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sexta-feira, 3 de março de 2017

**ARTE-TERAPIA - IN "PARTITURAS DO ESPÍRITO - 01 DE MARÇO DE 2017) - PINTURA: Graça Fontis/POEMA: Manoel Ferreira Neto


Não quero a poesia
pela poesia,
A poesia propriamente dita
Quero as minhas neuroses,
Psicoses,
Falta do ser,
Mazelas,
Medos,
Distúrbios psíquicos,
Comportamentos,
Atitudes,
Ações
Arbitrárias, gratuitas, imorais,
Nas linhas de versos e estrofes
Sou homem
E não "poste de cimento armado",
O "Em-si",
Sou "Para-si".
Quem nega as suas verdades na velhice
Vive de medos do Juízo Final,
Do inferno,
Seria que a poesia
Propriamente dita
Apagasse o não-ser,
No mundo ficasse
O "deusinho da pureza"?

Não quero compor soneto
de versos metrificados:
não tenho fita métrica para medi-los.

Não quero sentar-me
à soleira da porta,
con-templar as estrelas e a lua:
estou deitado,
olhando para o teto,
só letrando o silêncio.

Não quero um amor
que alegre o meu viver:
quero um amor
que des-faça as minhas alegrias,
faça-me triste, angustiado.

Não quero sentir
o sabor do vazio:
quero beber o nada
em pequenos goles
para sentir-lhe
preenchendo
as minhas ausências
e forclusions.

Não quero ouvir
lírica de música:
quero recitar o som
ritmando a melodia do silêncio.

Não quero rosas e feras sintéticas,
elétricas guitarras,
um solo triste,
sinfonia louca,
lirismo pungente,
demente da gente:
quero ver o cruzeiro do sul.

Não quero a vigília da insônia:
quero a insônia
lucilando as estesias e ex-tases,
as estética do prazer sem limites.

Não quero a morte genesis da vida:
quero a morte
morrida
de tanto morrer.


(**RIO DE JANEIRO**, 03 DE MARÇO DE 2017)

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