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quarta-feira, 6 de abril de 2016

**SONHOS DA ESTESIA DA VERDADE - REVISADO E AMPLIADO** - Manoel Ferreira


Se hoje elenco com acuidade e percuciência os ideais que, sintetizados à luz diáfana da espiritualidade, são pedras angulares da sabedoria que percorre o tempo do ser do verbo "amor", colhendo, re-colhendo, a-colhendo outros para a continuidade da éresis da arte, da poesia, amanhã com os devidos produtos de limpeza, vassoura na mão, cuido da higiene de meu casebre, reflito, enquanto, sobre o vir-a-ser, medito, portanto, sobre a verdade do verbo amar, do amor.
Se hoje são ventos que giram a roda-vida do sentir como quem partiu ou morreu, como quem viveu a plen-itude da felicidade por sempre ou fracassou por completo, os pretéritos imperfeitos das nostalgias, perfeitos dos sonhos, mais-que-perfeitos das nonadas de veredas silvestres, amanhã caio na gargalhada sarcástica, cínica, irônica de quem, nos seus idílios, deita na rede da macunaíma varanda, lembra-se de piadas picantes de amigos no botequim de copo francês com o fundo furado.
Se hoje, ao acordar, espreguiçar-me na cama, colocar a água para ferver, fazer o meu café, abrir a porta do meu casebre e ver o gato de rua sentadinho, esperando algo para comer, penso, sinto, reflito, medito sobre os espinhos do cactus que concebem a água, dessedentando os peregrinos do deserto, amanhã apenas vou passar o dia inteiro ouvindo as músicas românticas do Bee Gees.
Se hoje vislumbro as nuvens brancas, sentindo os gerúndios de pretéritos que foram luzes a incidirem nos hoirzontes das esperanças do belo e eterno, amanhã, recostado na amurada da ponte de um córrego, olho as águas turvas passando, pensando no particípio infinitivo de desejos do perene.
Se hoje proseio livre causos folclóricos, re-velando com simplicidade o hilário da sociedade, mostrando as hipocrisias, amanhã emudeço a prosa, recosto-me no parapeito da janela no alvorecer, deixando os olhos distantes, no íntimo sentimentos de ilusões do eterno, tudo é passageiro.
Se hoje ouço músicas, deixando-me voado ao ritmo e acordes, melodia e musicalidade, fantasiando as dialéticas do som e do inaudito, na alma emoções tecendo os sonhos da estesia da verdade, amanhã debulho as contas do terço, rogando a plen-itude do silêncio, quando a música das sorrelfas esplende o sentido da vida eterna.
Se hoje desenho um barquinho na superfície das águas no rio, deixando-lhe distanciar-se, amanhã na alma a felicidade da inspiração criando o trajeto para o absoluto da fantasia.



Manoel Ferreira Neto.
(06 de abril de 2016)


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