CRÍTICA LITERÁRIA ESCRITORA E POETISA Ana Júlia Machado VERBALIZA POETICAMENTE O AFORISMO /**DRIBLANDO E JOGANDO - O RESTO É SOBREVIVER**/
Perante o grande aforismo de Manoel Ferreira Neto
acerca de DRIBLANDO E JOGANDO - O RESTO É SOBREVIVER é mesmo isso, é tentarmos
enganar e jogar a vida e resistir a toda a maldade existente numa sociedade
bárbara e os Mídias a viverem destas fatalidades..
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Habitamos num Planeta miserável
Cedemo-nos ao juízo
Por ocasiões coerente, às vezes jamais,
É que o planeta é miserável...
Desnudamo-nos das demências
Restituímo-nos às idealidades
E diligenciamos habitar o preferível...
Mas, o planeta, compreendo é miserável...
Entre a demência do planeta miserável
Agenciamos obstinadamente a prescrição do
benefício,
Não queremos quedar cá cedendo-nos transportar
Pelo revés...
O planeta é miserável, mas, a existência é pulcra,
Nesse caso cedemo-nos ser transportado por ela...
O revés vive, mas, o bem-fazer é o correto...
Não possuímos idade para pontapear o palpável!
E perante tal dilema apetece-me verbalizar
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E HOJE?
Que poesia dispor presentemente?
Que ambição ou míngua extinguir?
Que sem-fim transitar?
Ou que ventosidades enfrentar?
Que veredas perfilhar?
Que súplicas escutar?
Que verbos verbalizar?
Que crimes manifestar?
Quão hei de bem-querer?
Ou quão silenciar?
Que súplicas ainda pronunciar?
Que verbos redigir?
Quão haverei que emudecer?
Quão de olvidar?
E termino com a ideia fabulosa do escritor Manoel
Ferreira Neto
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A essência repudiando assim sem contraposição os
seus temperamentos, feitos de um talento infindo, não só a ambição do mais
pujante, mas ao mais invisual dos imprevistos, à imaginação do primeiro pateta
que transita, algum profano que persiste e porfia em se benzer defronte do
sacrário, implorando absolvição por seu crime e de não possuir um juízo censor
sobra a sonsice que é cursar algum facto ao pé da inscrição. Não crê em
sacrário de profanos…
Ana Júlia Machado
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DRIBLANDO E JOGANDO - O RESTO É SOBREVIVER**
GRAÇA FONTIS: ESCULTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO/SÁTIRA
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Não sei quantos cadáveres estraçalhados
não sei quantos defuntos difundidos
nas páginas dos jornais, como classificados
do morticínio diário nas esquinas.
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É preciso atravessar a rua
talvez como um verso atravessa
a mata hirsuta de uma conversa de negócios.
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É preciso atravessar a rua
talvez como um carneiro atravessa
a fábula onde um lobo bebe água.
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Não sei quantos segundos restam
antes que desapareça o vulto verde
e surja o homenzinho ensanguentado no semáforo.
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É que tudo se acha fora de um livro falho. Assim, o
leitor preenche as lacunas alheias. Assim, posso preencher as minhas lacunas.
Por méritos, após uma vida de trinta e dois anos, de morto já faz alguns, me
encontro à soleira da eternidade, preciso com urgência considerar as lacunas
para que seja convidado a entrar nela com todas as patas e orelhas pontiagudas.
Para isso, preciso considerar as lacunas da vida e da morte.
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Não conheço maior jogo de dados que o jogo do
nascimento e da morte: preocupados, interessados, ansiosos ao último ponto, os
homens assistem a cada partida, porque a seus olhos tudo se resume nisso. A
natureza, pelo contrário, que não mente nunca, a natureza, sempre franca e
aberta, exprime-se a este respeito de um modo muito diverso: diz ela que a vida
ou a morte do indivíduo nada lhe importa; é o que exprime entregando a vida do
animal e também a do homem a todos os acasos, sem empregar o mínimo esforço
para os salvar. Observem o inseto no nosso caminho: o mais pequeno desvio
involuntário do nosso pé decide da sua vida ou da sua morte. Veja-se os equus
asinus, estúpidos, tapados até a fuça, empacadores, teimosos, mesmo morrendo,
quando empacam, não há quem possa reverter a situação; veja-se a lesma dos
bosques, destituída de qualquer meio de fugir, de se defender, de enganar, de
se ocultar, presa, exposta a todos os perigos...
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A natureza abandonando assim sem resistência os
seus organismos, obras de uma arte infinita, não só à avidez do mais forte, mas
ao mais cego dos acasos, à fantasia do primeiro imbecil que passa, algum ímpio
que insiste e persiste em se persignar diante do tabernáculo, pedindo perdão
por seu pecado e pecadilho de não ter um senso crítico acerca da hipocrisia que
é seguir alguma coisa ao pé da letra. Não acredito em tabernáculo de ímpios.
#riodejaneiro, 13 de dezembro de 2019#

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