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sábado, 9 de abril de 2016

COMENTÁRIO DA MINHA SECRETÁRIA, ESCRITORA E POETISA ANA JÚLIA MACHADO AO TEXTO /**DUPLA CONGRUÊNCIA DO ESPARSO**/


DUPLA CONGRUÊNCIA DO ESPARSO
Manoel Ferreira Neto.



Um texto muito longo para comentar de imediato. No entanto, constata-se um sofrimento do poeta. O medo de não conseguir atingir o seu auge em uma relação...assume uma dupla sensação:de culpa e exuberância cometida. O excesso quiçá praticado em tempos....
Pretende ser um individuo e, grau de fingimento de polpa/apetite da imprecisão físico/apetite do absurdo apetite/desastre, do paradoxo receio/ bravura, da lógica perpétua/ nentes. Sensibilidades manifestas de uma constrição, conquistando rumos da clareza. Considera-se um número indeterminado de sensações a extravasá-lo, e excedê-lo, e deambula ciente pelos atalhos do desejo de relação



Claro abismo desliza-lhe o âmago, atravessando os secretos locais da inquietação, acarretando-lhe a percepção de uma imortal carência de intelecção e comunicação das sensações sentidas em comparação com as declaradas no semblante e contemplar. Atrevimentos frágeis e murchos de uma perscrutação impalpável e verídica do vivido humano nas denúncias de ledice e deleite de arrostar o mundo. Funduras de si, despontadas nas manifestações de aparências e presenciais enunciam-lhe o contraditório indagador dos sensibilidades.
Usa uma linguagem, sem pejo, de dar nome aos bois....em que muitos criticam mas todos usam e praticam.....Um texto complexo pela sua extensão,,,com um misto enorme de sentimentos......



Ana Júlia Machado.



Duas questões, Aninha Júlia, inspiraram este texto: uma relação amorosa complicada e estava terminando o mestrado de Filosofia. A relação sabia não iria perdurar por mim, em verdade não perdurou. Mas as indecisões sobre a Filosofia: seria que me tornasse mesmo escritor como desejava, seria reconhecido. Jamais deixei a pena, eis-me aqui realizado e realizando a Filosofia e a Literatura.



DUPLA CONGRUÊNCIA DO ESPARSO



Encontro-me a um passo de exceder os absurdos acumulados da carne - uma sensação mista de culpa e profusão - e nada é capaz de dominar os ímpetos de entrega. Quero-me em nível da duplicidade carne/desejo, da ambigüidade corpo/vontade, do paradoxo desejo/fracasso, da contradição medo/coragem, da dialética eterno/nada, e nada mais obstacularizando os ímpetos de um clímax eterno e efêmero. Sensações unívocas e equívocas de uma angústia, tomando as rédeas da claridade, evidência, emergem lúcidas do fosso dos desejos constantes de prazer e astúcia. Sou uma miríade de sentimentos a transbordar-me, exceder-me, ultrapassar-me, e caminho consciente pelas veredas da vontade de interação.
Desejo-me cúmplice de uma consciência embasada nos desejos da carne - a razão cumpriu sua elaboração na fantasia, o logos cumpriu sua organização na imaginação... O edifício imaginário reviu suas bases, desmoronando desejos seculares de uma vida sem raízes. Qualquer coisa distendeu-se nas sensações carnais, e agora sinto uma dispersão enorme de sentimentos e emoções a tomarem-me por inteiro, e sou sentido em medos e euforias.
Inclino-me ao rés-do-chão, iniciando os passos por alamedas íngremes e viçosas das percepções de um seio viril. Os pênis duplos do desejo e da razão, desfacelados e insatisfeitos de realização, aglutinam-se e dispersam-se num diapasão sensível, e o corpo afigurar-se a dissolver-se, deixando as sensações abrirem-se.
Emoções espelhadas numa congruência fácil e espontânea de carícias e ternuras colocam-me livre e escravo de vontades nunca dantes nem mesmo imaginadas. O medo excêntrico dos absurdos da carne, vividos na cabeça do tempo, faz sobreviver um refúgio, faz viver uma fuga, e o homem mergulha na insatisfação. Surgida da insaciabilidade, a impetuosidade de uma lembrança de sangue a jorrar nas veias da razão, um confronto da esperança e a angústia do inominável. Mergulho-me fresco e volútil nas ondas do ímpeto de uma metamorfose viva, a engolfar-me, retirando-me fundo das obscuridades dos sentimentos ambíguos. Sou impetuoso, de modo a rasgar-me as vísceras dos sentimentos de ternura e carinho pelo viver o mundo.
Sou uma dispersidade nos sentimentos de viver um ímpeto da carne e dos desejos, uma univocidade nos interstícios dos sentimentos volúteis de uma vida de sangue profusivo e disparatado da consciência. Até o instante presente, perambulando pelas alamedas do sensível, buscando a elucidação e entendimento, estive a envelar uma profusão enorme de tesão e desejo pelo clímax. Afigura-se-me este sentimento, úmido em seu interior, suave em suas bordas, ser uma ambigüidade amena e triste de um desejo não realizado e o viver girando assiduamente sem qualquer ponto de segurança.
Se, interiorizado e hermético nas associações á busca do entendimento dos enigmas da carne, segredos do sangue, mistérios do corpo, sinto estar esgarçando e ampliando as emoções, há um engano incorruptível e irreversível presente na sombra de uma manifestação. Se, imerso em ondas de calor e volúpia, sou trazido em nível deste desejo da carne e do corpo, as associações livres empreendem sentimentos espontâneos e suaves.
Um vento ameno e suave surge nas antípodas de minhalma, percorrendo os labirintos das vísceras e veias. Se faz aparecer uma sensação de prazer e júbilo pelo inusitado desejo?...
Se vivido de modo lúcido na intimidade um amor dilacerante, logo sou envolvido por um êxtase latente de dores e prazer, e sinto logo um amofinamento do corpo. Suave e contínua são a linguagem desta alegria ora surgida nos interstícios de desejos por desfrutar e estar desfrutando de mim. Há dúvidas de, se me encontro em nível de uma compreensão do minuto presente de sentimentos ou do entendimento carnal de emoções.
Veredas lúcidas de uma consciência a habitarem-me o íntimo - surjo-me à luz do sol e o rosto inicia a ejacular um suor quente. A língua do tempo, a ofuscar-me a visão, traz-me este obnubilamento dos desejos e sou inteiro recolhido no medo. Tempestuosas carícias e ternuras vêm residir-me o peito em busca de encobrirem uma angústia de entender o medo do amor, uma agonia de compreender a resistência de amar.
A solidão habita-me os recônditos do espírito e só encontro a sua superação no desejo de liberdade de entregar-me inteiro. Fecho-me sensível às posturas da abstração de ser indivíduo, conservando um profundo amor pela constituição das ternuras. Abro-me consciente às colocações da contingência de ser sujeito/verbo, elaborando os sentimentos ávidos de afetividade/carinho no seio de conteúdo humano.
Impetuosa paixão pelo sentimento de viver os resultados contingentes do prazer vem surgindo saltitante pelos interstícios de olhar, buscando as sensações alegres do peito. Impulsivo amor pelas emoções de agir a alma feliz do desejo inicia-se aproximando alegre nas veredas da consciência, procurando os desejos reais do espírito. Profusivo carinho pelas ternuras de sentir o espírito alegre da árdua tarefa de instituir os caminhos do amor e da liberdade começa aflorando-se contente nos labirintos da capacidade, manifestando a calma real da linguagem.
Ávidas carícias desta postura de ir pensando e organizando as ações em conformidade e harmonia com a esperança. O corpo, ambíguo em suas sensações de desejo, postula-me a percepção do olhar as situações antes da intuição de decidir as ações. Tempestuosos sentimentos de doação dalma e intercâmbio de carícias habitam-me fundo o seio, e sou quase uma alegria absoluta.
Invade-me enorme volúpia e desejo de ir residir inocente e puro nas alamedas de um amor efusivo e real. Surge-me angústia a perambular e deslizar no sangue vivo: serei apto a realizar este amor? Quisera-me lúcido e louco a tergiversar pelos labirintos nítidos e nulos de desejos. Sou felicidade translúcida a transbordar a garganta da linguagem, Intencionando inda mais a completude do corpo e sentimentos. Sou uma iminência de clímax no pênis real de prazeres, intencionando o gozo na vagina de desejos evidentes. Sou um gozo no pênis simbólico da consciência, reivindicando a formação do ser homem.
Quisera-me uma alegria da linguagem de desejos, ejaculando a completude dos prazeres, e tudo o que é elaborado são repetições de adjetivos e advérbios. Sinto a nitidez de instituições, aspirando encontrar-me com a lucidez de viver. Pudera-me o retorno lúcido às perdas, re-elaborando o sujeito, fazendo a completude clara do verbo de viver a singularidade.
Efemeriza-se a sombra tênue dos sentimentos efusivos da imensidão de viver, deixando-me perplexo e contente com as forças resolutas da completude. Evola-se o ensimesmamento frágil do sentimento de inferioridade frente às conquistas do mundo, revelando-me um sujeito perspicaz e atento às intenções prioritárias. Esvanece-se o clima denso de angústias instituídas no seio de um medo contundente de a vida haver sido perdida nos instantes absolutos da ociosidade.
Esvaiu-se de mim a similitude das formas de abstração, buscando o instante pleno do espírito, o momento perene da alma. Habita-me a solidão implícita da esperança de uma universal formação da consciência, tornando-me os caminhos um simples modo de ir construindo os desejos de empreendimentos e lutas. A ternura excêntrica de desejos sensíveis e frágeis reside-me o peito efusivo de uma linguagem voltada para a realização de carências e a instituição da intersubjetividade.
A meiguice diferente de conteúdos inocentes e ingênuos da alegria de ser sujeito, estilos simples e resistentes do contentamento de revelar o "sou" de mim, vem morar no íntimo, indicando-me as veredas da forma de constituição de viver. Institui-se o som nítido dos ventos suaves e frescos da felicidade de o homem inscrever a si no epitáfio dos desejos realizados.
A frescura da manhã solene de meu corpo tranqüilo nas arestas de suas sensações de gozo, mas uma inquietude solene no seio da carne. As ondas tênues de carinho e solitude por todos os estilos de amar e inteirar-me das formas de mergulhar-me no sangue efusivo da contingência humana. Simples ardências carnais nos desejos viris mergulham as satisfações plenas num mar de fluídas emoções de amar.
Primeiros ardores da paz submergem-me num oceano frio e úmido de emanações paradoxas da felicidade. Os amores da fisionomia a resplandecerem suaves os contornos de características sempre susceptíveis de uma excêntrica metamorfose em busca do real.
Substituo as dúvidas latentes da emancipação, trilha emotiva das carícias de vontades eternas, pelos efusivos processos emancipados da latência do amor. Recupero as evidências do espírito em transbordar-me frágil e consciente no finito das emoções sentidas. Mostro a nitidez do olhar, perspicácia indubitável da formação sensível do real, identificando a profusão de eternas ternuras.
Fósseis susceptibilidades conceituais do corpo a ejacularem sentidos e significados dalma - sou uma postulação das sensações. Veias de amores sentidos no real das reformas, abrindo o sangue quente e imanente dos "sonhos de Verbo Inteirar". Contingências testamentárias dos sentimentos insólitos surgem efêmeras da consciência, e sou manifestação ardorosa de insolências fundas. Tristes horizontes resplandecem imortais nas linhas sensíveis das posturas conscientes da elaboração emocional. Arregalam-me os olhos o universo nítido do substantivo amor nas tábuas translúcidas da percepção e intuição. Flácidos olhares perscrutam os insolentes infernos da angústia, perpassando os liames loucos das inquietudes, adelgaçando as vertentes insanas das perquirições, em perene busca do íntimo ingênuo da felicidade. Infernais concepções do belo e nítido estilo da esperança indagam-me as definições percucientes das postulações de consciência e ação nos interstícios de viver o "Amar".
Nítido inferno resvala-me o íntimo, perpassando os recônditos sítios da intranqüilidade, trazendo-me a consciência de uma eterna necessidade de compreensão e diálogo das emoções vividas em confronto com as reveladas na fisionomia e olhar. Insolências frágeis e flácidas de uma indagação abstrata e real do sentido humano nas revelações de júbilo e prazer de enfrentar o mundo. Profundezas de mim, emergidas nas revelações fisionômicas e oculares, dizem-me a paradoxalidade perqüiridora dos sentimentos.
Superfícies imersas nas elaborações do espírito, imergindo nos subterrâneos da ternura e insolência, dialogam lúcidas com as inscrições conscientes de um viver eterno. Sonos fáceis nas bordas do nada refastelam-se confortáveis, mergulhando nos interstícios absolutos da vigília. Loucuras indolentes escondem as lágrimas puras, os sorrisos inocentes, e instituem a seriedade no rosto do tempo inócuo e iníquo.



Manoel Ferreira Neto.
(Escrito em 1987)


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