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sexta-feira, 8 de abril de 2016

COMENTÁRIO DA MINHA SECRETÁRIA, POETISA E ESCRITORA ANA JÚLIA MACHADO AO TEXTO /**TRIBUTO AO FILHO DA PUTA II**/


TRIBUTO AO FILHO DA PUTA II.
Manoel Ferreira Neto.



Li, agora do escritor Manoel Ferreira um texto ao tributo ao filho da puta. Penso que essa gente não merece tributos…e sei que Manoel o que faz é uma sátira e apetece-me dizer em relação aos filhos da puta……
Pensam que versejam e desarrimam, esses filhos da puta
O que sabem estes escroques da vida?
O que instruíram com ela….
Aonde é que eles redigem?
Filhos e uma grande puta, que a mãe com certeza não tem culpa…
Que sensações possuem ou não possuem
habitaram ou fantasiaram?
Sim, a foder o próximo…..
Que instruem do que contemplaram
ou jamais arquitetaram?
Pois não, não sabem o que é labuta
Ah filhos da puta!
Furtam o som…somente se me silencio,
ou o emudecimento mesmo se profiro
Enunciam que não entendem-nos, particularmente no nosso digno modo de viver
Que conheces tu da existência? E dos que pronunciam dela?
Ou será que te pasmas se eu não te acato
às organizações de interesses a que não incumbo?



Estamos na idade do excremento,
onde se presenteia o ânus em embuste grosseiro,
num regozijo de assassina e despela.
Esse filho de quem nem incumbe cognominar-se bem uma marafona,
importuna, escoria, descabela, vomita
incessantemente ao meu flanco, e nos locais aonde
avalia que eu atravessei.
Filho uma puta, habita de salivar, de arrancar
de unhar, de angustiar as silhuetas
que ele acha serem de quem não cede
aos quelhos onde a origem o facultou à claridade,
Precisamente as criaturas e os locais aonde
ser filho da puta é ser filho da puta,
com ou sem massa entrelaçada mal elaborada nos pensamentos
ou vegetais nas peúgas….Mas, o que é certo é que a vida está boa para os filhos da puta……



Ana Júlia Machado



TRIBUTO AO FILHODAPUTA II



Bons dias!



Mister se faz, antes, pedir as devidas e sagradas desculpas ao egregíssimo filhodaputa por estar colocando-lhe novamente em cena, quando deveria lhe esquecer vez por todas, seguir a minha vida na flauta, emitindo sons de paz, amor e felicidade, não mais lhe dirigir quaisquer palavras outras, nem mesmo lembrar-me de sua ec-sistência, explicando-lhe que as intenções são as melhores possíveis, os sentimentos são os mais cordiais possíveis, não nutrindo ou alimentando eu desejos, vontades de ferir-lhe os brios, denegrir-lhe a imagem com maior pujança, neste segundo tributo não atingindo apenas a alma, como o fizera outrora, mas enfiando-lhe o punhal nos interstícios mais profundos de seu espírito, antes que fique irado, nervoso, irritado, inquieto, ódio e raiva perpassando-lhe o ser, quando não mais res-ponde por suas atitudes e ações, é capaz de tudo, agredindo-me sem comiseração, talvez até enviando-me ao inferno através e por inter-médio dos “porões da tortura” para visitar Mefistófeles, livrando-se de mim, assim defendendo os seus interesses e propósitos, assim conservando e preservando os privilégios do poder que re-presenta.
Quiçá não me fosse necessário esse pedido de desculpas, pois que se sente exultante por estar figurando nas minhas páginas, ninguém o fizera antes, agradece-me cordialmente a atitude, até comenta com os cúmplices, asseclas o que fora escrito, ad-mira-se sobremodo com os meus talentos de lhe descrever com tanta categoria, nada de suas atitudes e ações são escondidas, nada de seus instintos e natureza é omisso, tudo é dito com transparência. Até se pergunta se em verdade não esteja eu escondendo leite, sou filhodaputa em potencial, mas tenho medo de “botar as manguinhas de fora”, não saberia eu viver isolado do convívio humano, da convivência social. Mas se não há quem diga qualquer coisa sobre mim nesse sentido, é que não sou, mas con-templando algumas atitudes minhas no passado, e mesmo no presente, defendo a unhas e dentes que sou um deles, o último dos filhosdaputa.
Lembro-me sempre de uma sabedoria, não sei se chinesa ou japonesa: “Por causa de um prego, perdeu-se a ferradura, por causa da ferradura perdeu-se o cavalo, por causa do cavalo perdeu-se o correio, por causa do correio perdeu-se a guerra”. Por causa de um tributo perder a vida não vale a pena, ainda mais que amo viver, entrego-me a todas as situações e circunstâncias que me possibilitem, abram as dimensões da vida. O meu desejo mais que profundo é estar em sintonia, sincronicidade, harmonia e afeto absolutos, póstero e póstumo com todas as coisas do mundo, especialmente pelo filhodaputa por quem nutro carinho e ternura enormes, já que me não é possível conhecer o homem por inteiro, posso conhecer o filhodaputa em absoluto, os meus afetos não serem discriminativos e preconceituosos, viver e experienciar tudo o que a terra pode proporcionar e legar.
Dizem as boas e más línguas que os podres do filhodaputa são tantos que nem as aves negras que sobrevoam o céu chegam perto, a catinga é in-inteligível, insuportável, muito pior que a de cadáver humano debaixo de sete palmos em seu estado de decomposição até às cinzas. Jamais entrei em sua intimidade para comprovar a veracidade das palavras das pessoas, e não o fiz para não me ver na situação difícil de vomitar as estranhas, mas por haver sentido certo medo de me influenciar, assimilar-lhe as atitudes e ações, sei que suas atitudes e ações são as mais indecorosas, as mais indecentes, as mais mesquinhas e medíocres, havendo, aliás, um termo que reúne todas elas com perfeição, é ele “filhadaputice”, as filhasdaputices dele são realmente tristes.
Em verdade, não significando que aprove ou desaprove as palavras do povo, pelas quais nutro respeito e consideração sem precedentes, admiro-lhe a criatividade e a coragem, tenho-as como verdades insofismáveis e incontestes, mas penso que são discriminações, preconceitos, marginalização, dizer que são tantos os podres dele que nem os urubus querem se aproximar é estar ultrapassando os limites do bom senso e do olfato, para atingir os objetivos e projetos de lhes expulsar vez por todas de qualquer convívio humano e contingencial, de ver-lhes pelas costas, esperar que em Armageddon as trombetas explodam os tímpanos do último filhodaputa.
Alguém me dissera que estava resolvendo alguns problemas no centro da cidade, passava por uma calçada, olhando para a outra do outro lado, reconheceu só filhosdaputa nela, na que estava fez questão de observar, só os idôneos e probos. Isso é que é uma cidade que sabe discernir o alho do bugalho. Com essa atitude, atinge a supremacia de sua percepção, intuição, razão: não fica apenas nos botequins, restaurantes, barzinhos, clubes sociais as diferenças de caráter e personalidade, de ser e contingência, de imanência e espiritualidade. De repente, alguém de probidade sem precedentes subiu o meio fio, de imediato saiu correndo, atravessou a avenida. Essa pessoa que me contara o acontecido dissera-me que lhe perguntou a razão de sair correndo, respondendo que a catinga estava enorme naquela calçada, os filhosdaputa andavam nela.
Se pensarmos racionalmente, haveremos de perceber que podres não ec-sistem, não habitam apenas no íntimo dos filhosdaputa, mesmo nos homens de pura idoneidade, de sublime probidade habitam podres, uns mais, outros menos, isto porque a natureza humana habita todos os homens, mesmo sendo poucos podres, mas podem feder muito mais que os muitos dos filhosdaputa, não é a quantidade que determina as questões e sim a qualidade, a qualidade da atitude de um homem idôneo pode superar bastante todas as outras escusas, depende do nível, se alto, se baixo. Se ninguém ainda pensou nisto, é que o filhodaputa se veste dignamente de cara-de-pau, e não mede as ações, para ele tudo é permitido, quanto maior for sua filhadaputice mais aplausos e encômios, tapinhas nas costas recebe de seus cúmplices, comparsas, asseclas, mais poder e sucesso adquire no métier, no uni-verso de seu rebanho, no per-curso e de-curso do tempo, tornando-se mito, lenda, objeto de imitação e de plágios di-versos, mais odiado e rechaçado, mais ojeriza e nojo recebe da nata fina da sociedade e da comunidade, que é a sua intenção primordial e essencial, alfim é inimigo congênito dos valores morais e éticos, das virtudes contingenciais e espirituais, dos princípios e dogmas religiosos, cristãos, enquanto que o homem idôneo sabe tripudiar, engabelar, jogar, conhece de estratégia e artimanha, os seus podres ficam escondidos, envelados, atrás da barba bem escanhoada, dos perfumes de fina qualidade, dos ternos de grife ou dos jeans sociais, cheques e cartões de crédito na carteira, algumas notas graúdas, celular de última geração, um notebook que carrega sempre para viajar na internet, considerados apenas como deslizes do caráter, da personalidade, isso faz parte do ser humano, cabem o perdão e a desculpa, cabem a compreensão e entendimento, não é um podre que incomode o olfato, que lhe denigra a imagem, que lhe faça perder os créditos, é homem que sabe discernir alhos de bugalhos, é sensível e inteligente, tem muito a perder na vida e no mundo, saberá superar sua atitude indecorosa com distinção, não perderá a dignidade “nem a bala”, para usar a fala de um ministro envolvido com corrupção, dissera ela que não sai do cargo nem a bala, outro tirara as vestes, pisara em cima, dizendo que nada poderia lhe comprometer, caiu e caiu feio, isto é que apreciar e vangloriar o “poder” – o filhodaputa há muito perdeu o senso das coisas, os sentimentos de medo e de orgulho próprio, opiniões e consciências não mais lhe dizem qualquer respeito.
Como disse anteriormente, no início, não tenho qualquer intenção de ferir os brios do filhodaputa, denegrir-lhe a imagem, ao contrário, as intenções são as mais sensíveis e cordiais. Referir-se às atitudes e ações as mais arbitrárias e gratuitas, à fala fétida, à alma cheia de lêndeas, como sendo “podres”, é uma falta de respeito enorme à vida que lhe habita, ao verbo súcia ou à sucialidade da conjugação do verbo “suciar”, que nele se tornou carne, noutras palavras, é uma falta de consideração enorme. O mesmo no que tange ao homem idôneo que num deslize inocente e ingênuo desceu ao nível do filhodaputa.
Onde nossa nobreza, quando nossa beleza, como nossa pureza, se o jato da descarga manda para as profundas tudo o que nunca nos larga? Quanto tempo ficamos no banheiro, ao longo da vida privada, ao longo da vida preclara, ao longo da vida precária? Não deveríamos mesmo nos referir às filhasdaputices do filhodaputa como sendo “podres”, nem mesmo às atitudes e ações dele como sendo filhasdaputices. Não fica bem para ninguém, idôneos ou súcias, usar palavras de baixo-calão, palavrões, diz o ditado que os peixes morrem é pela boca, isto é, expressar-se desse modo é ser imoral, é ser indecente, e isso os princípios da dignidade não podem con-sentir ou ad-mitir, aceitar.
Certa vez, acompanhando-me um filhodaputa a uma exposição de arte, onde nunca estivera, pôs-se a enrubescer, a cobrir o rosto, e, puxando-me a cada momento pela manga da camisa, me perguntava, ante os quadros, como se podiam exibir publicamente semelhantes baixarias, indecências. Ad-mirei-me com as suas reações, não esperava que fosse ficar bestializado, bestificado, ficar com vergonha do que estava presenciando, ao caráter súcia dele não caberiam essas coisas, deveriam ser-lhe coisas corriqueiras, triviais, esperava dele alegrias, êxtase, volúpias, felicidades, prazeres.
Que termo deveria ser usado para não dizer palavrões, palavras de baixo-calão? Termo que guardasse em si o mesmo sentido, conservasse a censura, amenizasse a contundência e pujança do juízo e julgamento. Não sermos tão injustos, desumanos com os filhosdaputa, mesmo com os idôneos e probos com os seus deslizes de caráter e personalidade? Termo que lhe mostrasse que amadurecemos, crescemos, tornamo-nos outros, compreendemos e entendemos cordialmente os desvios da alma, da psique, somos pessoas sensíveis?
A carne do filhodaputa que verga à fome e à gula apodrece. O caráter, personalidade do filhodaputa que verga ao poder fede sem fronteiras e cancelas. Só resta o fedor da combustão dos dias e o trabalho das noites, operando transformações nas fisionomias dos bichos humanos estropiados.
Não é tão fácil assim encontrar termo próprio, singular para substituir “podre”, o fedor é tão grande que impede a sensibilidade, a imaginação na sua labuta de criação. Também não é tão simples, porque o hábito, costume e cultura de usar “podre” para se referir às mazelas humanas, ao que habita as pré-fundas do filhodaputa, a cada passo aumentando consideravelmente, entupigaitando-lhe de podres, estão mais que cristalizados, estão impregnados em todas as dimensões, são partes integrantes do espírito, quase impossível haver mudança.
Estive pensando por longos dias a respeito, tentando encontrar o termo, para ajudar aos filhosdaputa a não se sentirem tão discriminados, não se sentirem tão angustiados e entristecidos com os julgamentos e juízos, as pessoas de bem, estirpe e laia mudarem de calçada, darem voltas enormes, para não ombrearem com eles, a catinga é enorme, tornar-lhes a jornada na vida e no mundo bem mais fácil, embora continuando a trajetória de suas atitudes, embora acumulando no íntimo suas mazelas, mas que não suscitassem nos homens a presença de odores fétidos dentro deles. Não deve ser nada fácil sentir que o outro está pensando no nível da catinga existente.
Freqüentemente perco o sono por causa dos filhosdaputa. Principalmente aqueles de mel e veneno que cantam a viperinidade libertas quae sera tamem. Só os filhosdaputa, estranhos seres, são felizes por terem a carne maculada, os verbos tergi-versados, por terem o dia destruído e o sono exangue e, no entanto, deles brotam as finesses mais escusas, as diplomacias mais mesquinhas e medíocres, os sorrisos mais límpidos e cristalinos, às lágrimas vivas e ardentes, as palavras mais nuas e cruas, não se faz mister encontrarem os lugares devidos e apropriados para lhes colocar, cabem em todos eles e com eficiência sem precedentes.
São as suas características? Filhosdaputa não possuem características! Quem as têm são os homens de fina índole, límpida raça, cristalina e transparente laia, nítida e pura raça. Quais são as características mais visíveis nos idôneos? – este é o questionamento que se deve colocar em pauta nesses naipes de cartas marcadas. Presença de espírito aguçada, sensibilidade, diplomacia, finesse, educação esmerada, são cheios de amor para dar, vender, alugar, emprestar, solidariedade, compassividade, pensam o que sentem e sentem o que pensam, jamais negam ajuda a quem quer que seja, são solidários na AIDS, sobretudo no câncer, são honestos com seus compromissos, são dignos com suas responsabilidades, jamais são capazes de ofender ou humilhar a quem quer que seja, são sensíveis e humanos nos velórios a que estão presentes, conformando os enlutados, derramando lágrimas sinceras, jamais ouviram dizer de crocodilos, nem sabiam da existência desse animal, de lágrimas de crocodilo. Estas são na minha opinião as características de homem idôneo e probo. Se me esqueço de alguma, ficam aqui as minhas desculpas, pedidos a ele de compreensão e entendimento.
Se os idôneos têm características – característica é um termo clássico, erudito, mostra nas linhas e entre-linhas, ditos e inter-ditos, a presença de todas as dimensões do bem e da verdade -, o que teriam os filhosdaputa? Eis a pergunta que me fizera, e que me dera a resposta adequada para a questão.
Comecei de elencar os procedimentos, comportamentos, atitudes e ações dos filhosdaputa que conheço, com quem cruzo em todas as ruas, avenidas, alamedas e becos, com quem divido o espaço em todos os lugares que freqüento, de algum modo estive envolvido nas suas teias de aranha, e mesmo angustiado, deprimido, entristecido, não tive escolha, pois que a solidão e a carência me habitavam bem fundo, os seus olhares, sorrisos, as testas franzidas, as respirações sôfregas, os narizes torcidos, fui elencando sistemática e metodicamente, fui estudando, an-alisando e inter-pretando a critério cada uma, in-vestig-ando-lhe as intenções e profundidades, as elucubrações e superficialidades, inocências e ingenuidades, dúvidas e desconfianças, as acuidades dos gestos, os esmeros da linguagem, arrebiques e ornamentos do estilo, até mesmo o modo como se vestem, as posturas e condutas nos lugares que freqüentam com assiduidade e mesmo são convidados a estarem presentes, darem a todos o prazer e satisfação da relação e convivência efêmera, verdadeiro trabalho de cientista da filhadaputice, valendo uma obra literária-filósofica que iria vez por todas colocar-lhe no Olimpo, para que todas as gerações até à consumação dos tempos o venerasse e adorasse, não mais seria esquecido, mesmo que a raça humana encontre a perfeição e o bem eternos, o paraíso celestial mudasse de lugar, passasse a ser no mundo, na terra, no meio das coisas, dos objetos e dos homens, e todo o passado fosse apenas um engano de percurso, uma inexperiência. Não fiz qualquer anotação no que tange a isso, tudo ficou em nível da mente, da razão, da intelectualidade, da sensibilidade, da espiritualidade.
Existe na Última Flor do Lácio uma figura de estilo, o tão famoso “eufemismo”, que consiste em amenizar a crueza, a contundência das idéias, dos sentimentos, num exemplo bem simples, “partiu dessa para a melhor”, para não dizer que “morreu”, o que é um detalhe. Se os idôneos têm características, os filhosdaputa não. Como iria amenizar com uma figura de estilo, com o eufemismo, a barra dos filhosdaputa, tornando-lhes seres menos discriminados, rechaçados?, alfim sou cristão, a cristianidade canta e reza o amor e a compaixão. Se o idôneo tem características que lhe id-ent-ifiquem o caráter, personalidade, o filhodaputa tem detalhes que lhe re-velam os comportamentos, atitudes, ações, suas hipocrisias, farsas, falsidades, aparências, que mostram o nível, grau de suas palavras. Óbvio é que nada disso é coisa exterior, é sim coisa interior. Substituindo o termo “interior” por “intimo”, chego ao eufemismo tão esperado. O filhodaputa tem “DETALHES ÍNTIMOS”.
Como cheguei a isso? Estava assistindo a uma novela cujo tema é a Ditadura Militar, AMOR E REVOLUÇÃO, o General Guerra conversava com o filho, Filinto Guerra, que havia sido baleado. Filinto Guerra se referiu aos podres de ambos, todas as mazelas, crimes, torturas. General Guerra respondeu: “Não tenho podres”, claro que não, sentava-se no Olimpo da Ditadura, era o poder nu e cru. Filinto Guerra retrucou: “Detalhes íntimos! Assim está bem?”. Afianço que apreciei com contundência e êxtase a ironia de Filinto com os seus “detalhes íntimos”, o mesmo que dizer são eles o que caracterizam as filhasdaputices, que re-presentam o que é o poder em todas as suas dimensões, especialmente dos militares.
Algumas vezes tentei, não sem qualquer sucesso, obtive alguns, tecer considerações intempestivas sobre a Ditadura Militar, mas não atingi os projetos e objetivos desejados, não queria destilar os ácidos críticos somente nos militares da ditadura, mas ampliar para todos os tempos, desde lá ao presente instante, crendo que agora sim estão realizados os projetos, jamais os “detalhes íntimos” deles, vulgarmente chamados “podres”, serão esquecidos ou negligenciados, podem agora transitar por todas as ruas, avenidas, becos e alamedas da cidade que ninguém vai pensar nos podres, mas nos “detalhes íntimos”. Na época dos índios americanos, dizia-se que “índio bom é índio morto”, o que pode ser remodelado para os militares, políticos: “bons são o militar e o político filhosdaputa, assim exercem bem as carreiras”.



Manoel Ferreira Neto.
(08 de abril de 2016)


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