**PASQUIM DO RIO DE JANEIRO** - Manoel Ferreira
Surpreendente como as coisas adquirem outras perspectivas na imagem.
Não há como separar o homem do escritor, são verso-uno: o escritor é a
origem do homem e o homem é origem do escritor. Mas nalguns instantes, eis que
se re-velam separados, digamos, cada um na sua.
Homem e escritor tomaram o ônibus rumo a novo destino, horizonte e
uni-verso, mochila nas costas, todas as experiências e vivências no seu
interior.
A namorada esperando na rodoviária. Como se a-presentar? Antes, trocas
de afinidades, sentimentos, emoções, beijos virtuais. Quem é quem? Seria o
escritor o homem, vice-versa? Sentimentos, emoções, esperanças, vontades,
desejos, envolvimento emocional. Só num encontro real a verdadeira identidade.
O homem... O escritor mandado permanecer no seu escritório. O homem, o
mais importante, o que mesmo tinha seus sentidos, significados. Longe das
letras, a sensibilidade, a humanidade do ser, o coração pulsando de sensações,
emoções e sentimentos, a alma entregue in totum ao sensível.
Mas a namorada reclamando: "Estou sentindo falta do escritor. As
longas conversas no bate-papo: curtições, comentários dos posts". Só o
homem não completava, faltava o escritor. Homem/escritor é o real, a realidade:
o que o homem não revela na obra, na relação íntima se mostra, identifica-se. O
que a obra não diz no concernente ao homem, na realidade a obra é completada
pelo homem. Nada de ser somente o homem, nada de ser somente o escritor.
Queria-me por inteiro.
Então, à guisa da compl-etude, o Pasquim do Rio de Janeiro. Primeiro
texto do novo destino, do vir-a-ser que ao longo do tempo manifestará.
Manoel Ferreira Neto.
(04 de julho de 2016)

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