Arte de Existir. Não conheço artista nos tempos hodiernos que mergulhe no
silêncio das trevas como o faz Ana Júlia Machado, afluindo com categoria e
engenhosidade o que reside no eidos das Palavras, colocar o Sonho e a Esperança
em questão, e isto a escritora, poetisa artificia com primor. Sim, ela é a
Re-presentação lídima de que existir é sentir no âmago da alma a dor, sentir na
carne o sofrimento, e tornar isto Arte, objeto de reflexão e meditação.
Inconteste, Ana Júlia Machado e a sua Arte são imortais, eternos; em vida já é
eterna.
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Amo de paixão a leitura de sua obra, pois que ela
eleva-me a meditar, refletir sendas e veredas da busca do Ser. A sua Obra é
Arte, é Vida, Arte e Vida são Ana Júlia Machado. Parabéns, minha querida Amiga,
por este testemunho da Existência.
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Beijos nossos a você e à nossa amada e querida
netinha Aninha Ricardo!
Manoel Ferreira Neto
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TOMBO…
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Presentemente tombo. Tombo em prostração.
Tombo ao contemplar minha existência abater,
tombo ao contemplar meus inumeráveis nacos no lodo,
tombo ao enxergar que ainda consigo estimar seja
que for.
***
Presentemente tombo. Tombo na plangência.
Tombo ao entender as intrujices
Tombo ao enxergar beldade fútil,
Tombo por não possuir convicção em facto algum
***
Hoje eu tombo. Tombo em lágrimas.
Tombo ao sofrer a mágoa em meu espírito,
meus latejos, minha palpitação,
Tombo ao analisar minhas sensibilidades, minha
chama.
***
Presentemente tombo. Tombo sem meditar.
Tombo na brecha do estranho,
Tombo ao enxergar o inexequível
e questiono-me como ainda consigo suportar
tanto tombo que a vida faculta-me…
Ana Júlia Machado
#RIODEJANEIRO, 05 DE MARÇO DE 2020@

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