#OLHOS FAISCANTES, VÓS INDAGAIS..." GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: POEMA



Vós indagais, olhos faiscantes,
Palavras nítidas,
Se as coisas rolam serenas,
Habitando-lhes sentimentos sublimes,
Carinho, ternura, gestos sensíveis,
Aquele desejo de tudo estar bem,
Tudo o que vos habita a alma de vontade
De minha felicidade, alegria, prazer,
O que poderia responder-vos com clareza,
Preenchesse-vos a curiosidade, as expectativas,
Senão que andam "demônios e poeiras"
No bosque, no sertão, no deserto, nas florestas,
Se amplio as dimensões da sensibilidade, do espírito,
Sinto vento sujo soprando,
Estou muito distante, longe da choupana
No mais recôndito da selva,
Onde sonho estar em todos os crepúsculos dos dias
Estar sentado num tronco de árvore,
Perscrutando ao longe a neve que cobre o infinito,
O que faço é trocar os pés, seguindo a rota sinuosa,
De curvas fechadas, densas, propensas à queda de banda,
A choupana está a léguas de mim,
De mim, alhures os seus cômodos, varanda,
O que lhe circunda,
Sonhei estar viajando, observando com atenção aguçada,
O panorama, a natureza, as serras,
Enxerguei uma pequena casinha no fundo do vale,
Ficara para trás de imediato com a velocidade do automóvel,
Estou pelejando com as coisas da vida,
Levando as circunstâncias a bel-prazer dos demônios, poeiras,
Alfim, vós sabeis com primor mister faz-se sobreviver,
Deixar as ilusões, as fantasias no cofre dos outroras, pretéritos,
Sine qua non enxergar a frieza do mundo, a "gelidez" da terra,
Se o que faço para sobreviver, tempos de quimeras
Sejam-me inda concedidos,
Levará minha alma cheia de espírito da existência,
Quero, anseio, aspiro, tenho vontade
De uma conduta, postura, posição justa:
Viva o Sublime, vivencie no intelecto a serenidade do Ser,
Olhando dentro de meu coração
Re-conheço "demônios e poeiras",
Mas encontro vozes dizendo a claras palavras
"O medo de vislumbrá-los, enxergá-los, sabê-los
Pode deixá-lo coberto da neblina da escuridão"
O medo é coisa perigosa, mui perigosa,
Sinto perfume da natureza subir, subir,
Inalo-o espontâneo e livre,
Se seria ele dos verbos de sonhos,
Não vos sei responder com altivez e perspicácia,
Sei a penas que nos tempos de agora, daqui
A fé contingente, imanente, afastada dos preceitos religiosos,
A minha singular e particular,
Ordena-me a prosseguir as andanças,
Talvez como res-posta as indagações da morte, esquecimento,
Demônios e poeiras
Sopra-lhes o vento dos instantes-limites,
Absurdos,
Interditos,
Inauditos,
E olho nos olhos da ampulheta das travessias
E nas suas retinas, pupilas
Vejo a alma cheia de liberdade a ser posta em questão...


#riodejaneiro, 11 de dezembro de 2019#

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